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jun 10

Controle Integrado – Como podemos combater o Aedes aegypti?

A “mosquita” de Aedes aegypti parece querer ser a rainha da promiscuidade em relação a transmissão de doenças para o ser humano. Dengue, Zika, Chicungunya, Febre Amarela, West Nile, Rift Valey são exemplos de doenças transmitidas pelo artrópode.

Segundo dados do Ministério da Saúde, em 2015, foram registrados surpreendentes 1.649.008 (um milhão, seiscentos e quarenta e nove mil, oito) casos prováveis de dengue no país!

Apenas na 11ª semana do ano passado (mês de março) foram reportados mais de 100.000 casos, como podemos ver no gráfico abaixo.

svs2016-be003-dengue-se52.pdf

Falamos no post sobre Dengue, Zika e Chicungunya que essas três doenças apresentam sintomas muito semelhantes, portanto é muito provável que houve uma supernotificação de casos de dengue e uma sub-notificação nos casos de Zika e Chicungunya.

Enquanto o nosso problema era “apenas” o vírus da dengue – e seus 4 sorotipos – até que estávamos bem. Mas e agora que temos além da dengue, o ZIKV causando microcefalia e a chicungunya com a inflamação das articulações.

Tentar controlar essa enormidade de doenças complexas, uma de cada vez, conforme elas forem aparecendo, é de longe a pior estratégia a ser seguida. Mesmo porque o mosquito pode vir a servir de vetor para uma outra doença, que provavelmente vai acabar no Brasil.

E se, associado às pesquisas de vacinas e controle da doença, nós fizéssemos o controle da população de mosquitos?  Uma estratégia um pouco mais planejada do que a raquete que dá choque e frita o bicho?

Apresentamos para vocês o Controle Integrado! Existem diversos planos de Controle Integrado do Aedes aegypti, o que apresentamos aqui foi inspirado em uma palestra da Dra. Margareth Capurro, pesquisadora do Departamento de Parasitologia do Instituto de Ciências Biomédicas da USP. Ela trabalha no Projeto Aedes Transgênico (PAT) que será apresentado na seção “Mosquitos Transgênicos” desse post.

O Controle Integrado apresentado aqui consiste de 5 grandes medidas para diminuir a população do mosquito.

  1. Larvicidas
  2. Eliminar o Criadouro
  3. Adulticidas
  4. Controle biológico
  5. Mosquitos transgênicos

 

CI

 

Como podemos observar no esquema apresentado acima, não é apenas uma das ações que vai garantir que a população do mosquito diminua, mas sim, o conjunto de ações aplicadas simultaneamente. Abaixo temos uma breve descrição de cada ação. Clique nas imagens para uma explicação mais detalhada de cada ação. Mitos e verdades sobre cada assunto também serão detalhados.


Controle Integrado - larv2Larvicidas são inseticidas que tem como alvo específico a larva do inseto.

O mecanismo de ação de todos os larvicidas é o mesmo: Interromper o ciclo de desenvolvimento da larva. 

Polêmica: um relatório da Rede Universitária de Ambiente e Saúde (Reduas)  afirmou que o piriproxifeno (pyriproxifen), produzido pela Sumimoto Chemical, uma subsidiária japonesa da Monsanto (guarde bem esse nome, ele irá aparecer mais vezes nas polêmicas), teria sido o causador da microcefalia em bebês no estado de Pernambuco.

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Controle Integrado - criad2

A velha história: Evitar água parada acumulada.

Uma preocupação: Elimine o criadouro da sua casa, como pneus, latas, vasos. Isso tudo vai pra onde? Para o lixão? Você não estaria apenas então mudando de local o criadouro para bem longe da sua casa? “Ah, se é longe da minha casa, sem problemas”…

Polêmica (sempre tem): Armadilhas caseiras, devo ou não construí-las? Estou ajudando a eliminar ou atraindo mais mosquitos?

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Controle Integrado - Adult2

O mais famoso dos inseticidas, agora sem cheiro! Aos poucos sendo substituído pela raquete sádica!

Modo de ação: Tem que entrar em baixo da asinha do mosquito… haja mira!

Polêmica: O fumacê e a resistência do mosquito

 

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Controle Integrado - Bio2

BACTÉRIAS! SEMPRE ELAS!

Wolbachia pipientis: Aqui tem tudo! Evolução, ciência básica e, já que não dá para eliminar o mosquito da face da Terra, por que não “curá-los” de dengue, zika e chikungunya? 

Clique aqui para ler mais

 

 


Controle Integrado - trans2

Mosquitos machos geneticamente modificados

Modo de ação: Segundo um candidato à presidência: “Mosquita que foi fecundada por mosquito trans, não gera descendente”  

Polêmicas: Veeesshhh… muitas! Transgênicos, Monsanto (olha ela aí novamente), Bill Gates, Rockfeller, causa microcefalia, vai ficar mais resistente, usa muita tetraciclina, já tem muita tetraciclina no ambiente…

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Além disso, recomendo vocês lerem o post sobre a Rede Zika, maior esforço entre grupo de cientistas brasileiros para entender e combater a epidemia de ZIKV. Os resultados desse grupo são espetaculares, com direito a publicação na Nature, pelos grupos do Dr. Jean Pierre Peron e Dr. Paolo Zanotto, ambos do ICB. Vale lembrar também o esforço de outros grupos brasileiros pesquisando ZIKV, com destaque para o grupo do Dr. Stevens Rehen, que também publicou um estudo na Science, outra grande revista de prestígio internacional.

 

 

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2 comentários

  1. Felipe Ponce

    Um número grande de casos e a proliferação do vírus só aumenta! É incrível com a medicina está avançando! Já tem até proteína para impedir a proliferação da Zika. Que bom saber que esse vírus daqui alguns anos terá uma proporção menor.
    Além disso tem as vacinas que estão sendo feitas: http://www.valordeplanosdesaude.com.br/noticias-de-saude/
    A medicina sempre avançando! Isso é bom para nós que vivemos em um país tropical que a proliferação do mosquito é gigante.

    1. Luiz Almeida

      Olá Felipe!
      Avançamos muito em conhecimento sobre o ZIKV graças ao esforço de diversos cientistas brasileiros. Desde a evolução do vírus até a formulação de vacinas!

      Não podemos descansar, já que o Aedes é o vetor de diversas outras doenças.

      Obrigado por acompanhar o blog!

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