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out 16

Fosfoetanolamina – a “cura” do câncer?

A produção e distribuição de cápsulas de fosfoetanolamina, um composto supostamente eficaz para o tratamento câncer, tem sido alvo de discussões, liminares judiciais e controvérsias envolvendo a população, o sistema judiciário e a universidade. Atrevo-me a dizer que o PRINCIPAL motivo de tantas discussões é a falta de conhecimento de como a ciência é feita.

Como vimos no post anterior, a ciência está baseada na aplicabilidade do MÉTODO CIENTÍFICO. Pois bem, então analisemos a novela da fosfoetanolamina sob essa ótica.

Na década de 90, o professor do Instituto de Química da USP São Carlos, Gilberto Chierice, começou a sintetizar a substância em seu laboratório e distribui-la para a população. Não está claro como tudo isso começou. De acordo com Chierice, a droga passou por um único teste de toxicidade, que consiste em verificar a dose letal, que seria a dose suficiente para matar metade dos camundongos utilizados. Como não morreu nenhum, Chierice concluiu que a droga era segura para usar em humanos.

Alega que então começou a usá-la no Hospital Amaral Carvalho, de Jaú, e que a droga foi administrada mediante a assinatura de um termo de responsabilidade por parte dos pacientes, muitos em estágio terminal da doença. Mas o hospital atesta que não há registros do uso dessa droga!

Em seguida, segundo a entrevista da G1, Chierice diz que, apesar da falta de documentação sobre o efeito da fosfoetanolamina nesses pacientes, “algumas pessoas tiveram melhora” e a existência de uma “cápsula da USP” para tratar câncer começou a ser divulgada. Mesmo depois de o hospital deixar de administrar o produto aos pacientes, alguns familiares continuaram indo até o IQSC para pedir novas doses e o instituto se manteve produzindo para atender a essa demanda.

“O paciente melhorava e recomendava para o vizinho. No início, a gente nunca controlou isso, não éramos médicos. Eles diziam: ‘Queria levar para a minha prima porque deve fazer bem’. Nossa atitude não era policiar isso”, diz o pesquisador.

Aqui já percebemos que o Dr Chierice não age como cientista. Não duvido da boa fé e das boas intenções dele. Acho louvável ele querer que o remédio seja gratuito. Mas mesmo sendo professor doutor da USP, o químico não soube fazer ciência. E a meu ver, o que é pior, DESPERDIÇOU uma ótima oportunidade para fazê-lo.

Quando ele simplesmente distribuiu a droga, sem nenhum tipo de controle e acompanhamento dos pacientes, não só agiu contra a legislação vigente – que só permite a venda e distribuição de produtos aprovados pela ANVISA – como também não se preocupou em verificar os RESULTADOS do seu próprio produto! Ele não devia ter pulado as etapas de testes clínicos e distribuído o produto. Existem normas a seguir para disponibilizar um novo medicamento. Mas já que o fez e colocou a vida de pessoas em risco, podia ao menos ter documentado os resultados! 

Quando ele diz que “algumas pessoas tiveram melhora”, isso não foi documentado. Não se sabe que tipo de melhora essas pessoas tiveram. Afinal, algumas pessoas relatam melhora após uso de homeopatia, acupuntura, reza brava, passes espiritas e diversos tipos de medicina alternativa. Para essas não há como comprovar cientificamente. Mas para o uso da fosfoetanolamina há! E por que não foi feito? Por que não há exames de sangue nem de imagem para mostrar a regressão dos tumores? Por que não há um estudo com grupo controle (lembra que falamos disso no último post?) para demonstrar que o resultado é mais significativo do que um efeito placebo? Sem um grupo controle o experimento é inútil. Nunca saberemos se o efeito observado foi devido ao uso da droga ou não. E no caso não temos nem efeito a observar porque os efeitos justamente NÃO FORAM OBSERVADOS! 

E pior, não há estudo para saber se houve possíveis efeitos colaterais ou danosos. Como será a interação da droga com outros medicamentos e/ou tratamentos aos quais o paciente estiver submetido? Como reagirá em pessoas diabéticas ou hipertensas que fazem uso de medicações de uso contínuo para o tratamento dessas condições? Pessoas cardíacas? Gestantes? Crianças? O professor nem sequer sabe quem teve acesso à droga, já que como ele mesmo diz, “não era nosso papel policiar se alguém queria levar para a prima”! Mas era seu papel, professor, brincar de indústria farmacêutica clandestina no quintal do seu laboratório? 

E a coisa só piora. Ainda citando a entrevista para o G1:

O próprio cientista admite que não sabe qual é a dose adequada da substância. “Em que dose as pessoas tomavam? A mesma que o hospital dava. Não tínhamos como clinicar ou recomendar, não éramos médicos, não tínhamos escopo para dizer isso. Eles já vinham com a orientação do vizinho, de um colega. É dificílimo de controlar. Isso criou uma bola de neve e, em 2013, estávamos produzindo mais de 50 mil cápsulas por mês.”

Mesmo com boas intenções, o professor feriu todos os princípios da ética. Como assim, “eles vinham com orientação do vizinho?”. O vizinho prescreve e tudo bem? E se “não éramos médicos”, por que estavam agindo como médicos e medicando as pessoas? Se ele mesmo reconhece que não tinha como clinicar, por que não referir as pessoas a um médico de fato? Por que simplesmente distribuir o medicamento sem nenhum tipo de controle ou acompanhamento?  E como assim era “a mesma dose que o hospital dava” quando o hospital disse que não dava nada? Não era “seu papel policiar”? E desde quando sintetizar e distribuir medicamentos se tornou o seu papel? O professor brinca de médico, mas somente quando lhe convém? Imagine se todo pesquisador que trabalha com câncer tivesse essa brilhante ideia, “acho que minha molécula candidata a droga é inofensiva, vou produzi-la artesanalmente e sair distribuindo por aí pra ver no que vai dar”! 

Novos medicamentos precisam ser TESTADOS antes de disponibilizados no mercado, mesmo que sejam gratuitos. Primeiro as moléculas candidatas são testadas em culturas de células, cultivadas fora de um organismo vivo. Depois, em modelos animais, normalmente em camundongos ou ratos. E finalmente, se até então se mostrarem eficazes e seguras, serão testadas em humanos. No caso de um anti-tumoral, isso quer dizer que a droga teve efeito contra células cancerígenas em cultura, foi capaz de regredir tumores em animais  e não foi tóxica para os animais. Agora está pronta para ser testada em humanos. Esses testes vão assegurar que o remédio funciona – ou seja, que o consumidor não está sendo enganado – e também que é seguro – ou seja, que o consumidor não corre riscos. Se, durante os estudos, chegar-se à conclusão, por exemplo, de que não deve ser consumido por diabéticos, cardíacos ou insuficientes renais, ou por pessoas que tomam café em excesso (socorro!), essa informação deve constar da BULA do remédio. É por isso que remédios têm bula – além de, logicamente, para indicar a dose e como o remédio deve ser utilizado.

A fosfoetanolamina foi testada apenas em cultura celular e camundongos. Nunca foi testada em humanos. Foi muita irresponsabilidade sintetiza-la e usá-la na população, e muita sorte não ter apresentado efeitos deletérios, pelo menos até agora. Um médico da equipe do prof Chierice, Renato Meneguelo, veiculou um vídeo no youtube onde ele diz que ele mesmo testou a substância e que ela é segura. Ele só esqueceu de explicar que testou em camundongos apenas. Esse é o PRIMEIRO passo. Mas todo medicamento deve passar por TRÊS fases de testes em humanos ANTES de requerer o registro na ANVISA. O médico diz que, mesmo que não funcione, mal não faz tomar a fosfoetanolamina, e que ele estaria levando esperança às pessoas. Ao que tudo indica, bastante gente já tomou e ninguém morreu disso. Mas ele não pode afirmar que não faz mal porque ele não fez um estudo adequado.

Quanto desperdício de dados essa equipe fez! Imagine se, em vez de sair distribuindo cápsulas por aí, esse pessoal tivesse conduzido um estudo sério. Em parceria com o Butantan, com a Fiocruz, ou mesmo com uma multinacional ou qualquer instituição capacitada para conduzir estudos clínicos, imagine se todas essas pessoas que tomaram a droga e disseram melhorar tivessem sido voluntárias nesses testes clínicos.

Teríamos então um grupo controle. E teríamos registro de quantas pessoas participaram, incluindo quantos homens, mulheres, faixas etárias, tipos de tumor, índices de remissão, imagens, exames de sangue, taxas de mortalidade. Veja só, as pessoas interessadas, participando como voluntários, ainda teriam acesso à droga e a uma possível “cura”, mesmo antes da liberação da droga no mercado. Mas teríamos DADOS REAIS para comprovar a eficácia da fosfoetanolamina. Teríamos DADOS REAIS sobre os riscos que ela oferece. Poderíamos saber para quais tipos de câncer ela é mais indicada. Poderíamos calcular dosagens e tratamentos mais eficazes. E dificilmente teríamos uma CURA para qualquer tipo de câncer partindo de uma única molécula. O câncer é uma doença extremamente variada e pessoal. Existem diversos tipos de tumores e seus comportamentos são diferentes em cada pessoa. Não há como se falar em uma cura universal. E o fato de a equipe do IQSC pregar exatamente isso é apenas mais um sinal de que não são bons cientistas. 

E graças a essa ciência mal feita, o que temos hoje? Histórias e depoimentos de pessoas que se “curaram” com a droga. Depoimentos de pessoas que a usaram concomitantemente com o tratamento convencional sem contar aos médicos, e atribuem sua melhora à molécula, e não ao tratamento convencional. Pessoas que abandonaram tratamentos médicos para utilizar somente essa droga. E não se iludam: temos depoimentos também de pessoas que usaram e não obtiveram efeito. Mas esses dados em forma de depoimentos não servem para nada. Não fornecem informações suficientes para atestar sua segurança ou eficácia. Ciência não se faz com depoimentos, mas com dados concretos.

Ao que tudo indica, a fosfoetanolamina é muito promissora e pode realmente ser a grande descoberta do momento. Em parceria com o Instituto Butantan, depois de mais de uma década distribuindo o produto, o grupo finalmente realizou ensaios sérios em culturas de células e animais, e publicou cinco artigos em boas revistas que mostram que a fosfoetanolamina tem propriedades anti-tumorais em células e camundongos, e é uma forte candidata a um novo medicamento. Mas faltam os testes clínicos em humanos.

O grupo do prof Chierise disse que não fez os testes clínicos porque a ANVISA não ajudou e a Fiocruz queria a patente. Mas não comprova nada disso. A ANVISA não tem competência para fazer testes clínicos, apenas para julgar e conceder a licença. A Fiocruz publicou nota divulgando os e-mails trocados com o grupo de São Carlos, esclarecendo que não queria a patente, apenas o direito de realizar os testes e regularizar uma situação que vinha sendo conduzida de forma ilegal e clandestina desde o começo. E que tinha, sim, interesse em conduzir os testes clínicos.

Por mais bem intencionado que possa ter sido, o grupo liderado pelo prof Gilberto Chierice foi anti-ético e irresponsável. Eles alegam que queriam que o remédio fosse disponível a preço de custo e para toda a população. Mas se eles são detentores da patente, por que o medo de se associar a alguma farmacêutica, ou ao próprio Butantan ou Fiocruz para realizar logo os tão sonhados testes clínicos? Afinal, não vai ser com sua produção artesanal, mesmo a R$0,10 a cápsula, que eles vão conseguir disponibilizar a droga em escala mundial. Mesmo se o sistema judiciário do país acreditar que pode transformar a USP em uma indústria farmacêutica na base da liminar. Além disso, atribuir a falta de testes clínicos a uma conspiração da indústria farmacêutica para esconder a cura do câncer é simplesmente ridículo. 

Quanto ao nosso sistema judiciário, se os juízes que estão concedendo liminares entendessem só um pouco sobre como funciona a ciência e o método científico, estariam mais preocupados em apressar os testes clínicos e colocar a droga no mercado, de acordo com a legislação vigente. Se alguém morrer ou sofrer algum dano por causa do uso da fosfoetanolamina concedida por liminar, quero ver quem será responsabilizado. 

E, respondendo ao médico Renato Meneguele, que em seu vídeo se colocou “de luto” pelos pacientes que já morreram de câncer, e alega levar esperança aos pacientes, mesmo que de forma ilegal, antiética e sem comprovação, eu diria, caro senhor, que a ciência não leva apenas esperança aos pacientes. A ciência leva resultados. A esperança advém desses, de forma mais realista do que promessas de que “mal não vai fazer”. 

 


Links das matérias citadas no post:

http://www.saocarlosemrede.com.br/saude/iqsc-usp-diz-que-nao-pode-produzir-medicamento-para-o-cancer-e-descumprir-legislacao-federal

Comunicado USP

http://g1.globo.com/ciencia-e-saude/noticia/2015/09/pilula-da-usp-contra-cancer-nao-passou-por-testes-clinicos-entenda.html

http://noticias.uol.com.br/saude/ultimas-noticias/redacao/2015/10/16/droga-da-usp-nao-tem-acao-comprovada-contra-cancer-anvisa-diz-que-e-ilegal.htm

Artigos:

Ferreira, A., Santana-Lemos, B., Rego, E., Filho, O., Chierice, G., & Maria, D. (2013). Synthetic phosphoethanolamine has in vitro and in vivo anti-leukemia effects British Journal of Cancer, 109 (11), 2819-2828 DOI: 10.1038/bjc.2013.510

Ferreira AK, Meneguelo R, Pereira A, Filho OM, Chierice GO, & Maria DA (2013). Synthetic phosphoethanolamine induces cell cycle arrest and apoptosis in human breast cancer MCF-7 cells through the mitochondrial pathway. Biomedicine & pharmacotherapy = Biomedecine & pharmacotherapie, 67 (6), 481-7 PMID: 23773853

Ferreira, A., Freitas, V., Levy, D., Ruiz, J., Bydlowski, S., Rici, R., Filho, O., Chierice, G., & Maria, D. (2013). Anti-Angiogenic and Anti-Metastatic Activity of Synthetic Phosphoethanolamine PLoS ONE, 8 (3) DOI: 10.1371/journal.pone.0057937

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16 comentários

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  1. Suzana Pasternak

    Natália, artigo bem redigido e correto. Pessoas desesperadas e doentes são facilmente adeptas de soluções mágicas. Nada contra, se elas não interferirem em tratamentos sérios. E de nada adiantam argumentos, pois alguns tratamentos são exatamente isso: frutos de pensamentos mágicos….
    Mas professores da universidade, mesmo quando não beneficiados financeiramente, não podem colaborar em nenhuma receita ainda não comprovada. Concordo que agiram com a melhor das intenções. Mas isto não justifica sua conduta profissional.
    Que esta droga seja corretamente experimentada e testada. Espero ardentemente que seja eficaz!

    1. Natália Pasternak Taschner

      obrigada, Suzana. Vindo de uma professora titular da FAU-USP e pesquisadora 1A do CNPq, seu comentário é um exemplo de como deve ser a postura de um docente perante a conduta inadequada de um colega. Vamos torcer para que façam logo os testes clínicos e parem de agir de forma ilegal dentro da universidade.

      1. IRANI ALMEIDA .

        Natália, isso me lembrou o caso do Dr Silvio Meira, se não me engano, que divulgou uma outra forma de cura de doenças auto imunes e até alguns casos de CA, através da “AUTO HEMOTERAPIA”! Ainda existem vídeos dele no youtube. Esperança de um RESULTADO positivo é o que queremos, porém deve-se ter cautela. Concordo com você. Abraços!

  2. Antonio

    Nat, muito bom o artigo, me lembrou da história que você me contou do fanho que diz que o aleijado “caiu”, após o culto religioso curar o doente. Espero que essa novela acabe logo, com testes e comprovações científicas,, para o bem de todos nós!

    1. Natália Pasternak Taschner

      obrigada Antônio. Também estamos torcendo para isso.

  3. Urbano

    Vocês que são contra a distribuição dos medicamentos sem um estudo mais aprofundado do assunto é porque ainda não sofreu na pele ter uma doença incurável. Portanto, reveja seus conceitos e sejam mais prudentes antes de fazer qualquer comentário infeliz.

    Urbano

    1. Natália Pasternak Taschner

      Caro Urbano,
      A prudência é justamente o que nos faz confiar que somente medicamentos muito bem estudados e testados em animais e seres humanos, seguindo TODAS as fases de testes clínicos, devem ser liberados. Lembre-se do caso da talidomida. Claro que somos a favor de doentes terminais terem acesso a drogas que ainda estão em fase de experimentação. Isso é feito mediante um termo de responsabilidade. Mas não podemos ser coniventes com uma prática anti-ética e ilegal, que coloca a população em risco. Não sabemos quais efeitos colaterais a substância tem, não sabemos qual a dosagem indicada, não sabemos para quais tipos de tumor é indicada, não sabemos com quais outros tipos de tratamento ela pode interagir. Até termos a resposta a essas perguntas, a prudência recomenda que se façam os testes clínicos. abraço,
      Natalia

    2. Henrique Iglesias Neves

      Prezado Urbano;

      É perfeitamente compreensível o tom do seu comentário, entretanto permita-me dividir um pequeno detalhe pessoal com você. Há 6 anos minha avó materna luta contra um câncer de pulmão. Há anos eu a vejo enfraquecendo por conta tanto do tumor quanto do tratamento. Ela nos perguntou da pílula da USP e eu disse o mesmo que a Natália no post dela.

      A quimioterapia, atualmente o melhor tratamento para tumores, é algo extremamente agressivo e compromete diversas funções do corpo, entre elas a própria imunidade natural. Se houvesse um tratamento menos agressivo e tão efetivo quanto câncer como pregam que a fosfoetanolamina é; eu te garanto que eu seria uma das primeiras pessoa a ir buscar o medicamento.

      Entretanto, como a Natália disse, é necessário ser prudente. Ensaios clínicos devem ser realizados não apenas para testar a eficácia contra tumores, mas também para se avaliar o quão tóxico o medicamento é e a sua dose ideal em HUMANOS. Distribuir um medicamento sem essa informações é irresponsabilidade e está colocando a vida de muitas pessoas em risco. E, por pior que minha avó esteja, não quero expô-la a esse risco em troca de uma promessa sem nenhum fundamento.

      Distribuir medicamentos sem conhecer a efetividade, a toxicidade e a dose ideal, em resumo, sem os devidos testes clínicos feitos é irresponsabilidade. Propagar esse medicamente como a panaceia do câncer para uma população que sofre da doença mas que é leiga no assunto, não é apenas irresponsável, é cruel. Muito cruel. Estão vendendo esperança para pessoas. E fazer isso sem nenhum fundamento é de uma crueldade enorme.

      Não fazemos comentários infelizes. Fazemos nosso trabalho como divulgadores científicos. E nosso trabalho é trazer para a população as informações científicas que elas precisam para tomar decisões conscientes e esclarecidas.

      Espero ter ajudado-o a entender melhor o que estamos fazendo por aqui.

      Estamos abertos para discussão. Um abraço;

  4. Dalila

    Ótimo artigo Natália! Sou advogada e diante de inúmeros pedidos em relação a ação judicial visando o fornecimento do medicamento, resolvi fazer uma pesquisa mais apurada sobre o assunto e me deparei com seu artigo. Foi importante entender o motivo pelo qual a substância não foi distribuída automaticamente para população, pois, entendo que de uma certa forma também terei responsabilidades sobre as possíveis consequências, mesmo sendo apenas responsabilidades de cunho moral.
    Parabéns!

    1. Natália Pasternak Taschner

      obrigada, Dalila. Fico especialmente feliz com o seu comentário, pois este é essencialmente o intuito do Café na Bancada, fornecer informação de qualidade para a população. O fato de você ter vindo buscar e ter encontrado aqui a reposta que precisava é a nossa maior recompensa. Volte sempre, e estamos às ordens. abraço.

  5. Gerson

    Boa noite a todos os que de um modo ou de outro fizeram uma defesa espetacular de seus pontos de vista com relação ao quase remedio e futuro promissor da cura, do cancer, me considero suspeitíssimo até para emitir um parecer , juntando tudo o que foi, dito por ser portador dessa enfermidade que pode assolar qualquer pessoa, haja visto, não se ter ainda uma resposta cabal acerca dessa doença, porem não poderia me furtar de comentar algo a respeito de matéria tão importante, Sou usuario de remédio tão pesado que se fosse lhes contar os estragos que tem trazido em meu organismo talvez voces pensariam um pouco mais ou até mesmo fariam uma pesquisa mais aprofundada antes de tentarem ajudar emitindo opiniões sem conhecimento de causa ou mesmo falando somente o que ouviu falar até mesmo de profissionais do ramos da oncologia, lembro me que no início da primeira dose da quimio ter sido tão impactante em meu organismo que pensava que ia morrer de tanto que minhas forças foram ceifadas, e na primeira semana cheguei a desejar a morte pois achava ser a soluçáo ideal para o problema de tanto que gemia de dor e vomitos frequentes e ao longo do tempo e atualmente tenho inchaço e formigamento em ambos pés e mãos mas tenho que aprender a conviver com isso, por isso analiso muito e respeito muito vossos pontos de vista no sentido de auxilio, mas digo tambem que se realmente esses cuidados extremos desses orgáos de fiscalizaçáo não seriam políticos, com toda a simplicidade de meu comentário as vezes fico imaginando se náo existiria um pouco disso. Abraço a todos.

    1. Natália Pasternak Taschner

      Caro Gérson, em primeiro lugar, sinto muito pelo sofrimento causado pela doença e tratamento. Todos nós aqui do Café temos amigos e familiares que já passaram por isso, e sabemos como é dolorido e árduo esse caminho. Desejo que você se recupere em breve. No entanto, tenho um ponto que julgo ser o mais importante a esclarecer. A ciência não emite opiniões. E nós, como cientistas (somos todos doutores e doutorandos do ICB-USP), também não emitimos opimiões. Nós avaliamos fatos e apresentamos conclusões. Eu posso até ter uma opinião pessoal sobre a fosfoetanolamina, mas não vou colocá-la aqui. O artigo foi escrito depois de ler TODA a literatura científica da área, e escutar todas as entrevistas e depoimentos dos envolvidos. A droga em questão pode ser fantástica, mas os FATOS são que não sabemos disso ainda, até que ela seja testada, de acordo com o método científico. Uma dúvida comum que surge é se todos os depoimentos pessoais de curas não são suficientes. E a resposta, infelizmente, é não. A ciência não pode confiar em depoimentos pessoais. Ela precisa de dados para avaliar. E esses dados ainda não existem. É necessária uma pesquisa séria, com animais, e posteriormente, voluntários humanos, para obter esses dados. E o mais triste, agora sim na minha opinião pessoal, é que todos esses relatos individuais foram desperdiçados pela equipe de São Carlos. Não seria ótimo se eles tivessem acompanhado todos esses casos de cura, com exames, efeitos colaterais, taxas de sucesso, verificado para que tipos de tumor servem, se a droga é tóxica para gestantes, diab[eticos, portadores de doenças cardíacas? Isso terá que ser feito agora, e perdeu-se tempo. Tempo esse que muitas pessoas não tem. A questão política existe de qualquer lado. Tanto nos órgãos regulamentadores como no grupo que, apesar de dizer que só pensa no bem da população, segurou a patente quando podia tê-la colocado em domínio público e vendido a substância como suplemento em farmácias de manipulação. A ANVISA pode até apressar a parte burocrática. Mas não pode apressar a parte científica e de segurança. E os únicos culpados por esse atraso são os próprios detentores da patente, que podiam ter usado esses vinte anos nos quais a droga foi distribuída de maneira aleatória para fazer umma pesquisa séria. A fosfoetanolamina, então, se tivesse sua eficácia comprovada, já estaria no mercado. Obrigada por nos acompanhar, e pela sua gentileza e cordialidade. grande abraço,
      Natalia

  6. Juliano

    Meu ponto de vista. Não julgo quem está requerendo a formulação fosfoetalonamina por vias judiciais, e nem as pessoas que acreditam na cura para o câncer com ela. Justamente por que não tenho um sintoma de cancer, nem um exame atestando metástases em todo o corpo. Pois se a droga foi feita de maneira não científica, sem padrões e o escambal pouco importa. O que importa é que toda a sociedade humana deveria estar gastando trilhões de reais testando a fórmula de forma segura. E também se não conseguirem legalizar pouco importa, pergunta pra alguém que está com câncer terminal, com dores inimagináveis se eles se importam com a probabilidade de efeito colateral, ou que pode matar, aliás morrer é o que muitos eu já ouvi falar, alguns não se matam por questoes religiosas. Eis meu raciocínio final, pessoas sempre morreram, morrem e morrerão de cancer, e já que a fosfoetalonamina foi criada, vamos deixar que o paciente decida se ele acredita e quer utilizar o composto, afinal um dia se eu estiver no estágio em que vi duas pessoas muito próximas a mim, que fizeram todo o procedimento químico e radioterápico recomendado e morreram sofrendo de dores insuportáveis, gritando a noite toda, com certeza toparei tomar a fosfoetalonamina, e se eu quiser tomar veneno pra morrer mais rápido, problema meu. Livre arbítrio.

    1. Natália Pasternak Taschner

      oi, Juliano. De um certo modo compartilho do seu ponto de vista. Também acredito em livre arbítrio. Mesmo quando não são doentes terminais, acho que é prerrogativa do paciente querer se tratar ou não. E se ele simplesmente recusar qualquer tipo de tratamento? Certamente ninguém vai obrigá-lo. O problema está em ENGANAR os pacientes que querem se tratar. Muitos, por não conhecer como a ciência funciona, acreditam estar diante de algo que foi testado e comprovado. E podem até optar por interromper um tratamento convencional, que sabemos ser um tratamento cruel, tanto fisicamente como emocionalmente, na esperança de uma cura milagrosa. A comunidade científica e médica não podem se calar diante desses fatos. É nossa obrigação INFORMAR o paciente para que aí, sim, ele possa fazer sua escolha. Mas não podemos deixar que seja ludibriado por um sistema corrupto e demagogo. grande abraço,
      Natalia

  7. Michel

    Natalia, seu comentário sobre a Fosfo e sobre o Dr Gilberto, foram claramente, sem qualquer conhecimento mais aprofundado. Claro que houveram testes em humanos, no hospital de Jaú. E hoje, penso que sua opinião caiu por terra né? É fácil criticar. Você ainda é jovem, tem tempo para aprender.
    Quando menciona o Dr Gilberto, parece não saber que se trata de um dos mais renomados pesquisadores brasileiros no exterior. Um dos que mais artigos tem editados em revistas mundialmente reconhecidas, sobre a sua área.

    1. Natália Pasternak Taschner

      oi, Michel. Obrigada pela “pouca idade”, que mulher que não gosta de ouvir isso, heheheh. Mas apesar da carinha de menina, spu doutora em genética molecular há 10 anos, e conto com dois pós-doutorados, todos pelo ICB-USP. Em relação ao trabalho investigativo, garanto que foi exaustivo. O hospital de Jaú negou publicamente, em audiência no Senado, os supostos testes em humanos. Estes, de qualquer maneira, não pdoeriam mesmo ter acontecido, pois naquela e´poca, na década de 90, não havia nem sequer os testes pré-clínicos em células e animais. Não se faz testes em humanos diretamente. Os pirmeiros artigos com relatos de testes pré-clínicos começam apenas em 2007. Quando menciono o prof Gilberto, o faço após cuidados leitura de seu curriculum lattes, que vc pode acessar aqui: http://buscatextual.cnpq.br/buscatextual/busca.do;jsessionid=77DF08D8D30DEC52387C4F931DCD36D8.jb_buscacv_246 ou buscar pelo nome na paltaforma lattes http://buscatextual.cnpq.br/buscatextual/busca.do O prof Chierice é professor titular aposentado do IQSC-USP, e como todo professor titular, possui inúmeras publicações em sua área de pesquisa. No caso do prof Chierice, essa área é de polímeros e resina de mamona. Repare que ele não tem nada como primeiro ou último autor sobre a fosfo. O primeiro autor é quem de fato fez o trabalho, e o último é quem orientou. Os papers da fosfo são todos de autoria principal do grupo do prof Durvanei Maria, do Butantan. o prof Chierice figura apenas como autor colaborador, por isso seu nome está no meio. Um autor colaborador pode ter simplesmente fornecido a substância. Repare também que ele não apresentou a fosfo em nenhum congresso internacional, como seria esperado para um trabalho da importância alegada. Há professores titulares na USP quem tem uma quantidade incrivelmente maior de trablahos publicados em revistas internacionais de qualidade. Não estou dizendo que o prof Chierice não tem um bom curriculum como químico. Mas não é, de maneira nenhuma, alguém que se detaca internacionalmente pelo número e/ou qualidade dos periódicos em que publicou, principalmente artigos relativos à fosfoetanolamina. Compare por exemplo, com o lattes do prof Zago, nosso reitor: http://buscatextual.cnpq.br/buscatextual/visualizacv.do?id=K4788929J6
      Se tiver mais dúvidas de como funciona o meio acadêmico, estou à disposição. abraço.

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