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mar 15

Fosfoetanolamina: perguntas sem repostas

Como cientistas e divulgadores da ciência no Brasil, acreditamos que nossa missão é a busca pela verdade. Por isso, estamos chocados com a postura de líderes e governantes, que não parecem interessados nessa busca, e não investigaram uma história que está, no mínimo, muito mal contada no caso da fosfoetanolamina. Tanto na ciência como em qualquer tipo de investigação, faz-se necessária a presença de evidências. Testemunhos pessoais ou evidências anedóticas só são válidos quando acompanhados de provas. Além disso, há regras e leis a serem seguidas para garantir a segurança da população, e também garantir que o investimento público só seja disponibilizado para o financiamento de produtos com eficácia comprovada.

O projeto de lei aprovado pela Câmara Federal no dia 8 de março de 2016 prevê a livre produção e comercialização da substância fosfoetanolamina, mesmo antes dos testes pré-clínicos e clínicos. Esse projeto ameaça a credibilidade da ANVISA e abre perigosos precedentes na legislação para que novos fármacos sejam comercializados sem o devido registro legal.

A circulação recente nas mídias sociais de um artigo publicado na revista PNAS, em 1979 – que mostra a fosfoetanolamina como agente de crescimento de tumor mamário em cultura de células – demonstra que a população está confusa. E não era para menos. Afinal, a suposta droga é boa ou ruim? 

Logicamente, um único trabalho de 1979 não invalida os artigos publicados por Ferreira e colaboradores (listados nas referências), nos quais os autores demonstram a atividade anti-tumoral do composto, também em cultura de células e modelo animal. Contudo, o trabalho da PNAS nos relembra que nem todo câncer é igual, como já foi ressaltado aqui no Café na Bancada, nos posts do Prof Dr. Wagner Ricardo, da Faculdade de Medicina da Santa Casa de São Paulo, e na entrevista com o Prof. Dr. Alexandre Barbuto, do ICB-USP, e que falar em cura universal para o câncer é um tanto ingênuo e ilusório.

O trabalho de 1979 é antigo, não relata nenhuma verdade absoluta e DEVE ser replicado. Mas ele certamente serve para mais uma vez enfatizar a extrema importância de TESTAR o composto em testes clínicos ANTES de liberá-lo para o mercado. Se ele for replicado e for constatado que realmente o composto estimula o crescimento de certos tipos de tumor, isso quer dizer que o grupo do IQSC, ainda que com a melhor intenção possível, pode ter sido responsável pela morte de pessoas.

Os estudos clínicos já estão em andamento, e essa tentativa de acelerá-los, burlando a regulamentação da ANVISA, parece-nos uma atitude política e eleitoreira, que abusa do sofrimento de milhares de pessoas acometidas por uma doença terrível – e pior, expõe essas mesmas pessoas a riscos que podem ser irreversíveis.

Enquanto os senhores deputados e o sistema judiciário parecem não ter paciência de esperar os testes clínicos, alegando que o câncer não espera, como pretendem justificar-se se for comprovado que a fosfoetanolamina pode ser deletéria para o paciente com alguns tipos de tumor? Ou ainda, como já comentamos aqui, para determinados perfis de pacientes?

Assim, elaboramos uma lista das questões que não foram respondidas de forma satisfatória nessa investigação que não houve, assim como outras que nem sequer foram levantadas. Gostaríamos de obter as respostas para essas questões. Afinal, como cidadãos, parece-nos que estamos financiando a produção dessa substância há 25 anos e não fomos informados. E aos órgãos do governo, gostaríamos de pedir que considerassem essas questões, e suas respectivas respostas, que esperamos que apareçam em breve, antes de ceder à pressão popular e colocar a saúde de toda a população em risco, além de comprometer o orçamento já tão limitado da ciência brasileira.

Senhores deputados e senhores juízes, pedimos a gentileza de deixar a ciência ao cargo de cientistas. E que esperem, sim, pacientemente, pelas nossas respostas, e cuidem de investigar a parte política e criminal dessa trapalhada toda, que é o que lhes cabe.

 

  • O grupo liderado pelo professor Chierice afirma que a produção da droga teve início em 1990. Onde está o artigo publicado com o processo de síntese e purificação?
  • Durante esses anos todos em que a substância foi distribuída, quem era o responsável pela produção? Pela pureza da amostra? Pela dosagem? Havia algum farmacêutico responsável? Quem pagou pelos custos da produção? Quem garante o que tem dentro daquelas cápsulas? Alguém abriu e analisou para conferir?
  • O grupo afirma, também, que em 1996, foi feito um convênio para testar a droga em pacientes do hospital de Jaú. Isso teria sido feito antes da criação da ANVISA, e com regras diferentes. Segundo o grupo, isso justifica o fato. Algumas considerações sobre esse suposto fato: o hospital nega que isso tenha acontecido. Até agora, ninguém foi checar com a direção do hospital. Onde está a declaração oficial do hospital de Jaú sobre o fato?
  • Outra consideração: não há registros de nada. O grupo do IQSC aparentemente entregou a droga ao hospital, virou as costas e não se preocupou em acompanhar a pesquisa. E logicamente o hospital não tem os registros de algo que ele diz que nunca aconteceu. Ninguém acha essa atitude no mínimo estranha? Afinal, essa pesquisa poderia ter comprovado a “cura do câncer”, como o próprio grupo defende. Por que alguém que tem a cura do câncer nas mãos não se interessa pelo resultado das pesquisas?
  • Ainda sobre os pacientes de Jaú: qual dose eles tomavam? Quem definiu o tratamento? Para qual tipo de tumor? Tinha restrição de idade? Gestantes, diabéticos, hipertensos, imunodeprimidos, algum tipo de controle? Ou era qualquer dose para qualquer um? E de novo, só nós achamos isso no mínimo sem pé nem cabeça?
  • Os testes pré-clínicos começam a aparecer em 2007. A tese de dissertação do Sr. Renato Meneguelo é de 2007, e relata resultados promissores com roedores. Mas, nesse período, nada foi publicado em periódicos internacionais. E entre 1990 e 2007, o que foi feito de pesquisas? Além da pesquisa fantasma em Jaú? Nada? Foram 17 anos de nada? Gastando dinheiro público e distribuindo uma droga sem acompanhamento dos pacientes?
  • Por que não há relatos de cura milagrosa do câncer desde 1990? Ou 1996? Mesmo sem os registros do hospital de Jaú, se a produção beneficiou 40 mil pessoas como foi anunciado, algumas dessas deviam ir ao médico. Alguém foi investigar com os médicos locais? Alguém cobrou do grupo do IQSC por que não foi feito NENHUM tipo de registro em 25 anos?
  • Em 2009, o grupo buscou o hospital Sírio Libanês, mas não firmou a parceria para estudar a droga. Ninguém explica o porquê. O hospital envia uma carta dizendo que não tem interesse. De novo, ninguém quer saber o que aconteceu ali? Ninguém tem nem curiosidade em saber por que o hospital recusou parceria com a suposta cura universal do câncer? Nós arriscamos uma resposta. Será que não foi por que FALTAVAM TESTES PRÉ-CLÍNICOS E CLÍNICOS? Até então, a única evidência era UMA dissertação de mestrado descrevendo UM trabalho com UM tipo de tumor em UMA espécie de animal. Nessa época, não haviam sido publicados nem os artigos de Ferreira et al. Que hospital toparia?
  • Em 2011, saiu o primeiro de cinco trabalhos publicados pelo Dr. Kleber Ferreira, sob orientação do Prof. Dr. Durvanei Maria, do Instituto Butantan. Parece que o grupo finalmente resolveu estabelecer uma parceria para fazer os testes pré-clínicos. Agora eles têm testes promissores em camundongos. Mas ainda falta fazer os testes de toxicidade, farmacocinética, e testar em animais maiores, não roedores. E claro, em humanos, respeitando as fases de testes clínicos.
  • Em 2013, o grupo procura a Fiocruz para fazer os testes clínicos. A Fiocruz demonstra interesse. O grupo não firma a parceria, alegando que a Fiocruz exigiu a patente. A Fiocruz nega e divulga nota explicando que nunca pediu a patente, e que essa não seria necessária para a condução dos testes. Outra história mal contada… Quem está falando a verdade? Isso também não é relevante?
  • Em 2014, após a aposentadoria do Prof. Chierice, a USP de São Carlos baixa uma portaria proibindo a produção e distribuição da droga por não estar registrada na ANVISA. Tem início uma sucessão de pedidos de liminares na justiça para liberação e continuidade da distribuição. O Tribunal de Justiça cassou as liminares e proibiu a produção. Por que a portaria só foi baixada depois da aposentadoria do professor? Fazia mais de 20 anos que ele distribuía a droga. Demorou tudo isso para alguém perceber?
  • Em 2015, Carlos Kennedy Witthoeft foi preso por produção ilegal da fosfoetanolamina. Mas o que esse senhor fez de diferente do grupo do IQSC? Por que só ele foi preso? O Sr. Witthoeft conta que procurou o Prof. Chierice no IQSC, passou dois meses em São Carlos, aprendeu a produzir a droga, voltou para o Sul, produziu e distribuiu a droga para pessoas doentes. Qual a diferença? Por que a distribuição pelo grupo do IQSC não configura crime? E onde o professor estava com a cabeça para ensinar um cidadão comum a produzir uma substância de forma caseira, sem as condições mínimas de segurança e higiene, e incentivá-lo a distribui-la também em sua cidade natal? E se esse senhor, que não tem treinamento químico NENHUM, tivesse contaminado as cápsulas? Cometido algum erro na formulação? 
  • Em 2015, o TJ cedeu à pressão popular e reconsiderou sua decisão. Concedeu uma liminar para o uso da fosfoetanolamina, abrindo um precedente para diversas outras similares, e OBRIGANDO a USP a sintetizar e distribuir um fármaco ilegal. O reitor divulga nota repudiando a decisão da Justiça, mas cumpre a lei. As pílulas concedidas por liminar são entregues pelo correio. Ninguém questiona por que a USP foi obrigada a infringir a legislação vigente? Ninguém percebeu que a USP não é uma indústria farmacêutica?
  • O reitor emite nota repudiando a decisão de justiça, mas se compromete a obedecer às liminares dentro da capacidade de produção da USP. Alguns médicos emitem opiniões, como o Dr. Drauzio Varella, tentando explicar à população que não é assim que se libera um novo medicamento. Em novembro de 2015, o TJ novamente cassa as liminares e suspende a produção. Notas na revista Nature também repudiam a conduta da justiça brasileira. Ainda assim, o grupo do IQSC recorre ao governador de SP. Alckmin, apesar de ser médico, acredita que a substância “vem sendo estudada há 20 anos”, e encaminha ofício à ANVISA pedindo liberação para uso compassivo, além de oferecer os hospitais públicos para as fases 3 e 4 de testes em humanos. Por que o governador acredita que a pesquisa com essa droga deve pular etapas? Ela não está pronta nem para a fase 1.
  • O Ministério da Saúde aloca 10 milhões de reais para o estudo da fosfoetanolamina. Isso ocorre em meio a uma crise no financiamento da ciência brasileira, e no momento em que o país enfrenta uma tríplice epidemia e precisa de verbas para a contenção. Será que o Ministério não precisa rever suas prioridades? Ou está sobrando dinheiro por lá?
  • Finalmente, se querem liberar a substância para uso compassivo em doentes terminais, e se for verdade que o grupo do IQSC não tem interesse financeiro na comercialização da droga, e quer apenas poder disponibilizá-la para a população, por que não colocar a patente em domínio público? Isso afastaria as malvadas farmacêuticas, a droga poderia ser liberada como suplemento, e com a patente de síntese disponível, qualquer farmácia de manipulação poderia produzir. Se o método é tão simples e barato como dizem – e deve ser, afinal, um senhor que nunca teve treinamento técnico em química estava produzindo na cozinha de sua casa –, então todos terão acesso à droga milagrosa por um preço baixo. E os pesquisadores terão tempo para concluir TODAS as etapas da pesquisa em paz e sem pressa.
  • Em fevereiro de 2016, o jornal Estado de São Paulo publica uma reportagem mostrando que as liminares relativas à fosfoetanolamina travaram o sistema jurídico da USP. Os advogados estão sobrecarregados com esses processos e deixando outros arquivados. Nessa mesma reportagem, o vice-reitor ressalta que, além de infringir a lei com a produção do fármaco, o grupo do IQSC também o fez quando registrou a patente sem a participação da Universidade. Por que, com todas as infrações cometidas, ninguém desse grupo sofreu sequer um processo interno administrativo?
  • E se a droga realmente se mostrar um sucesso, antes de sair por aí aclamando a equipe do IQSC como heróis e indicá-los para o Nobel, uma última pergunta seria necessária: por que ficaram acomodados durante 25 anos distribuindo tranquilamente a “cura universal do câncer” para uma pequena população em São Carlos e arredores, privando todo o resto do mundo do acesso à droga? Foi pura preguiça de fazer ciência como deve ser feita e submeter o fármaco a um TESTE CLÍNICO, RANDOMIZADO, COM GRUPO PLACEBO E DUPLO CEGO? EM ROEDORES, NÃO ROEDORES E HUMANOS?

Enquanto essas questões permanecerem sem reposta, não há como saber se a motivação do grupo do IQSC foi messiânica, ingênua ou de má fé. Entretanto, é no mínimo curioso que até agora ninguém tenha se interessado em respondê-las e dar uma satisfação para a sociedade. O Café aguarda. Tomando café. 

 

Proc Natl Acad Sci U S A. 1979 Nov;76(11):5741-4. Phosphoethanolamine as a growth factor of a mammary carcinoma cell line of rat. Kano-Sueoka T, Cohen DM, Yamaizumi Z, Nishimura S, Mori M,ujiki H.

http://g1.globo.com/bemestar/noticia/2016/03/anvisa-critica-projeto-aprovado-pela-camara-que-libera-fosfoetanolamina.html

Ferreira, A., Santana-Lemos, B., Rego, E., Filho, O., Chierice, G., & Maria, D. (2013). Synthetic phosphoethanolamine has in vitro and in vivo anti-leukemia effects British Journal of Cancer, 109 (11), 2819-2828 DOI: 10.1038/bjc.2013.510

Ferreira AK, Meneguelo R, Pereira A, Filho OM, Chierice GO, & Maria DA (2013). Synthetic phosphoethanolamine induces cell cycle arrest and apoptosis in human breast cancer MCF-7 cells through the mitochondrial pathway.Biomedicine & pharmacotherapy = Biomedecine & pharmacotherapie, 67 (6), 481-7 PMID: 23773853

Ferreira, A., Freitas, V., Levy, D., Ruiz, J., Bydlowski, S., Rici, R., Filho, O., Chierice, G., & Maria, D. (2013). Anti-Angiogenic and Anti-Metastatic Activity of Synthetic Phosphoethanolamine PLoS ONE, 8 (3) DOI:10.1371/journal.pone.0057937

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50 comentários

2 menções

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  1. Lucas Zanandrez

    O projeto de lei aprovado em 8 de março não é apenas para uso compassivo. O texto anterior é que era. Ou seja, como garantir que pacientes com cânceres às vezes com possibilidade de tratamento convencional não os abandonem e passem a tomar a substância ainda não testada? O Brasil é um lixo, simplesmente, um lixo.

  2. Diego Rodriguez

    Seria ótimo se você tivesse ido a uma audiência pública…

    TODAS AS SUAS PERGUNTAS FORAM RESPONDIDAS E PROVADAS… Lamentável.

    Aquele momento que você encontra um crítico que não foi em um debate com os pesquisadores e desconhece todos os documentos comprobatório da substância…

    As audiências públicas onde eles exibiram todos os dados comprobatórios estão nelas…

    Parabéns, você ganhou o título de pesquisador de facebook… Congrats!

    1. Natália Pasternak Taschner

      olá Diego. Nossa, estou impressionada. TODAS as minhas perguntas? Engraçado, porque eu assisti a TODAS as audiências públicas…E foram PROVADAS também? Curioso. Coloque aqui por favor o nome do farmacêutico que atestou a pureza. Porque eu lembro distintamente do prof Chierice bradar que ninguém poderia atestar melhor do que ele, e no entanto, foi desmentido pelo relatório do MCTI. Se vc não leu os relatórios, pode acessar aqui http://www.mcti.gov.br/relatorios-fosfoetanolamina Coloque aqui também o documento com os testes realizados no hospital de Jaú, por favor inclua os prontuários dos pacientes. Se tudo isso foi fornecido na audiência pública, os documentos são púbicos e tenho certeza de que você pode consegui-los. Eu gostaria muito de saber onde estão já que o diretor do hospital nega sua existência. Esclareça também minha dúvida do porque ninguém foi preso por exercício ilegal da medicina, distribuição ilegal de substância, e violação da Declaração de Helsinque? E finalmente, apresente uma ÚNICA justificativa para transformar a minha universidade em industria farmacêutica de fundo de quintal, onde um técnico de laboratório cumpre sozinho – já que ninguém libera a patente caridosa – as milhares de liminares que obrigam a USP a produzir uma droga ILEGAL, e cumpre tão bem que não consegue sequer garantir a quantidade correta das cápsulas, como também foi demonstrado no relatório do MCTI. E se você quer encontrar mais cientistas que, na sua opinião, DESCONHECEM todos os fatos que você ingenuamente acredita terem sido apresentados em uma audiência pública, como se ali fosse o local para debater ciência, justamente com uma platéia de políticos demagogos, sugiro que busque ler também as declarações da USP, INCA, AC Camargo, CRM, SBPC e SBOC. Você verá que TODAS essas associações médicas e científicas compartilham desse meu “desconhecimento”. Aproveita e coloca lá nessas páginas os seus comentários gentis. Tenho certeza de que o reitor da USP e a presidente da SBPC, assim como o presidente da SBOC, adorariam ser tachados de pesquisador de facebook. DEvo deixar claro, Diego, que eu, e todos os autores aqui do Café na Bancada, somos cientistas sérios. Eu passei os últimos 15 anos da minha vida dentro da universidade, fazendo meu doutorado e dois pós-docs. Eu só comecei a ter contato com o facebook quando comecei a escrever divulgação. E o que eu “pesquisei” no facebook me deixou estarrecida: foi a quantidade de pessoas que acham que entendem de ciência, sem nunca ter estudado, e que não tem nenhuma humildade nem vontade de dicsutir a respeito. Isso sim, meu amigo, é lamentável. Se você realmente acredita que esse grupo do IQSC tem qualquer coisa de científico, e que TODAS a classe científica e médica está errada, quem tem dado credibilidade demais ao facebook é você mesmo.

  3. Adilson Kleber Ferreira

    Prezada,

    Interessante sua matéria!,

    Att,

    Ferreira AK

  4. nalva

    eu sei q como alguns dizem eu sou iletrada mas enxergo e ouço bem e o que eu tenho visto e ouvido sao pessoas desenganadas mandadas para casa para morrer como e o caso da haiane ,pedrinho, bernadete e tantos outros o proprio dr Gilberto teve melanoma etc e as explicaçoes do dr Gilberto dr em quimica, dr Salvador professor e pesquisador, dr Durvanei biomedico dr Otaviano dr em ciencia, em concentraçao quimica analitica, professor da universidade de Uberaba dr Renato medico, oncologista pos graduaçao em quimica USP/ Sao Carlos bioengenharia mestrado pelo programa de pos graduaçao interunidades em bioengenharia USP doutorado departamento de quimica analitica etc entre no site fosfoetalonamina sintetica e veja nao da pra escrever todas as especialidades e formaçoes destes homens e eu tenho pesquizado e eu vivo este quadro de hospital e sei que realmente e ir na contramao de interesses financeiros para que vc seja bem imparcial pelo menos entrevistes as pessoas que se trataram com a fosfo e pelo menos alguns dos pesquizadores

    1. Natália Pasternak Taschner

      Prezada Nalva,
      Eu jamais diria que uma pessoa é iletrada somente porque não teve acesso à informação, ou não é da área científica. E jamais seria indiferente à dor e ao sofrimento de pessoas que lutam contra o câncer e de repente se encontram já sem ferramentas para seguir lutando. No entanto, como eu sou da área científica, creio que é meu papel justamente esclarecer essas questões. Como vejo que você valoriza as credenciais dos pesqusiadores envolvidos, gostaria de também apresentar as minhas. Sou bióloga, formada pela USP. Obtive meu doutorado pelo Intituto de Ciências Biomédicas da USP há 10 anos, e segui atuando na área, com dois pós-doutorados. O prof dr Chierice realmente é professor titular aposentado do Instituto de Química da USP São Carlos. Suas áreas de atuação, descritas no lattes, são resina de mamona, óleo essencial, óleo essencial, thermal decomposition e resinas poliuretanas. Ele é um excelente químico analítico. Não tem nenhuma experiência na área médica. O prof Dr Durvanei Maria, que foi responsável pelos únicos ensaios publicados sobre a fosfo, acaba de conceder ao Estado de SP uma entrevista na qual diz que não sabia da distribuição das cápsulas, afirma ter trabalhado com uma formulação diferente, e acredita ser necessário obter o aval da ANVISA. O médico Renato Meneguelo é mestre em bioengenharia, e não tem nenhum artigo publicado como primeiro autor. Ele não tem doutorado. Como vc vê, a formação deles, para quem é da área, não é nada de especial. E veja quantas pessoas com formações melhores, na área de oncologia, criticam a maneira como tudo isso foi feito, a prresidente da SBPC, o presidente da SBOC, o diretor da Oncoclínicas, o chefe da onco do Einstein, o chefe da Onco do Sírio Libanês, o INCA, o reitor da USP, o diretor do IQ de São Carlos, o diretor do AC Camargo, o renomado Dr Dauzio Varella. Nenhuma dessas pessoas, eu inclusive, é contra a pesquisa com a fosfo. Mas essa pesquisa deve seguir o modelo estabelecido pela nossa agência reguladora, a ANVISA, como o próprio prof Durvanei falou. Esses procedimentos existem para garantir a segurança do fármaco. Não sabemos o que acontece quando essa substância é ingerida junto com outros remédios. Por crianças, por dibaéticos, por hipertensos, cardíacos, doentes pulmonares, gestantes. Quanto a entrevistar os pesquisadores, eu tentei contato com todos eles. Estive semana passada em um Fórum realizado pela Folha de São Paulo, para o qual todos eles foram convidados. Mas nenhum apareceu. Se eles não falam nem com a Folha, que dirá comigo. Eu li muitos depoimentos e falei com algumas pessoas que tomaram fosfo. Mas infelizmente, em ciência, esses relatos pessoais não servem para validar o uso de um medicamento. é necessário fazer os testes clínicos. Não estou dizendo que a experiência pessoal não serve para nada. Ela é o ponto de partida. Sabemos que existem relatos de melhora, então vale a pena investigar. A fosfo será testada. Mas as perguntas que eu coloquei aqui continuam sem reposta. A não ser por algumas, cuja resposta, infelizmente não é boa. Já sabemos por exemplo, que a fosfo não é pura como os pesqusiadores diziam. E que as condições de síntese eram precárias. A história toda está realmente muito mal contada. Em ciência, tudo deve ser devidamente documentado. E tem muitas lacunas aqui. Vamos esperar o prosseguimento dos testes clínicos. E até lá, o Café na Bancada está sempre à disposição para responder dúvidas e discutir, principalmente com pessoas cordatas como você. grande abraço.

  5. Marcos Ceciliano

    Desculpe, voce está errada

    1. File Not Found

      Aponte os erros, por favor. Grato.

  6. Tony

    Parabéns pelo texto, por suas dúvidas e seu empenho em acompanhar e entender todo o processo.. Entretanto, não entendo uma coisa.. existem dois lados, o que querem e anseiam pela liberação do composto e os que não. Os que não, usam de argumentos o processo científico, claro, pois é um processo importante e necessário para padronizar a liberação de drogas (mas podem ter outros interesses). Já os que querem, também podem ter outros interesses, mas em geral são os pacientes, estão indignados e precisam da substância para sobreviverem… Então já que você analisou pelo lado científico, talvez concorde com a lógica a seguir:

    Se a fosfoetalonamina for liberada sob termo de responsabilidade.

    1 – se a fosfo for liberada antes dos testes:
    1.1 – se a fosfo funcionar: muitas pessoas em estado terminal seriam agraciadas com o novo tratamento, além dos testes serem mais conclusivos e os resultados mais rápidos pois haveria um acompanhamento dos pacientes, assim mais pessoas teriam acesso a esta substância.
    1.2 – se a fosto não funcionar: muitas pessoas em estado terminal morreriam da mesma forma e outras que não estão nesse estados seriam poupadas de usufruir uma substância que não funcione
    1.3 – se a fosfo piorar o paciente: muitas pessoas em estado terminal morreriam da mesma forma e as causas seriam rapidamente descobertas impedindo a continuação dos testes e a liberação

    2 – se a fosto não for liberada antes dos testes:
    2.1 – se a fosfo funcionar: muitas pessoas em estado terminar irão morrer esperando todos os testes, até mesmos os que não estão em estado terminal, pois uma hora ele vai chegar la, dependendo do tempo que demore (já que tem testes em outras substâncias que demoram anos).
    2.2 – se a fosfo não funcionar: muitas pessoas em estado terminal morreriam da mesma forma, e como a substância não foi liberada seria um viva pra ciência e sua metodologia..
    2.3 – se a fosfo piorar o paciente: para saber isso teria que ser feito testes em seres vivos, não sei como, mas acho que não seriam tão diferentes do 1.3, e seria um viva para ciência e sua metodologia..

    Agora uma observação: para verificar a toxidade acredito que não haja uma grande dificuldade uma vez que diversas substâncias tóxicas aos serem vivos já são conhecidas então os itens 1.3 e 2.3 seriam verificados de forma mais fácil.

    Mais uma coisa.. estas perguntas que você faz sobre a substância.. vc já procurou as mesmas respostas para o tratamento da quimio, ou dos diversos medicamentos liberados pela Anvisa?
    Olha esse link por ex: http://noticias.r7.com/saude/anticoncepcional-pode-causar-coagulo-de-sangue-e-levar-a-morte-03022014
    O que você diria dele?
    Não foram feitos testes com o anticoncepcional?
    Não passou nas várias etapas de testes?
    Por final, não foi liberado pelas agências regulamentadoras?
    De quem é a responsabilidade agora se uma pessoa morrer tomando essas pilulas, uma vez que para anticoncepcional você não assina um termo de responsabilidade?

    Vamos ser racionais, não vou culpar as agências, pois elas não detêm todos os conhecimentos..
    Vamos supor que o que aconteceu com o anticoncepcional talvez não poderia ser pego em testes
    Então quer dizer que todos nós somos cobaias quando usamos um medicamento pois há vários efeitos colaterais sendo descobertos com o uso do medicamento (inclusive os que levam a morte)
    Não seria o mesmo que liberar a fosfo sob termo de responsabilidade e analisar os efeitos..
    Ou não?

    Não sei o que é mais cruel, fazer as pessoas de cobaias dando lhes a opção disso e uma esperança de melhora e de ajudarem outras ou vazê-las aguardarem os testes, esperando que seu corpo resista até o resultado, uma vez que a sentença já foi lhe dada, além de desperdiçar a possibilidade de contribuição delas
    .
    Para mim é a segunda, além de mais cruel é mais irracional.

    1. Natália Pasternak Taschner

      Oi, Tony. Obrigada pelos elogios e pela sua super contribuição para o tema. Vou tentar responder item por item, se faltar alguma coisa, pode me cobrar. Vamos lá.
      1. Se a fosfo for liberada antes dos testes, sob termo de consentimento:
      1.1 se funcionar – sim, pode ser que muitas pessoas fossem beneficiadas e mais pessoas teriam acesso à droga. Mas não, os testes não seriam acelerados nem mais conclusivos porque a droga não pode ser testada só em pacientes terminais. Isso poderia provocar um viés nos resultados e impossibilitaria um teste clínico controlado. É preciso estudar a droga em interações medicamentosas com outras drogas, em pacientes com condições específicas como crianças, diabéticos, hipertensos, cardiopatas, etc e em vário tipos e estágios de tumor.
      1.2 se não funcionar – os pacientes terminais morreriam de qq maneira. Sim, mas isso também seria uma conclusão tendenciosa. Eles podem ter morrido só do câncer, ou de uma interação com a fosfo, ou ainda porque a fosfo é tóxica. E nunca saberíamos. Poderíamos simplesmente imaginar que ela não funcionou e o paciente morreu do câncer. Mas não tem como isolar as variáveis. Mais uma vez, precisamos do teste clínico controlado.
      1.3 Se a fosfo piorar o paciente – acho que já respondi acima. Neste caso não saberíamos se foi a fosfo que causou a morte do paciente, a não ser que os efeitos fossem extremamente agudos. Pacientes terminais costumam desenvolver várias complicações além do tumor. A toxicidade de uma droga precisa ser testada em pacientes saudáveis.

      2. Se a fosfo não for liberada antes dos testes:
      2.1 se funcionar – muitas pessoas vão morrer antes de ter acesso a uma droga que funciona. Sim, assim como a outras diversas drogas que estão atualmente em fase de testes, algumas muito mais promissoras do que a fosfo nos testes pré-clínicos.
      2.2 Se não funcionar – fica elas por elas. Mas em tempo, os cientistas nunca ficam felizes com a morte de pessoas simplesmente para confirmar o método. O método científico é apenas a melhor ferramenta que temos até hoje para testar substâncias. Ele não é uma religião, que queremos provar a qualquer custo.
      2.3 Se a fosfo piorar o paciente, seria diferente do 1.3 porque como expliquei, a toxicidade seria testada em voluntários saudáveis, DEPOIS do modelo animal.
      Em relação a fazer as mesmas perguntas para os quimioterápicos em uso e outros fármacos, sinceramente eu não conheço nenhuma outra substância que tenha passado por uma novela dessas antes de começar os testes clínicos, rssss. As minhas perguntas são relacionadas ao modo como essa história foi conduzida, à falta de evidências e de documentação dos fatos alegados pelo grupo do IQSC.
      Agora vamos ao anticoncepcional que causa coágulos. Primeiro fica a dica: nunca confie em um site de notícias que não te remete ao artigo científico original da controvérsia, nem ao autor do artigo. Eu fui buscar na literatura o artigo que provavelmente deu origem à matéria que vc trouxe aqui. http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/20371756
      O fator de risco é uma progestina presente em alguns anti-concepcionais orais. Para cada 10 mil mulheres que usarem essa progestina, estima-se que de 1-5 podem desenvolver coágulos. Durante a gestação esse número aumenta de 6-20 vezes e no período de pós-parto, aumenta para 40-65. Nem por isso acho que as mulheres vão deixar de engravidar. Claro que mesmo assim, pessoas do grupo de risco devem ser orientadas a escolher um outro método anticoncepcional e a fazer um acompanhamento durante a gestação. Uma boa explicação você encontra na página da FDA aqui http://www.fda.gov/Drugs/DrugSafety/ucm299305.htm
      O que eu acho importante salientar é que, como vc bem colocou, o método científico não é perfeito. Ele é apenas a melhor ferramenta que temos no momento. E repare também que frente a esses novos fatos, as empresas farmacêuticas já acrescentaram esses estudos na bula dos remédios, aconselhando os grupos de risco. Certamente novas formulações serão elaboradas com o uso de outra progestina que não seja a drospirenona. Na página da FDA você também encontra uma lista das pílulas que contém drospirenona e as concentrações usadas. Repare no cuidado da agência reguladora assim que tomou conhecimento de trabalhos sérios que trouxeram à tona um risco, ainda que pequeno. E olha que esses trabalhos ainda nem foram replicados. A FDA está sendo muito cautelosa. É para isso justamente que servem as agências reguladoras.
      Agora, isso aconteceu para uma substância que foi amplamente testada. Imagina liberar uma sem testes!
      Existe um outro trabalho recente que descobriu, através de uma meta-análise de resultados, uma interação medicamentosa entre um anti-depressivo e um remédio de colesterol. Um modelo computacional previu que se esses remédios fossem usados em conjunto, poderiam causar uma hiperglicemia. Ora, ambos tinham sido testados e nenhum acusava esse efeito colateral. Ambos tinham sido liberados pela FDA. Essa interação foi testada e confirmada em modelo animal. Isso mostra que o método não é perfeito mesmo. Mas também mostra que se essas drogas não tivessem sido testadas em todos os seus efeitos colaterais, o programa não teria como fazer essas previsões de interação. E ambos os fabricantes prontamente incluíram a nova informação em suas bulas.
      Por todos esses motivos, acho que não, não seria o mesmo que liberar um medicamento sem teste algum, e não acho que sejamos cobaias só porque o método não é perfeito. Seríamos cobaias se nenhum produto fosse testado. E imagina como ia ser… O fato de o método não ser perfeito não justifica o seu abandono. Se não fosse por ele, não teríamos nem metade dos avanços científicos atuais, e quase nada de medicamentos comprovadamente eficazes.
      No entanto, como eu já disse nos posts anteriores, acredito que o paciente terminal tem o direito de usar o que quiser. Só não acho que a agência reguladora tenha que endossar esse direito individual e transformá-lo em coletivo, aprovando um medicamento sem testes. Os pacientes terminais usam diversas terapias alternativas sem respaldo científico, e defendo seu direito de usá-las. Provavelmente nessa situação eu faria o mesmo. O que eu teria a perder? Vai que dá certo? Mas isso é uma escolha pessoal. Tem até pacientes que optam por não se tratar.
      Ufa, será que consegui responder tudo? O Café continua às ordens, sempre.
      Grande abraço,
      Natalia

    2. Natália Pasternak Taschner

      Lembrei de mais um ponto importante que o caso da pílula me fez me lembrou. Não existe risco zero. Até um tempo atrás, dar à luz um bebê era um risco tremendo. Nem por isso as mulheres deixaram de ter filhos. Nem quando surgiu a pílula rssss. Isso porque não dá para viver sem riscos. No caso dos medicamentos, toda droga tem efeito colateral. Mesmo que seja mínimo, ele pode aparecer. E o fato de não existir risco zero não é desculpa para liberar geral. O uso do método científico e dos testes clínicos controlados garante que os riscos serão minimizados. Hoje, ter um bebê é quase sem riscos. Mas isso não quer dizer que uma mulher ainda não possa morrer no parto. Mesmo nos países mais desenvolvidos. abraço.

      1. Tony

        Obrigado pela resposta.. a questão do parto para mim é outro problema que temos que resolver, pois bem se sabe que diversos obstetras preferem a cesariana mais por questões financeiras do que pensando no bem estar da mulher. Mas concordo que a taxa de mortalidade entre mães/bebês diminuiu, pelo conhecimento científico adquirido entre vários anos e principalmente pelo acompanhamento da gestação. Hj em dia percebe-se que os médicos são mais o campo intermediário pois o resultado de algum distúrbio sempre vem pelos exames e não mais pelo próprio conhecimento dele. Tem até exames saindo com os possíveis tratamentos, remédios/capsulas a serem administradas, etc.. o que pra mim é ótimo por um lado, pois a taxa de erro de um tratamento é quase nula, mas é ruim por outro, pois o a dependência da ciência pode fazer se tornar falha a análise do médico, fazendo um paralelo , é o mesmo que aconteceu no acidente da Air France onde a dependência da tecnologia levou a análise incorreta da situação pela tripulação.

        A respeito do site onde peguei a notícia do anticoncepcional, realmente, peguei o primeiro que encontrei, mas depois de ter postado fui verificar se era real.. a ideia era só encontrar uma droga que esteja fazendo algum mal pois devem haver muitas.

        Mas que bom, percebi que você defende então que a pessoa tem o direito de escolher o tratamento que lhe convém, mesmo que isso seja de risco ou não testado assim como as terapias alternativas. É o mesmo que eu quis dizer no meu comentário, que seja liberada sob um termo e para pessoas terminais.. pois hj, não há agências bloqueando os tratamentos alternativos, porque bloquearam esse até mesmo para os terminais? Isso que eu não concordo… e se houvesse possibilidade de liberá-la para os terminais, que aproveitassem essa oportunidade para chegarem a um resultado prático mais rápido..
        No decorrer da história humana há vários relatos de uso de cobaias humanas, até mesmo para o má uso da ciência como na segunda gerra mundial, e mesmo ali, o conhecimento adquirido foi passado para frente, e hj achamos que vieram simplesmente de testes científicos não intrusivos e prejudiciais aos humanos. Claro, não é por isso que deveríamos voltar para idade das cavernas nos métodos, mas poderíamos simplesmente ser um pouco mais maleáveis quanto aos métodos. No meu ponto de vista, pensar que existe apenas uma solução para um problema é um pensamento de limitação, ali mesmo você já se bloqueia e deixa que o resto tome conta.
        Até mais.

        1. Natália Pasternak Taschner

          olá, Tony. Realmente o excesso de cesáreas no Brasil é um problema. Tenho um outro post no qual comento inclusive a importância do parto normal para a manutenção de uma boa microbiota, dê uma olahda lá na minha série Bactérias pra que te quero.
          O problema de liberar a fosfo para doentes terminais é que alguém precisa produzi-la. é diferente de o paciente de repente decidir que quer fazer yoga, meditação, tomar chá de babosa ou qualquer outra prática que, mesmo sem o aval da ciência, está disponível no mercado. E há também a necessidade de garantir que mesmo o paciente terminal tenha acesso à informação, e tenha a consciência de estar buscando uma terapia alternativa, sem respaldo científico.
          abraço!

  7. Jeris

    Aos cientistas em geral cabe uma crítica: acreditam piamente nos institutos e agências que emitem relatórios e diretrizes e acabam não discutindo processos, mas atacando reputações.
    Se Newton, Einstein e Boltzmann não duvidassem do que era ensinado nas escolas e igrejas de seu tempo, não teríamos satélites, equipamentos digitais e não conseguiríamos abordar a possibilidade de uma Física Quântica. Tudo bem que Newton era extremamente violento a qualquer crítica, que Einstein caçoava das vozes científicas de seu tempo e Boltzmann suicidou, provavelmente pela discordância quase geral com sua Física Estatística. Mas o sucesso desses personagens veio do fato de introduzirem em suas críticas análises bem fundamentadas dos processos que abordavam.
    O Professor Chierice diz que a fosfoetanolamina se combina com ácidos graxos no fígado e forma um composto que vai para as células, onde força o funcionamento das mitocôndrias; isso denuncia a célula cancerosa ao sistema imunológico, que a ataca. Sem a fosfoetanolamina, com grau de pureza determinado, segundo o Professor, a célula cancerosa não é percebida.
    Esse processo de reconhecimento da célula cancerosa está de acordo tanto com o modelo self-non-self (Próprio – não Próprio), de Burnet e Medawar, quanto com Danger Model (Modelo do Perigo) de Polly Metzinger. Self-non-Self é modelo de descrição do funcionamento do sistema imunológico que diz, em resumo, que ele rejeita o que não é próprio do corpo e aceita somente o que é próprio. Exemplo: se transplantarmos pele entre as partes de nosso corpo, não haverá rejeição dessa pele. Mas se esse transplante for feito entre indivíduos diferentes, haverá rejeição: o local fica inflamado e a pele transplantada cai. Já a Dra. Polly intuiu que o sistema imunológico ataca aquilo que é perigoso. E completou dizendo que perigoso é aquilo que provoca dano. Ou seja, para o Modelo do Perigo, o sistema imunológico ataca aquilo que provoca dano. Exemplo, no transplante de pele entre diferentes indivíduos a pele vem com partes do sistema imune do doador, que foi ativado pelo dano causado pelo cirurgião. Ao ser colocada no doador a pele doada ataca o corpo que a recebe; e o sistema imune do receptor reage, contra-ataca com as células dendríticas instruindo as células T (Glóbulos Brancos) com dois sinais de ataque. Em pouco tempo, se não forem usadas drogas imunossupressoras, há um edema, uma inflamação e a pele doada cai.
    Assim, analisando a explicação do Prof. Chierice, por Self-non-Self, a mitocôndria “ilumina” a célula cancerosa para o sistema imunológico, o qual não a reconhece como própria do corpo e passa a eliminá-la. Por “Danger Model”, a ativação da mitocôndria faz a célula cancerosa crescer com mais vigor, provocando morte não programada de células à sua volta, o que faz com que o sistema imunológico a “enxergue” como um perigo e a ataque.
    Logo, pelo modelo de Polly, é esperado que o câncer aumente por determinado período com o uso da fosfoetanolamina, antes do efetivo ataque do sistema imunológico.
    Eu fiz essa análise com o pouco conhecimento que tenho dos modelos. Posso estar errado, mas qualquer um com mediana instrução científica pode ver que há lógica no que digo. Só precisa ser testado.
    Então, somo mais uma às suas 18 questões: Porque cientistas discutem Política e reputação em vez de Ciência?

    1. Natália Pasternak Taschner

      Caro
      Nenhuma das minhas perguntas faz referência ao suposto modelo de ação da fosfoetanolamina. No entanto, cabe ressaltar que as teorias de próprio/não próprio e e teoria do perigo de Polly Matzinger são antagônicas. Atualmente, nenhuma delas é aceita integralmente, e se você quiser ter uma boa ideia de como funciona o sistema imune funciona frente a um tumor, sugiro que escute nossa entrevista com o prof Alexandre Barbuto do ICB-USP, especialista em imunoterapia de tumores. Ele explica com maestria as teorias vigentes. Para uma revisão sobre a teoria do perigo, sugiro leitura deste paper: http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC3443751/
      Acho bem complicado tentar discutir imunoterapia tumoral com o “pouco conhecimento” que você mesmo coloca, e simplesmente achando que o modelo proposto pelo Chierice faz sentido à luz de duas teorias antigas e antagônicas. O mecanismo de imunoterapia de tumor é bem mais complexo. A teoria do perigo não explica a reação imune alérgica, nem as doenças auto-imunes. Além disso, a teoria do perigo propõe que este é o motivo pelo qual o sistema imune NÃO reage a tumores! O que sabemos hoje que não é verdade. E a alegação de que a reação imune de um transplante seria resultado d injuria provocada pelo cirurgião é no mínimo, peculiar. O efeito Warburg, que é a base das alegações dos autores para o suposto funcionamento da fosfo – isso não foi demonstrado – também é alvo de controvérsias (http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/19923890). Cabe salientar também que os trabalhos que abordam interferência de vias metabólicas mitocondriais como alvo de imunoterapia simplesmente defendem a re-ativação de mecanismos de apoptose celular que estariam impedidos. Dessa maneira, o tumor cessa o crescimento que seria decorrente da falta de morte celular programada. Não há evidências de que o tumor cresca de maneira mais vigorosa. Em tempo, parece difícil existir uma maneira mais vigorosa de crescer do que a de um tumor maligno invasivo.
      Ainda assim, mesmo supondo que o modelo funcione, e que este seja o mecanismo pelo qual a fosfoetanolamina teria efeito anti-tumoral. Este não é absolutamente o cerne da discussão. Você mesmo coloca que só falta ser testado. SÓ? É tudo o que falta justamente. E não foi feito, por 25 anos, levantando assim todas as questões que coloquei acima. Pior, os testes preliminares mostraram que a substância não era pura, como alegava o prof Chierice, e como você mesmo alega aqui que seria essencial para seu funcionamento. Também já foi demonstrado que a substância não tem o mesmo efeito in vitro demonstrado pelos trabalhos do grupo do IQSC. Se fosse qualquer outra substância candidata, os testes já teriam parado por aqui. Como justamente o grupo do IQSC tornou esta uma questão politica, serão feitos testes em animais. Vamos aguardar os resultados.
      Respondendo à sua última questão, parece-me que os únicos cientistas que estão engajados em politica nessa questão são justamente os que você defende. Esta semana, inclusive, indignado com resultados que não lhe agradaram, o prof Chierice foi pedir amparo ao Senado, e não à comunidade científica, e atacou a reputação da UNICAMP, alegando que os dados teriam sido “subornados”. Concluimos que o professor quis dizer adulterados.
      E finalmente, devo concluir que quando as pessoas cometem crimes, fica bastante difícil defender sua reputação.

      1. Jeris

        Você disse: “…parece-me que os únicos cientistas que estão engajados em política nessa questão são justamente os que você defende.”

        Não é minha intenção defender ou atacar pessoas e sim ideias. Defendo que cientistas discutam Ciência. E se puderem fazer na forma do Velho Einstein, de modo simples e elegante, de maneira que qualquer um possa acessar e mentalizar o conhecimento, mesmo sem dominar cálculo avançado ou taxonomias complicadas , fico grato!

        Entretanto, de tudo que li, vi e ouvi, percebo que a Equipe do IQSC foi forçada pelo clamor de centenas ou milhares de pacientes (e seus parentes) a continuar a produção e o fornecimento da substância; depois, essa mesma força levou o grupo à via política convencional. Você vê crime nisso. Eu vejo, pelo menos, uma excludente de ilicitude: estado de necessidade (quando o agente pratica o ato para salvar de perigo atual direito próprio ou alheio).

        Para ficar mais claro, deixo o seguinte exercício mental: você está em alto mar, com uma pequena lancha, que só é capaz de conduzir uma pessoa (você); há nessa lancha um pequeno compartimento cheio de botes infláveis que são metade azul e metade branco; você olha pra trás e vê várias pessoas que, por algum motivo desconhecido, perderam suas lanchas individuais e estão se afogando; inicialmente, instintivamente, você joga os botes para salvar o máximo possível de pessoas; muitos conseguem subir no bote e experimentam a alegria arrepiante de terem se livrado da morte certa; repentinamente, sem qualquer terra à vista, outras pessoas que também têm lancha particular (mas não têm botes infláveis) informam a você que os tais botes não tem as especificações, nem foram testados pela Marinha; dizem ainda que você está cometendo um crime em ceder aqueles botes e sua reputação está em jogo; você tem à mão um dispositivo de controle remoto que pode esvaziar os botes.

        O que você faria?

        1. Natália Pasternak Taschner

          Caro Jeris,
          Realmente ninguém pode acusá-lo de falta de poesia ou criatividade. E talvez essa sensibilidade e capacidade de se colocar no lugar do outros faça com que você parta de premissas erradas. Em tempo, não sou eu que vejo crime, é nosso código penal. Além da lei nacional, considerando que o prof Chierice diz ter começado a distribuir a droga para a população em 1995, muito antes até dos primeiros testes in vitro feitos pelo próprio grupo, consta também a violação da convenção internacional de Helsinque. Não há excludente do estado de necessidade porque a droga não é um salva-vidas milagroso, infelizmente. Os botes azuis e brancos da sua paródia têm no mínimo, uns 18 buracos, além da probabilidade de auto-explosão, porque não conhecemos como a droga vai reagir em pacientes diabéticos, hipertensos, cardíacos, gestantes, crianças, etc. Dessa maneira, claro que sou favóravel a jogar qualquer coisa pra quem está se afogando. Se a pessoa está se afogando mesmo, qualquer coisa é melhor que nada. Mas não me venha pedir para fabricar botes com furos e defeitos, quando existe uma maneira de fabricar botes seguros…Obrigada pela sua participação, grande abraço.

          1. Jeris

            Presidente Dilma sanciona lei que libera ‘pílula do câncer’: http://g1.globo.com/bemestar/noticia/2016/04/para-evitar-desgaste-dilma-sanciona-lei-que-libera-pilula-do-cancer.html

  8. Ligia Renuncio

    Que excelente matéria! vou compartilhar link da sua página na rede!
    Uma coisa que eu sempre argumento é que os teóricos da conspiração da Evil Pharma INC adoram dizer que a cura não interessa ao comércio, mas SEMPRE se privam de comentar o quanto uma cura milagrosa interessa para governos populistas e corruptos! Calcule a enormidade economizada cumprindo liminares de liberação dos caríssimos imumabes! A enormidade economizada em cirurgias, quimioterapias, radioterapias… em transporte de pacientes dos rincões para as capitais, para tratamento. Calcule! Será que interessa a um governo podre, vender uma solução milagrosa, a preço de banana e com a maravilhosa vantagem de poder forçar uma faculdade federal a fazer todo o trabalho?
    Não se enganem, teóricos da Big Evil Pharma: muito maior do que o lobby internacional das grandes farmacêuticas é o poder político de governos populistas, mundo a fora.
    Parabéns pelo trabalho de resistência científica em tempos de obscurantismo.
    O mundo precisa de mais cientistas e menos políticos.

    1. Natália Pasternak Taschner

      obrigada Ligia. Pode compartilhar à vontade, o Café agradece. E realmente as teorias da conspiração tendem a pipocar em todas as áreas, temos a Big Pharma, Big Ag, temos até o zika viurs do Bill Gates rsss. O populismo geralmente caminnha associado às pseudociências. Creio que o mundo precisa de cientistas mais presentes na sociedade. A comunidade científica demorou demais para se posicionar nessa história.
      abraço
      Natalia

    2. Renato Neubert de Souza

      Não crê na teoria do Big Evil Pharma, Ligia Renuncio? Já conhece a saga do Dr. Burzynski, MÉDICO polonês radicado nos Estados Unidos, país paradigma das liberdades democráticas, dos direitos humanos, e bla bla bla? Dr. Burzynski é outro pesquisador que descobriu a cura para diversos tipos de cancro (cancro = câncer em português lusitano) e por isso foi perseguido toda a sua vida pelo FDA americano sob acusação de charlatanismo, inclusive com o respaldo e desprezo de vários de seus colegas de ofício. O documentário de sua história, vídeo de 2011, legendado em português lusitano, esta no Youtube no link https://www.youtube.com/watch?v=z_YWHso4B-M&spfreload=10

      Pela sua lógica, este atual governo é porco o suficiente para já ter liberado a fosfoetanolamina, por que ainda não o fêz? Se o Big Evil Pharma é uma reles fantasia, quem sabe você saiba nos responder. Afinal de contas, já está exaustivamente provado que a substância não é toxica, é inclusive sintetizada pelo próprio organismo, infelizmente em quantidade insuficiente. Isto é, se não fizer bem certamente não fará mal. Aos seus opositores eu proponho: lutem pela sua liberação incondicional. Se funcionar estarão do lado do povo, se não funcionar, com o povo quebrando a cara e descobrindo isso por si, poderão arrotar arrogantemente: “eu disse, eu avisei…”. Já pensou que massagem em seus egos? Vão perder essa oportunidade única de sair por cima, como donos da verdade?

  9. Felipe Geremia Nievinski

    A fonte da nota na revista Nature, mencionada no texto, é a seguinte:

    Brazilian courts tussle over unproven cancer treatment (24 November 2015)
    http://www.nature.com/news/brazilian-courts-tussle-over-unproven-cancer-treatment-1.18864

    Teve também uma notícia na revista Science (acesso não aberto):

    Brazil bill would legalize renegade cancer pill (01 Apr 2016)
    http://science.sciencemag.org/content/352/6281/18

    1. Natália Pasternak Taschner

      obrigada Felipe! abraço.

  10. Pablo

    Natália Só uma coisa para te dizer: EU TE AMO!!! Seu site é lindo. É extremamente emocionante pra mim, que também tento escrever algo em evidências científicas que existam sites como o seu e o do nefrologista José Souto. Você faz um trabalho excelente, e não cobra por isso. Um belo exemplo de cidadã que tenta ajudar os outros da melhor forma possível, buscando as melhores evidências. Pude me aprofundar bastante sobre o tema chegando até aqui. E seu comentário respondendo ao questionamento do Tony, daria um belo post.

    1. Natália Pasternak Taschner

      hahahaha, querido Pablo, só tenho uma coisa a te responder: se você me ama, me compartilhe, rssss. Isso pode ser muito mal interpretado, aliás. Obrigada pelos elogios, que delícia receber um feedback tão positivo do meu trabalho. E parabéns pelo seu blog também. grande abraço.

      1. Pablo

        Compartilhei sim, mas infelizmente nossos esforços foram por agua abaixo hoje. Dilma, pela pressão do Impeachment, sancionou a lei que libera a fosfoetanolamina. Somo o 1 país do mundo a liberar algo desse jeito.

        1. Renato Neubert de Souza

          “Somo o 1 país do mundo a liberar algo desse jeito”. Oh, que vergonha… Eu, sentado na foice da Morte contemplando a ampulheta em sua mão, estou ruborizado. A burrice é o câncer da alma, Pablo. Infelizmente, nesse país de nome BRASIL, se não é assim não rola. Em 20 anos a ANVISA NUNCA fez qualquer MÍNIMO esforço em realizar testes de sua EXCLUSIVA competência, agora fica sofismando cínicas preocupações em cima dos possíveis efeitos colaterais de uma substância que já se tem certeza absoluta de NENHUMA toxicidade, inclusive sintetizada pelo próprio organismo, infelizmente em quantidade insuficiente. Com a quimio e radioterapias, sabidamente toxicas, com um índice de sucesso de no máximo 60%, com 100% de sequelas, a ANVISA não demonstra qualquer preocupação. O nome disso é HIPOCRISIA. Quer testes, Pablo? Escreva “fosfoetanolamina relatos” no Google e leia o que aparece. São 20 anos de relatos de testes que desesperados fizeram em si mesmos, todos com sucesso. Se houveram insucessos, mortos não falam. Faça TODOS os testes que quiser e julgar necessários, são TODOS MUITO IMPORTANTES, Pablo, só me permita usar o composto enquanto isso sob minha exclusiva responsabilidade, porque não posso esperar por eles. Se eu morrer, no dia do juízo direi ao Todo-Poderoso que você me avisou.

          A questão agora é: onde a obter com confiabilidade? Tenho notícia que quem se aventurar a sintetizá-la só o poderá fazer com a supervisão e benção da mesma ANVISA. Isto é, não vai ser nada fácil. Quanto a ANVISA vai cobrar de PROPINA para isso? Sim, nesse país cleptocrata absolutamente NADA sai do papel para se transformar em realidade sem o pagamento de propinas. Como nunca dantes, hoje ROUBAR é um DIREITO. E quanto às liminares suspensas no TJSP? A suspensão vai ser retirada?

          1. Pablo

            Parei de ler teu comentário onde diz que a ANVISA nunca fez esforços pra fazer testes. A Anvisa é regulatória. NÃO COMPETE A ELA FAZER OS TESTES amigo. De onde você tirou isso? Vocês da teoria da conspiração são engraçados. Quando falam da aids que aprovaram bem rápido o AZT dizem que aprovaram por interesses financeiros (mas teve estudo, apesar da crítica e hoje com mais estudos posteriores existe o coquetel, que é dado de graça).

            Agora com a fosfoetanolamina não? tipo não há interesse do lado dela só contra? kkkkkkkk. Nem to aqui defendendo ANVISA, estou defendendo a saúde pública baseada em evidências benéficas à população. Sou cientista, trabalho com evidencia nao fé. Nao preciso nem discutir muito pois este post em resposta ao tony e o próprio texto da autora são bastante esclarecedores.

          2. Pablo

            E mais um adendo: Dilma sancionou a Lei não por ser boazinha e tá preocupada com os outros, mas sim pela iminência do impeachment. Em tempos de outrora talvez ela não tivesse sancionado.

          3. Pablo

            oi neubert, voltei aqui depois que essa palhaçada toda acabou, sem evidencia científica, com os ´´cientistas´´, brigando entre si, tentando lucro, condenando Chierice e sem a cura do câncer acontecer (agora ela é vendida por 500 reais como suplemento e nao vi uma redução na incidência de cura de tumores com significância).

            E aí, tá satisfeito amigão? Era isso mesmo que voce queria? QUem é serio nessa história toda? a ciencia, quem trabalha com ela ou esses charlatões que voce tanto defendeu e tao tentando lucrar agora?O pior de tudo, vao conseguir algum lucro as custas de alguns leigos (ou até mesmo idiotas que sabem que nao funciona, mas mesmo assim se deixam levar). ABraço!

  11. Guilherme Antonio

    Prezado Renato,

    Você matou a charada! Exatamente, os mortos não falam e, bem por isso, qualquer conclusão baseada apenas em observações que levem em conta somente os sobreviventes será enviesada… exemplo: em 10 anos 1000 pessoas tomam uma bendita substância alegadamente milagrosa na cura do câncer, 600 morrem em decorrencia da evolução do câncer, 350 morrem em decorrencia da toxicidade da substância (na hipótese de ser tóxica… não estou afirmando que a fosfo seja, por favor!) e 50 sobrevivem (por uma questão meramente estatística)… se nos basearmos somente nos sobreviventes, estaremos perigosamente concluindo algo totalmente contrario aos fatos: que a substancia ohh! curou cinquenta pessoas (quando, na verdade, matou 35% daqueles que a usaram…).
    Outra coisa com relação à fosfo: nesse tempo todo não foi submetido QUALQUER pedido formal de registro para avaliação da Anvisa… assim fica complicado! Imagina se a Agência tiver que testar TODAS as pretensas subtancias milagrosas que pipocam por aí, por sua CONTA… precisariamos de um orçamento bem mais robusto (um PIB pré-crise talvez rsrsrs). Ultimo ponto: eu trabalho na Anvisa e TENHO ORGULHO DISSO! Se quiser criticar faça-o de forma menos leviana e mais objetiva… dicotomizar e demonizar (“nós, bons” vs “eles, maus”) é a saída mais fácil, mas esta longe de ser a mais inteligente… fazendo assim vc perde a oportunidade de debater e aprender alguma coisa no processo…

  12. Renato Neubert de Souza

    “NÃO COMPETE A ELA FAZER OS TESTES amigo”. Muito bem, pensei que fosse ela, estou mal informado, peço desculpas. Mas com certeza estes testes competem a alguma autarquia pública, e tenho notícia que foram iniciados só muito recentemente, e graças a pressões populares que alavancaram as decisões políticas. Parece este é único jeito, se não é na marra, não rola. E ainda como resposta descobriram que a “fosfo não tem ação antitumoral”. Nunca se alardeou que tivesse. A fosfo subsidia a ação do sistema imunológico, este sim é que tem ação antitumoral. Não creio que o “cientista” que disse isso esteja desinformado, estou muito mais propenso a crer que se trata de má-fé, num esforço besta de desmerecer o composto.

    “Outra coisa com relação à fosfo: nesse tempo todo não foi submetido QUALQUER pedido formal de registro para avaliação da Anvisa”. Em entrevista pessoal, não é isso que reportam os criadores da arte. A questão é que eles não provam, mas afirmam que pelo menos duas vezes pediram homologação à Anvisa sem qualquer resposta.

    Uma coisa é você analisar a questão sendo são, e outra sendo doente. Ponha seu pescoço na guilhotina e sua vida passa como um filme em sua mente, e aí você se arrepende até do que você fez de correto. Minha mãe, após seis quimioterapias, morreu de um linfoma e dias antes de seu falecimento o médico que a tratava me pediu o quarto de hospital que ela ocupava, alegando que o necessitava para outros pacientes. Meu primeiro impulso, que contive, foi de enfiar meu punho fechado inteiro dentro da sua boca. Expliquei com calma que ocuparia o quarto até que ela falecesse. Depois, pensando melhor, pensei que isso era tudo quanto a ciência oficial, testada, conhecida, habilitada, homologada, etc, etc, tinha a me oferecer. Para quem está na marca do pênalti, para quem está no desespero, toda essa discussão político-científico-ideológica não passa de CONVERSA FIADA, com a correspondente e CRIMINOSA proibição de seu uso, quando existe um sem número de relatos positivos. Mesmo os negativos, quando os pacientes morrem, deixam atrás de si seus parentes para testemunhar. A grande sugestão verdadeiramente útil que li foi dada pela própria Natália, criadora do blog, quando perguntou por que os criadores da arte não abriram a patente para domínio público, de maneira que qualquer farmácia de manipulação a pudesse sintetizar. Mais uma pergunta sem resposta, até porque se eles não estão interessados em remuneração como afirmam, poderiam muito bem ter feito isso. Mas lógico, isso não descarta a necessidade dos testes científicos. São muito importantes, só que muitos pacientes não podem esperar por eles, e isso está definitivamente acima de qualquer divagação técnico-científico-político-ideológica. Façam algum esforço em compreender isso bem esclarecidamente.

    1. Natália Pasternak Taschner

      Caro Renato,
      Em primeiro lugar, sinto muito pela morte de sua mãe, e pela situação que você teve que enfrentar. Mas isso é culpa de um sistema de saúde falido, infelzimente. Concordo com você que quem está na marca do pênalti tem o direito de usar o que quiser. Isso já foi bastante debatido aqui. O que não dá é pedir o endosso do Estado para isso. Se a pessoa quer usar homeopatia ou chá de babosa, ela tem acesso a isso. No caso de uma droga, ela precisa ser produzida e comercializada, e para isso, precisa passar pelos testes e ser aprovada pela agência competente. A ANVISA realmente não tem competência para fazer os testes, somente para avaliar os resultados. Compete ao próprio grupo de pesquisa realizar os testes, e não a qualquer órgão publico. O que está acontencendo com a fosfo é algo inédito, por pressão popular, ela está passando na frente de outras pesquisas e ganhando verba do governo que muitos outros pesquisadores sérios tem que suar pra conseguir das agências de fomento. Outros pesqusiadores com drogas muito mais promissoras nos testes pré-clínicos do que esta. E isso porque o grupo do IQSC esperou 25 anos pra fazer qualquer coisa a respeito. Eles poderiam ter feito parceria com a Fiocruz, com o Sírio, com o Insituto Butantan, onde inclusive um deles trabalha. Por que não fizeram? As desculpas são inúmeras e você já conhece, queriam a patente, sumiram com os resultados, a ANVISA não deixou. Nem todo mundo sabe que a ANVISA não é responsável por fazer testes, como vc bem colcocou. Mas os pesqusiadores do IQSC sabem. Entao fica bastante óbvio que estão mentindo quando dizem que pediram à ANVISA que fizesse os testes ou que avaliasse. Se havia algo para submeter à ANVISA, onde estão esses resultados? Eh, o hospital de Jaú queimou. Tem muita coisa estranha nessa história. E me incomoda muito, como vc tb colocou, o apego exagerado que esses senhores têm à patente, que eles dizem não querer e que vão doar. Pois bem, até agora nao doaram…Tenha certeza de que a classe médica e científica entende o sofrimento dos pacientes. Mas esse sofrimento tem dois lados. Me cortou o coração agora há pouco uma entrevista com o dr Paulo Hoff, do Einstein, dizendo que um paciente que se tratava lá e tomava a fosfo por conta própria não acreditava que os tumor tinha se espalhado. E dizia que devia haver algum engano, porque ele tomava a fosfo. Brincar assim com a esperança das pessoas também é muito cruel. Esse senhor acreidtou que a fosfo ia salvá-lo. Por isso o esclarecimento é tão importante. As pessoas estão se fechando para o diálogo, de maneira muito agressiva. Vamos manter o canal aberto. E aguardar os resultados dos testes clínicos. E também comemorar as drogas novas promissoras que já estão sendo aprovadas, e que passaram por todas essas etapas, como a nova droga para câncer de pulmão e melanoma http://www1.folha.uol.com.br/equilibrioesaude/2016/04/1757785-anvisa-aprova-nova-droga-para-cancer-de-pulmao-e-melanoma.shtml
      grande abraço,
      Natalia

    2. Pablo

      Só links a nível de curiosidade:

      Vale lembrar que A FIO CRUZ já distribui medicamentos para a cura de dois tipos de cânceres gratuitamente:

      https://agencia.fiocruz.br/farmanguinhos-inicia-mais-uma-distribui%C3%A7%C3%A3o-de-medicamento-contra-o-c%C3%A2ncer

      Ou seja a indústria farmacêutica não impede em nada a distribuição de medicamentos, desde que a patente não seja dela (e nem esteja quebrada). Não existe complô, e quanto mais a pessoa se informa sobre o assunto, mais contra a decisão é. E eu já perdi várias pessoas próximas e tenho atualmente 1 pessoa com câncer na família. Mesmo assim sou contra o uso da fosfoetanolamina a torto e a direito como a lei agora permite. Em ultimo caso, ÓBVIO QUE concordo com você e a Natália, vale tudo. Inclusive urino terapia, conheço gente que jura se curar de câncer, ou doenças crônicas como a psoríase (que eu possuo) bebendo xixi, ou com homeopatia (água pura). Eu não usaria a fosfo em estágios iniciais se eu estivesse doente e a depender do seguimento dos estudos nem em ultimo caso também.

      Existem empresas fora do país que detém a patente da fosfoetanolamina também: (já que nao se patenteia ela, mas sim a via de síntese, ou produção):

      https://www.google.com.br/?tbm=pts&gws_rd=cr,ssl&ei=RSssVuH-KYO4wASE_ZsQ#safe=off&tbm=pts&q=Phosphorylethanolamine

      Em um estudo dos EUA, esquecido, de 1979 a fosfoetanolamina poderia causar câncer de mama em ratos

      http://zh.clicrbs.com.br/rs/vida-e-estilo/vida/noticia/2016/03/fosfoetanolamina-foi-relacionada-a-cancer-de-mama-em-estudo-de-1979-5612866.html

      Ora, se olhamos para os testes em ratos publicados pelos autores brasileiros e que podem ter sido positivo, temos que olhar para os que foram fracos em termos de eficácia produzidos por aqui também e olhar pra esse que foi negativo em termos de PODER CAUSAR UM CÂNCER. Esse e outros artigos devem ser lidos também, pois foram feitos antes da polêmica toda, em um contexto bem antigo e fora do Brasil.

      Mais links de outros artigos do autor da pesquisa citada acima com a fosfo (inclusive a citada está abaixo tb):

      http://www.sciencedirect.com/science/article/pii/0014482781900458

      http://www.pnas.org/content/76/11/5741.short

      https://www.researchgate.net/researcher/79490398_Tamiko_Kano-Sueoka

      1. Natália Pasternak Taschner

        obrigada pelos links Pablo. Eu cito esse do cancer de mama no último post da fosfo, e acho absurdo a equipe do IQSC não ter replicado o trabalho, era a primeira coisa que deveriam ter feito, mas até aí, já sabemos como eles funcionam…

  13. Guilherme Antonio

    Olha, numa boa, para quem está passando pelo problema a questão ganha outra dimensão com certeza, muito mais crítica! Nunca passei pela tua situação e não sei o que é isso, mas imagino não ser nada fácil… meus pesames, sinceramente!
    Natália, parabéns pela forma como vc colocou a questão!

  14. Renato Neubert de Souza

    Minha mãe morreu de pneumonia, que é a primeira doença oportunista que se adquire por falta de imunidade. Nem sei quantas teve. A cada uma ia para o hospital, tomava uma carga de antibióticos e voltava para casa “bem” (se é que se podia chamar de “bem” o seu estado). Não dava nem uma semana, contraia outra. O linfoma reduzia sua imunidade, em compensação a quimioterapia também. Nem sei ao certo do que morreu, se foi da moléstia ou do seu “tratamento”. Isso era tudo quanto a ciência oficial, homologada, reconhecida, testada, habilitada, autorizada, amada, idolatrada, salve, salve tinha a oferecer. Concluí que quem contrai isso está automaticamente morto. Se tiver algum dinheiro, é hora de o gastar com todos os luxos, futilidades e excentricidades que lhe ocorrer. Na época, outubro de 2011, eu nem sabia que a fosfo existia, mas até acho que não ia resolver de nada, uma vez que ela não combate de fato o câncer, só subsidia o sistema imunológico, e este já estava muito comprometido. Desde que o linfoma foi diagnosticado, minha mãe durou um ano e meio. Meu avô seu pai, mais cinco irmãos seus, TODOS morreram de diferentes tipos de câncer. Estou com 63 anos esperando o meu diagnóstico para qualquer momento.

    Uma vez li na Internet que no início do século XX um sujeito nos Estados Unidos que tinha um cavalo com um tumor maligno deixou-o no pasto à mercê de sua sorte. Depois de um tempo descobriu que o tumor havia desaparecido. Fez um levantamento dos pastos e ervas das quais o cavalo havia se alimentado, pesquisou e desenvolveu um tratamento de câncer baseado em fitoterapias. Este homem chegou a dirigir nada menos do que 17 clínicas espalhadas pelo seu país. Nada sei dizer do seu índice de sucesso. Quando o FDA americano se constituiu, fechou TODAS as suas clínicas, com o cuidado de absolutamente nada registrar dos seus tratamentos desenvolvidos. Destes exemplos, e de outros como o caso do Dr. Burzynski, cuja história está no breve documentário em https://www.youtube.com/watch?v=z_YWHso4B-M&spfreload=10 é que derivam as histórias de conspiração e de indústria do câncer, que a Natália qualifica de “ridículas”. Será que são mesmo?

    Defendo a fosfo também e inclusive em razão da paixão absoluta com que é repudiada pelos ditos “cientistas” e oncologistas, que não creem nela de jeito nenhum, e os testemunhos em seu favor simplesmente não os convencem, mesmo sem NENHUMA experiência pessoal com ela e sem qualquer justificativa técnica que os respalde. Eu chamo estes canalhas de PALPITEIROS. Do jeito certo, que vocês queriam, dentro dos ditames técnico-burocráticos da ciência oficial, a fosfo JAMAIS seria reconhecida como uma droga merecedora de atenção e as pesquisas em cima dela JAMAIS ocorreriam. Se vão ocorrer, é graças às decisões políticas, isto é, vai sair NA MARRA e NA PORRADA. E se não é assim, sem jogo. Isso aqui é Brasil.

    “dizendo que um paciente que se tratava lá e tomava a fosfo por conta própria não acreditava que os tumor tinha se espalhado.” É, isso pode muito bem ser um insucesso da fosfo, mas também pode ser falta de imunidade já causada pelas quimioterapias. A fosfo só subsidia o sistema imunológico, e se este já está comprometido a fosfo não funciona, razão pela qual ela não é compatível com as quimios, e isso é um fator complicante, porque deixa o paciente na obrigação de fazer uma escolha mutuamente excludente, e assumir os riscos inerentes. Escolher as quimios também é um risco, e em muitos casos até muito maior.

    É claro que não existe patente da substância. O que está patenteado é um baratíssimo processo de síntese. Também é óbvio que isso poderia ser aberto para domínio público, e não há justificativa de porque isso ainda não foi feito, por parte de quem supostamente só anuncia sentimentos altruístas.

    Valeu pelos seus links, Pablo. São muito úteis. Grato.

    1. Natália Pasternak Taschner

      Renato, respondi seu comentário junto com o do Pablo, que ele postou em seguida. desculpe a demora, o feriado me atrapalhou. abraço.

  15. Renato Neubert de Souza

    Pesquisadora que desenvolveu uma cura para o câncer com 90% de sucesso, indicada sete vezes ao premio Nobel de medicina. Não sei se isso é verdade, é o que está escrito no site: http://www.curapelanatureza.com.br/post/02/2016/ela-descobriu-cura-do-cancer-em-1951-mas-eles-escondem-isso-de-voce

    1. Pablo

      Vou deixar meu último comentário nessa discussão. Espero que você leia com toda atenção Renato, e tenha mais aprofundamento em suas pesquisas, verificando as referências e a qualidade delas. (Leia todo meu texto e os sites que vou indicar antes de me responder).

      Quando você diz: os testemunhos em seu favor simplesmente não os convencem, mesmo sem NENHUMA experiência pessoal com ela e sem qualquer justificativa técnica que os respalde. Eu chamo estes canalhas de PALPITEIROS.

      Não, não somos palpiteiros. A ciência aprendeu com o tempo que temos que pesquisar de modo cuidadoso. Várias pessoas morreram ao usarem substancias tóxicas dentro de compostos, elixir, xaropes devido a falta de estudos. E mesmo numa época recente, tivemos o caso da Talidomida (pesquise sobre a mesma), onde vários bebês nasceram deformados por uso indevido dessa droga. Hoje em dia, apesar de sabermos que essas drogas são perigosas, existem pesquisas com as mesmas que nos dão um norte, para saber da eficácia, efetividade, interações com outros remédios e toxicidade a curto e longo prazo.
      Existem vários relatos de casos sobre a fosfoetanolamina que são positivos? SIM!! Eles me convencem? NÃO!! Mas por que? Por que são casos aleatórios, sem controle algum. Como eu havia dito antes, existem vários tratamentos alternativos, como ate fato de se beber urina. E conheço pessoas que matam e morrem defendendo isso, porque foram curadas. Mas isso não me diz nada, porque existem doenças em que há cura espontânea, independente do paciente usar algum medicamento ou não. Por isso precisamos de pesquisa. Quer um exemplo?

      Suponha que uma doença (pode ser o câncer por ex) mate 90% dos indivíduos. E você tem uma substancia que tem promovido a cura em vários pacientes dessa doença, mas você não tem controle nos testes. Uma empresa resolve fazer os testes com você, e separa os pacientes em dois grupos:

      1- Grupo que usa placebo
      2- Grupo que usa o tratamento supostamente inovador

      Ao final do estudo, você e os pesquisadores percebem que, o grupo da substancia inovadora, só sobreviveram cerca de 10% dos pacientes. Poderia ser até um pouco mais que isso, mas mesmo assim não provaria nada, sabe por que? Por que já era esperado que uma média de 10% (pra mais ou menos) sobreviveria. Seu medicamento não é estatisticamente superior a um placebo. E ai o que pode acontecer se não houver pesquisa? Simplesmente quem sobreviveu e usou o tratamento supostamente inovador vai dar crédito a ele.

      Percebeu? Quando você diz que a fosfo pode não ter funcionado por que o sistema imunológico da pessoa estava fraco, e não adiantou usar a fosfo, o pensamento inverso é valido também meu caro. A pessoa pode ter melhorado simplesmente por ter o sistema imunológico fortalecido sem mais explicações, e não pela fosfo. E em várias doenças existe o chamado efeito placebo. Já ouviu falar nisso? Pois é.

      Por isso o argumento que vocês leigos dão de que cura e que funciona não é aceito por nós. E por isso você nos chama de CANALHAS. Patrocinados pela industria, ou até mesmo de FASCISTA. Me chamaram disso em meu blog. Só por que eu disse que uma planta não funcionava para ganho de massa muscular. Agora me diga, como eu sou fascista e patrocinado se:

      1- Nenhum artigo diz que a planta funciona
      2- A planta não é vendida naturalmente com folhas, mas sim em comprimidos (industriais)
      3- A idéia de que ela serve para ganho de massa é sustentado somente pela indústria e não pela ciência.

      ME diga aí, como eu seria favorável a indústria nesse caso? Pois mesmo assim me condenam e me xingam.

      Outro rapaz disse: ELA NÃO TEM EFEITO PLACEBO, ELA FUNCIONA PORQUE EU USEI E FUNCIONOU EM MIM.

      Agora eu te pergunto, como é que a pessoa testa se é efeito placebo ou não nela mesma, se ela sabe que ali tem a planta, ela sabe as indicações que a indústria prega, podendo ser tendencioso contra ele mesmo?
      Só se sabe se é placebo ou não fazendo um estudo como eu disse em cima, separando em grupos, onde nem os pacientes e nem os pesquisadores (que dão o suplemento e o placebo para o teste), podem saber se é placebo ou não, para não haver tendenciosidade. Apenas uma pessoa do estudo, que o coordena saberá qual grupo usará cada substancia. Por isso chamamos esse tipo de estudo de duplo cego (nem o paciente, nem quem entrega a substancia saberá o que tem dentro das cápsulas).

      E outra, não é por que existem vários artigos que nada esta comprovado. Cada tipo de artigo possui um nível de evidencia, ou de qualidade do mesmo. Imagine que você queira saber qual candidato esta melhor nas eleições de uma cidade. Existem duas pesquisas de intenção de votos a pesquisa A e a B:

      a) Pesquisa feita com 300 participantes,dados coletados 1 ano antes das eleiçoes e anotados em fichas de papel, sem tratamento estatístico.

      b) Pesquisa feita com 5 mil participantes, dados coletados até 1 mês antes das eleições, anotados em software com tratamento estatístico.

      Qual dessas pesquisas seria a mais confiável? Claro que a B.

      Testes em ratos, células são de pior nível, servem apenas para dar um norte a pesquisa. Em seres humanos existem vários tipos de pesquisas também. Fica difícil acreditar na fosfo já que, os estudos iniciais são contraditórios como já dissemos antes. E mesmo os pacientes dizendo que estão curados, não confiamos muito pelo que disse antes também. E por isso também não creio em homeopatia, cura do limão, essa dieta que você indicou ai (que também não tem evidencia de cura, mas sim em evitar certos tipos de câncer), autohemoterapia, e por ai vai.

      Eu, quando não entendia muito de ciência ( e nem entendo muito agora), usava TODAS ESSAS TERAPIAS ALTERNATIVAS para melhorar ou curar minha psoríase. Sabe o que aconteceu? Nada. Nada x Nada. Algumas pessoas melhoram, sim, mas e a maioria? Não se resolve nada com um punhado de casos, 100 ou 200, mas sim com milhares, sendo estes controlados.

      Por isso que eu elogiei muito este blog. Por que ele é feito para leitura gratuita, não é tendencioso e percebo que o pessoal está comprometido com a melhor evidência possível para transmitir ao leitor. E a Natália escreve muito bem, e é bastante educada. Queria eu ser assim kkkkkk.

      Seguem mais umas sugestões para você assistir e ler:

      Meu blog: http://farmacotrofia.blogspot.com.br/

      Post muito bom pra vc entender porque testes em animais não significam muito: http://www.lowcarb-paleo.com.br/2015/04/o-que-e-uma-referencia-bibliografica_26.html

      Post muit bom para você entender porque a ciência é boa e a indústria as vezes manipula os dados (mas isso não é culpa da ciência). http://www.lowcarb-paleo.com.br/2014/08/sobre-importancia-de-compreender.html

      Post para começar a refletir sobre o tipo de informação que você lê http://www.lowcarb-paleo.com.br/2015/02/dois-pesos-duas-medidas-o-pensamento.html

      E um vídeo muito legal sobre evidencia cientifica: https://www.youtube.com/watch?v=voEHhxSBND4

      Tenho certeza de que quando você ler e ver tudo isso você vai mudar mais seu conceito em relação a alguns pesquisadores. Nem todos são ruins, nem todos são tendenciosos ou patrocinados. Espero que você leia todos eles até mesmo antes de me responder. Abraço!

      1. Natália Pasternak Taschner

        Minha nossa, depois dessa aula de metodo científico, fico até com vergonha de falar pro Renato ler meus posts sobre isso. Mas aqui estão:
        http://cafe-na-bancada.com.br/index.php/hora-do-cafe/ciencia-e-pseudociencia/ Neste link há todos os meus posts sbre pseudociências e efeito placebo. Recomendo muito que leia pelo menos o placebo, para entender o que pode gerar os relatos de cura e melhora que as pessoas de fato sentem e reportam.
        http://cafe-na-bancada.com.br/index.php/limoes-laranjas-e-o-metodo-cientifico/ este aqui explica com surgiu o método científico e o impacto que ele teve na ciência.
        Além disso, Renato, tem muitos tratamentos novos promissores que foram realmente testados. A fosfo, como já explicamos bastante aqui, não foi. e nao se trata realmente de querer “esconder” a cura. certamente isso nem seria possível. quando a pílula anticoncepcional foi lançada na decada de 60, houve uma pressão mto forte da sociedade pra que ela fosse suprimida. Mas as mulheres queriam usar e estava comprovado que funcionava. Ninguém segura quando a coisa é boa mesmo. Se fôssemos nos basear somente em relatos populares, entao onde estão os relatos milagrosos de cura de 15 anos atrás? 20 anos? por que os relatos só apareceram quando se deu a proibição? Não entendo NADA de psicologia e comportamento humano, entao por favor considere isso um bate papo entre amigos, mas será que não foi por que as pessoas estavam acostumadas a tomar a fosfo, e não queriam ter sua rotina alterada? Elas acredirtavam que aquela pílula lhes fazia bem – e de acordo com o efeito placebo fazia mesmo – e parar de tomá-la gerava angústia e uma real piora dos sintomas, jsutamente pela falta do placebo. Mas antes de proibição, ninguém nunca tinha ouvido falar na fosfo. Será que se fosse mesmo uma cura milagrosa, ela teria ficado restrita à cidade de São Carlos, sendo fabricada de forma artesanal, por tantos anos? Nunca ninguém teria ido reportar nada na mpidia? Nenhum médico local ia notar uma cura milagrosa de repente em seus pacientes?

        Renato, você é sempre bem vindo aqui no Café para conversar e tirar dúvidas. e Pablo, obrigada por sua imensa colaboração e pelos elogios. abraços,
        Natalia

        1. Pablo

          Obrigado pelo elogio Natália, mas nem achei tão bom assim o meu texto kkk.. Só um adendo a discussão, li de novo e percebi que esqueci de dizer algo (só voltei a escrever por isso nesse post):

          Por mais que todos critiquem os tratamentos para o câncer, pelos seus efeitos colaterais, reações, inefetividade e pelo número de mortes e sequelas, os dados mostram que A MAIORIA das pessoas no mundo inteiro que se curaram de um câncer, foram as que se utilizaram de alguma quimio, radio e/ou cirurgias.

          Não tenho dados precisos disso (até por que muitas dessas terapias alternativas nem tem estudos bons,e quando têm algo bom pesquisado sobre as mesmas elas se mostram ineficazes), mas creio que quando há a cura de um câncer, ou a remissão por longos períodos, cerca de 80% ou 90% disso é devido aos tratamentos convencionais.

          OBS: (80% ou 90% é achismo meu, pode ser mais ou menos, mas tenho PLENA confiança que mais de 50% sim)

          O restante da % pode se creditar a soma de TODAS ESSAS terapias alternativas (ou por motivos ainda desconhecidos da ciência, já que elas em sua maioria não superam um placebo e dar crédito a elas não seria algo correto).

  16. Renato Neubert de Souza

    Definições:
    RTBCO – rito técnico burocrático da ciência oficial.
    DE – DESGRAÇA ESTÚPIDA – os “tratamentos” (as aspas são ironia, por minha conta e risco) contra o câncer à base de quimio e radioterapias, já testadas dentro do RTCBO, que matam dois pacientes a cada cinco, quando não atrofiam os outros três, e que contam com as bênçãos e o aval da ciência oficial. A DE está mais para eutanásia do que para “tratamento”.
    Que a ciência tem que ser CÉTICA e trabalhar somente com FATOS, isso não se discute. Mas não pode se recusar a investigar evidências quando estas se apresentam.

    “Sabemos que existem relatos de melhora, então vale a pena investigar. A fosfo será testada.” – Meu PALPITEIROS certamente não é dirigida à Natália, até porque não lembro de qualquer opinião a respeito que ela tenha emitido. Até imagino que só com o que conhece até agora ela ainda ela não se sinta qualificada a opinar. Pessoa prudente, que se mostra disposta a investigar, só exigindo o cumprimento do RTBCO, o que é muito procedente.

    “Me cortou o coração agora há pouco uma entrevista com o dr Paulo Hoff, do Einstein, dizendo que um paciente que se tratava lá e tomava a fosfo por conta própria não acreditava que o tumor tinha se espalhado. E dizia que devia haver algum engano, porque ele tomava a fosfo.” – É, uma grande decepção. Porém, permita-me perguntar: as DEs não o decepcionaram antes? E não tinham elas, que têm as bençãos da ciência oficial, muito mais compromisso? A fosfo para funcionar exige um sistema imunológico ativo e capaz, que é primeira coisa que as DEs detonam. Será que toda a culpa é só da fosfo? Interessante como os fracassos das DEs são tão CONSENTIDOS, ninguém reclama deles, não é mesmo?

    “Espero que você leia com toda atenção Renato” – Leio cada palavra que você posta. Entretanto, ler é uma coisa, entender é outra, e concordar é ainda outra muito diferente. Sabe o que é PRECONCEITO, Pablo? Preconceito é CONCEITO PRÉVIO. Se estivesse ao seu alcance, toda essa barulheira em cima da fosfo há muito que já teria acabado com três simples providências: 1) proibição de fabricação e consumo; 2) lixo ao que já existisse; 3) assunto encerrado. Na sua ótica, a fosfo está no mesmo patamar do chá de ipê roxo, chá de babosa, urinoterapia e milagre de igreja evangélica. Sou do tempo do ipê roxo, lembra dele? Só que (preste atenção) ao contrário das demais hipóteses, a fosfo tem um mecanismo de ação muito bem definido e caracterizado, mecanismo esse nada esotérico nem transcendental. Não crê na fosfo, Pablo? Então por que você não prova que ela NÃO FUNCIONA? Vc estará prestando à ciência médica um serviço de valor inestimável. Só que, por favor, dentro ditames do RTBCO, isto é, sem OPINIÕES, ACHISMOS E PALPITES. Lembre-se da colossal responsabilidade deste trabalho, até porque na outra ponta da fosfo o que se tem são as DEs. E não me venha com aquela história de que os testes in vitro demonstraram que “a fosfo não tem ação antitumoral”. Isso não é coisa de pesquisador sério, verdadeiramente imbuído de encontrar respostas úteis.

    Por mais que eu raciocine, não consigo entender o apaixonado arrebatamento, quase que com volúpia, com que a ciência médica oficial se agarra com verdadeiro desespero às DEs, rechaçando terminantemente QUALQUER COISA que as possam ameaçar. Chamar DE de “tratamento”, ainda mais em pleno século XXI, é um insulto a qualquer QI acima de zero. Já tive através da minha mãe suficiente experiência com as DEs, estão mais para eutanásia do que para “tratamento”. Nos Estados Unidos, tudo quanto o MÉDICO Burzynski conseguiu ao longo de praticamente toda a sua vida e a duríssimas penas foi que o FDA finalmente o deixasse em paz. Seus antineoplastons eram para estar sendo devassados pela ciência oficial em todos os seus desdobramentos, eram para estar sendo produzidos e distribuidos pelo mundo, o cara era para estar recebendo um premio Nobel de medicina, tudo quanto ele conseguiu foi a repulsa e o desprezo de seus colegas de ofício. O FDA americano FEZ O DIABO para po-lo na cadeia, nunca conseguiu porque seus pacientes não o permitiram. Nem sei se este cara tem algum discípulo que continue seu trabalho quando ele vier a faltar. Deve ter, se não tiver, tudo será fatalmente perdido, o sonho do FDA é por fogo no seu laboratório. O vídeo de sua vida, o qual já postei o link duas vezes, é de cinco anos atrás. Por mais que eu ponha meu Tico & Teco a trabalhar, não consigo achar outra razão para isso que não seja o $$$$$$$, isto é, o BIG EVIL PHARMA. Se menciono isso, a resposta imediata e sentida é sempre a mesma: não, não, isso não é verdade, o BIG EVIL PHARMA não existe! Por que será que tanto parece que sim?

    Minha posição a respeito da fosfo é a seguinte: acredito nela, e torço MUITO para que dê certo. Claro que certeza ninguém tem de coisa alguma, até que a fosfo passe pelo RTBCO. Se eu contrair câncer, vou de cabeça na fosfo. Nem cogito as DEs, em hipótese alguma. E se a fosfo não funcionar, vou procurar o padre Eugenio no mosteiro Regina Pacis, e se não funcionar, vendo algum patrimônio meu e vou no Dr. Burzynski nos States. FAÇO QUALQUER JOGO, homeopatia, nutroterapia do Dr. Lair Ribeiro, pastor R.R.Soares, pastor Edir Macedo, caboclo Tupinambá de alguma macumba, mas das DEs eu quero DISTÂNCIA. E faço essa via sacra tomando chá de ipê roxo o tempo todo.

    Presentemente não tem ninguém suficientemente sério pesquisando a fosfo. Descobriu-se que a cápsula distribuída pelo IQSC não continha só fosfo, mas que eu saiba ninguém até agora perguntou aos donos da arte se os demais componentes são inócuos para a ação pretendida ou se lhes cabe algum papel. Os “pesquisadores” só descobriram nos testes in vitro que a fosfo não tem ação antitumoral. Grande descoberta. Isso não é coisa de gente séria.

  17. Renato Neubert de Souza

    Uma ocasião eu li em um gibi do Pato Donald uma historinha em que o Profº Ludovico e o Profº Pardal disputavam para ver quem criava o invento mais mirabolante. Ambos inventaram, à revelia da ciência do outro, um automóvel que não usava combustível nem pneus. Os carros flutuavam a um metro do solo. Qual o final da história? Enquanto um passava por um posto de gasolina, e o outro por uma loja de pneus, os funcionários das duas lojas tiraram eles dos carros e puseram fogo nos dois carros. Final surpreendente?

  18. Clovis Pereira Salgado

    Apenas uma pergunta para Associação Médica Brasileira: diga-me, qual quimioterápico aprovado pela ANVISA cura com 99% de certeza qualquer tipo de câncer em estado avançado?

    1. Natália Pasternak Taschner

      oi, Clóvis, certamente nenhum, ainda mais com essa margem de cura. No entanto, também não conheço nenhuma cura milagrosa que cure 99% dos casos de nada…E temos muitas drogas novas promissoras chegando ao mercado. Respondo suas outras indagações no outro comentário.

  19. Clovis Pereira Salgado

    Quem tem câncer e está em estado terminal não está preocupado com discussões nos âmbitos técnico e ético da pesquisa sobre o uso da fosfoetalonamina sintética.. A autorização de uso é em caráter excepcional, enquanto estiverem sendo feitos estudos clínicos acerca da substância.

    A Lei permite que pacientes diagnosticados com neoplasia maligna usem a substância por livre escolha, desde que assinem termo de consentimento e responsabilidade, antes de concluídas as pesquisas científicas para seu registro definitivo na Anvisa.

    Os principais argumentos da ANVISA e “laboratórios farmacêuticos” que ganham trilhões de reais por ano, são contra a liberação por falta de estudos que confirmam se o composto não é uma ameaça à saúde dos pacientes e, o risco de tal aprovação pode abalar a imagem do controle sanitário no país

    Quem está em estado terminal será que está preocupado com ricos à saúde ou efeitos colaterais? Gostaria que alguém da Anvisa respondesse a seguinte questão: quem está no “Corredor da Morte e é torturado fisicamente e psicologicamente vinte e quatro horas por dia, não tem o direito de tentar usar o último fio de esperança???

    Por favor, liberem o uso compassivo da fosfoetalonamina. Quantos ainda irão à óbito sem ter tido essa última chance de sobreviver?

    Obrigado pela leitura da escrita de um desesperado (minha esposa esta com câncer no fígado)

    1. Natália Pasternak Taschner

      Querido Clovis,
      Em primeiro lugar, sinto muito pelo estado da sua esposa, e desejo que ela se recupere prontamente. Concordo com você que para quem está desesperado, pouco importa se a droga tem efeito colateral, se funcina, se é placebo, etc. Por isso, entendo perfeitamente que a pessoa em estado terminal tenha o direito de usar o que quiser, e até de recusar tratamento, afinal, a vida é dela, e as escolhas também. Mas como já coloquei aqui várias vezes, uma coisa é a pessoa optar por usar algo que já existe e está disponível no mercado, como chás de babosa, homeopatia, fitoterápicos, etc. Não dá para liberar como MEDICAMENTO algo que não foi testado como medicamento. A ANVISA é um agência reguladora, e está fazendo o papel dela. Para liberar, precisa passar pelos testes. Minha tia morreu de câncer de pulmão há 2 anos. Hoje temos uma droga nova para câncer de pulmão que acabou de ser liberada no Brasil, e é muito promissora, com melhor índice de remissão e menos efeitos adversos. Essa droga demorou muitos anos para ser aprovada. Foi tarde demais para minha tia, infelizmente. No caso da fosfo, se os responsáveis tivessem seguido os trâmites, nesses 25 anos que passaram distribuindo a droga sem testes já teria dado tempo de cumprir os testes clínicos. Entao sua briga devia ser com eles, e não com a ANVISA. Por que demoraram tanto? Por que ignoraram as regras? E tantas outras perguntas que coloquei no post. O ideal, a meu ver, seria liberar como suplemento, explicando que não é um medicamento e que não foi estudado. Sabe quem é contra isso? O próprio prof Chierice. Ele não quer que a fosfo seja liberada como suplemento porque ele acha que é uma droga, e que descobriu a “cura do câncer”. O mais triste disso tudo, Clovis, é justamente ele ter dado uma falsa esperança para tantas pessoas. Você me pergunta quantas pessoas morrem sem ter a chance de usar a fosfo? Mas quem garante que faria alguma diferença? Assim como a fosfo, existem inúmeras outras drogas candidatas promissoras sendo testadas. Por que a fosfo deveria ter prioridade de passar na frente das outras, se os primeiros testes não mostram que ela é eficaz? Mesmo assim, ela será testada. E eu, pessoalmente, continuo acreditando que o melhor seria liberar como suplemento. abraço, e força para sua esposa. grande abraço,
      Natalia

  20. Renato Neubert de Souza

    A família da minha mãe era composta por dois pais e oito filhos, no tempo que não existia nem pílula anticoncepcional nem televisão. Seu pai, mais ela própria, mais cinco irmãos, todos morreram de câncer. Hoje só restam dois vivos. Não conheci meu avô, nem sei se ele se tratou e como, mas sei que ela e seus cinco irmãos, todos fizeram uso de quimioterapia, que não só não conseguiu salvar ninguém, como sabe-se lá se não antecipou algum óbito. Meu padrinho, seu irmão mais velho, foi acometido de câncer de próstata, fez cirurgia, quimio e radioterapia, quando estava absolutamente limpo e extreme da moléstia se deitou para dormir e não mais acordou. Causa mortis: desconhecida. Pergunto: a ciência oficial conhece tudo sobre os efeitos colaterais dessas drogas que abençoa? Por que receia os “possíveis efeitos colaterais” de uma droga que é espontaneamente sintetizada até pelo próprio organismo? Conheço isso com o nome de demagogia, isso noves fora o cinismo com que se trata a questão.

    Minha mãe morreu nada jovem, com 80 anos recém completados. Se tivesse morrido por qualquer causa, até de unha encravada, dada o avanço de sua idade, eu acharia até muito natural. Só que ela faleceu de um linfoma como sua principal causa mortis, apesar, ou quem sabe inclusive até em razão, das seis

  21. Renato Neubert de Souza

    quimioterapias com que se tratou.

  1. Quem vai distribuir a fosfoetanolamina? – Sofia Moutinho

    […] Por isso não vou ficar rico.” Em um texto muito elucidativo de toda a história da fosfo, no blog Café na bancada, a autora questiona por que essas patentes não foram colocadas em domínio público desde o […]

  2. A ‘zica’ da fosfo | Direto da Ciência

    […] pós-doutora em microbiologia pela USP e divulgadora científica voluntária, publicou o post “Perguntas sem respostas” no ótimo blog coletivo Café na Bancada, que este blogueiro recomenda. Nessa postagem, ela listou […]

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