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jun 16

O que de fato sabemos sobre a fosfoetanolamina – uma visão científica

A cura do câncer certamente foi a cura mais descoberta desde a descoberta do próprio câncer. Ela pode ser organizada em três “tipos” de descobertas: a folclórica, a pseudocientífica e a científica. Sim, caro leitor, a ciência baseada em evidências também já acreditou, por vezes, ter alcançado a cura, e isso será assunto de um próximo post.

Hoje, sabemos que o Câncer não representa uma única doença, mas várias, que, apesar de se manifestarem com alguns denominadores comuns, são na verdade mais de 100 tipos de condições diferentes, que respondem de forma diversa aos inúmeros tipos de tratamento disponíveis no mercado. Esse fato torna extremamente improvável a existência de uma cura única e universal.

Mas vamos às descobertas históricas. Descobertas folclóricas são muitas: temos a do ipê-roxo, do óleo de maconha, do enema quente de café – nunca pensei que recusaria qualquer tipo de café, mas esse eu passo –, da babosa, da vitamina C e vários outros. Esses folclores são isso mesmo: anedotas, folclores, passados de boca em boca sem nenhum respaldo científico. Algo assim como o chá de quebra-pedra para quebrar pedras no rim.

Quem iria duvidar da eficácia de um chá que já carrega sua função no nome? No entanto, seu uso como medicamento é controverso na comunidade científica, e apesar de ter uma função diurética, não é utilizado para realmente desfazer os cálculos. Assim, quando meu cachorro teve pedras nos rins, a assistente do veterinário me segredou ao pé do ouvido, sem que o veterinário chefe escutasse, que apesar de não haver comprovação científica, eu podia dar o chá de quebra-pedra para o cachorro. Como eu nunca consegui convencer o cachorro a tomar chá, ele teve que se virar com a ração especial que o veterinário chefe prescreveu mesmo. Informo que isso foi há 5 anos, e o cachorro, recuperado, passa bem. Logicamente, caso ele tivesse tomado o chá de quebra-pedra, o mérito do tratamento teria sido conferido ao chá, e não à caríssima ração importada, fruto da teoria da conspiração da Big Dog Food.

As descobertas folclóricas sempre hão de existir, e, em geral, não representam grandes problemas para a população. A não ser, é claro, para a população de ipês-roxos que foi devastada.

O problema maior, a meu ver, está nas descobertas pseudocientíficas. Como qualquer outra pseudociência, elas se travestem de ciência, usam jargão científico e conceitos ligeiramente distorcidos para convencer seus leitores de que se trata de ciência verdadeira. As pseudociências costumam causar um grande estrago nos sistemas de saúde, e nos bolsos da população. Entre as curas pseudocientíficas para o câncer, podemos citar a dieta alcalina, a dieta cetogênica (pobre em carboidratos), Burzynski, entre outros. Não tenho tempo nem espaço para detalhar todas aqui, mas gostaria de estabelecer o que elas têm em comum com a nossa molécula da hora, a fosfoetanolamina (PHO-S), que é o uso de conceitos reais, porém distorcidos.

O caso da fosfo é bastante único, porque ele mistura pseudociência com ciência real. Na parte pseudocientífica, assim como as teorias da dieta cetogênica e alcalina, as teorias mirabolantes apresentadas pelo grupo de São Carlos para explicar o possível efeito da possível substância – que não sabemos exatamente qual é, e nem eles – baseiam-se em conceitos biológicos reais e comprovados. Elas apenas distorcem a interpretação e o uso desses conceitos para acomodar o seu suposto “mecanismo de ação”. Na parte real, feita pelo grupo do Butantan, a história é tão diferente que parece que estamos falando de outra molécula.

 

Mecanismo de ação da fosfo segundo São Carlos

Como era de se esperar, durante o “debate” organizado pelo Sindicato dos Farmacêuticos do dia 11 de junho de 2016, o prof. Gilberto Chierice insistiu novamente na sua tese de que todas as células tumorais são anaeróbias, ao que se seguiu uma apresentação teórica do químico Salvador Claro Neto, atestando que o câncer não é uma doença genética, mas sim uma doença lipídica, causada pela falta de ácidos graxos. Essa carência nutricional – que me fez pensar que gordo nunca poderia ter câncer – faria com que a mitocôndria da célula parasse de funcionar, obrigando a célula a se alimentar exclusivamente de glicose, através do processo de glicólise. A glicólise acidifica o meio, e isso poderia causar mutações no DNA. Claro Neto inverte, assim, a relação causal entre alterações no DNA e câncer, contrariando todo o conhecimento atual.

Curiosamente, em um momento posterior, a Sra Bernardette Cioffi, que aparentemente foi promovida de ex-paciente a cientista nos últimos meses, ao contestar os resultados do MCTI, provoca a plateia dizendo ser uma hipocrisia liberar o cigarro, que sabemos causar câncer, e não liberar a fosfo, que já foi provado não ser tóxica. Ora, mas de acordo com a teoria de Claro Neto e Chierice, o cigarro não deveria causar câncer, porque agentes mutagênicos que atuam no DNA, como tabaco e radiação UV, foram excluídos pela teoria lipídica. E, partindo do mesmo raciocínio, devemos banir os protetores solares, que certamente são inúteis na prevenção do câncer de pele e parte da conspiração da Big Pharma.

A teoria na qual eu imagino que o prof Chierice e Claro Neto se baseiam para dar sustentação à sua fábula, assim como as teorias da dieta cetogênica e da dieta alcalina, é a teoria de Warburg, proposta em 1926. Warburg observou que grande parte das células tumorais fazia glicólise – ou respiração anaeróbica – mesmo em presença de oxigênio. Isso faz com que as células tumorais utilizem quantidades enormes de glicose, já que a glicólise produz bem menos energia para cada molécula de glicose do que a respiração aeróbica. Esse fato serve de base inclusive para a tecnologia utilizada em testes diagnósticos como o PET-scan, que consegue visualizar células tumorais avidamente utilizando glicose marcada com radiação.

O efeito de Warburg existe, e é realmente uma marca da maioria das células tumorais. No entanto, um mesmo tumor pode conter células que operam sob efeito de Warburg e células que seguem respirando normalmente. Um mesmo tumor também pode apresentar fases onde predomina o efeito Warburg e fases onde predomina a respiração aeróbica. Assim, é errado generalizar. E não, o efeito Warburg NÃO CAUSA O CÂNCER, como afirma o pessoal de São Carlos, ele é uma característica de muitas células tumorais.

Baseando-se também nesse efeito, e no fato de o tumor “alimentar-se” preferencialmente de glicose, a teoria cetogênica afirma que uma dieta pobre em carboidratos mata o tumor de fome, então basta não incluir carboidratos na sua dieta; a dieta alcalina combate o meio ácido “necessário” para o desenvolvimento do tumor, uma vez que a respiração anaeróbica gera ácido lático, mostrando mais uma vez a inversão de causa e efeito. O ácido lático é gerado pela respiração anaeróbica, ou seja, é uma consequência do tumor, e não sua causa, nem tampouco um pré-requisito para o seu desenvolvimento. Esses são exemplos de distorções de um conceito válido para acomodar teorias não fundamentadas.

Além da função respiratória, sabe-se hoje que a mitocôndria participa do processo de apoptose, ou morte celular programada. Assim, Chierice e Claro Neto montaram sua “teoria”, de que tudo reside em uma falha na mitocôndria, e que sua “reativação” corrigiria o processo.

No entanto, mais um conceito errado: a participação da mitocôndria no processo de apoptose não depende do efeito de Warburg. Os efeitos podem estar relacionados, mas não são inter-dependentes. Na verdade, se os dois efeitos estivessem totalmente acoplados, as células seriam sempre resistentes aos tratamentos com quimioterapia e radioterapia, que também induzem morte celular. Além disso, o processo de apoptose também não depende exclusivamente da via intrínseca – ou mitocondrial. 

Outro fator preocupante é que, sabe-se lá o porquê, eles associaram o perfeito funcionamento do sistema imune ao processo, levando ao argumento perigoso de que os pacientes deveriam interromper a quimioterapia, pois o efeito da fosfo requer um sistema imune intacto. Esse fato foi divulgado pelo grupo em várias reportagens e entrevistas, e mesmo podendo-se argumentar que ninguém nunca disse diretamente, em público, “largue sua quimioterapia”, a veiculação dessas entrevistas pela mídia confundiu a população e pode sim ter induzido pessoas a tomarem essa decisão. O sistema imune não está envolvido no processo de apoptose. Até aqui, temos a explicação pseudo-científica.

 

A teoria do Butantan

Já o grupo do Butantan, liderado por Durvanei Maria, com uma abordagem mais científica, identifica que, nas células tumorais, o processo de apoptose está prejudicado, e acredita que a fosfo, PHO-S, pode corrigir uma via de apoptose que depende da mitocôndria.

A pesquisa de Maria pouco tem a ver com a linha defendida pela equipe de São Carlos. Maria defende que a fosfoetanolamina é apenas mais um APL (alkyll-phospho-lipid), um fosfolipídeo como tantos outros já descritos na literatura – a saber miltefosine, eldefosine e perifosine – que se mostraram promissores como uma classe de quimioterápicos capazes de atuar na membrana da célula, ativando vias de apoptose e levando à morte celular.

Esses APLs atuam da mesma maneira que alguns quimioterápicos e a radioterapia, com a diferença que atuam na membrana, e não no DNA. Alguns quimioterápicos, como a cisplatina e a radioterapia, causam danos no DNA. É como se mandassem uma mensagem para a célula, dizendo que “há danos irreversíveis no seu DNA, por favor se mate”.  Os fosfolipídeos fazem exatamente a mesma coisa, mas atuam na membrana e não no DNA, dizendo à célula “há danos na sua membrana, por favor se mate”.

A ideia não é nova, nem tampouco original. E muito menos vai na contramão das pesquisas modernas e de tudo que se sabe sobre câncer até hoje, como defende Renato Meneguelo, que desenvolveu sua dissertação de mestrado no laboratório de Maria. A hipótese de Maria pode ser validada se, em algum momento, o grupo liderado por ele resolver explorar melhor o mecanismo de ação do que eles chamam de PHO-S (ou seja lá o que for que tem dentro daquelas cápsulas azuis), assim como foi feito para os demais APLs.

Se for mesmo a fosfo fornecida por São Carlos, o grupo deveria no mínimo comprovar o grau de pureza, ou separar os componentes e testá-los novamente. Além disso, PHO-S não tem a mesma estrutura dos demais APLs. Segundo Maria, ela seria um precursor, que, acoplado a algum outro lipídeo – que não sabemos qual é e que precisa estar presente na circulação do paciente -, formaria uma molécula similar aos APLs estudados. Essa hipótese precisa ser mais bem estudada e demonstrada. Isso tudo se for demonstrado que PHO-S é a molécula responsável pelo efeito observado nos estudos, já que agora sabemos que se trata de uma mistura de componentes. Então temos uma mistura de componentes, dos quais talvez um deles, não sabemos qual (possivelmente a monoetanolamina), seja um precursor que se liga a uma outra molécula (um ácido graxo), que também não sabemos qual seria, formada a partir dessa ligação, um possível APL. E para se somar a tudo o que não sabemos, ainda parte-se do pressuposto que essa reação de PHO-S + X = APL poderia acontecer in vivo. É muita suposição para poucos resultados. Há muito trabalho a se refazer.

Até o presente momento, o grupo apenas realizou trabalhos empíricos que mostram uma discreta ação do composto sobre células tumorais e tumores induzidos em animais, usando para isso uma grande quantidade da substância. Mostrou também a polarização da mitocôndria, e ativação da via de caspases, que é uma via de apoptose. Esse resultado é especialmente interessante, pois mostra que o efeito da PHO-S pode ser demonstrado em cultura de células, combatendo as críticas mais comuns apresentadas pelo público, de que célula não tem fígado, nem sistema imune. A população ficou confusa com as explicações de São Carlos, e o grupo do Butantan não veio a público explicar os seus próprios resultados de maneira didática. Dado o clamor popular gerado, eu diria que essa explicação é necessária.

Os resultados do Butantan foram reproduzidos em parte pelo MCTI. No “debate” de 11 de junho, Maria debateu – com ele mesmo, suponho –  que o MCTI não usou a mesma metodologia, já que deu a droga por via oral, enquanto nos trabalhos publicados ele usou via intra-peritonial. Não sei se nesse debate ele convenceu a si mesmo que isso é uma grande vantagem, já que a população tratada por Chierice tomou as cápsulas por via oral, e essa cinética nunca foi abordada.

Faltou mencionar também que os demais APLs foram reprovados em testes clínicos quando utilizados sozinhos, apesar de seus resultados promissores induzindo apoptose em células e tumores de animais. Essa informação teria sido valiosa para a população leiga ali presente, para que entendessem que a fosfo, mesmo sendo um composto promissor, tem grande chance de falhar nos testes clínicos, como moléculas semelhantes já falharam. Teria sido muito bom também explicar às pessoas que a fosfo será provavelmente usada como um adjuvante na radioterapia e quimioterapia, assim como os outros APLs. Informações como essa poderiam evitar o abandono de tratamentos e salvar vidas.

Os trabalhos do MCTI, por mais que o grupo grite que foram “subornados” ou feitos com outra substância, estão publicados em detalhes para quem quiser conferir. O fato de não haver nenhum membro do grupo participando não deveria preocupar ninguém, já que um dos princípios da ciência é sua possibilidade de ser replicada justamente por grupos independentes, para eliminar vieses e falhas de metodologia.

Não adianta chorar sobre a fosfo derramada se o trabalho não for replicado. A única saída para isso é trabalho duro. Se esse grupo do IQSC + Butantan não conseguir empenhar um pouco de esforço para mostrar que o composto funciona, vão ter que se contentar, sim, com os resultados do MCTI. A julgar pelo que foi produzido nos últimos 25 anos, eu diria que o ritmo deles é um pouco lento. E sim, o ônus da prova é deles. Ou então liberem logo como suplemento e vendam como pseudociência. Não vai dar para conciliar incompetência, incongruência e ego.

 

http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC4860798/

http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/24628238

http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC4841408/

http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/13351639?access_num=13351639&link_type=MED&dopt=Abstract

http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC4860798/

https://www.researchgate.net/publication/281491732_Mitochondrial_Alteration_A_Major_Player_in_Carcinogenesis

http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/16728594

http://mct.aacrjournals.org/content/2/11/1093.full

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23 comentários

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  1. Diego Rodriguez

    Vocês finalizam:
    Não adianta chorar sobre a fosfo derramada se o trabalho não for replicado. A única saída para isso é trabalho duro. Se esse grupo do IQSC + Butantan não conseguir empenhar um pouco de esforço para mostrar que o composto funciona, vão ter que se contentar, sim, com os resultados do MCTI. A julgar pelo que foi produzido nos últimos 25 anos, eu diria que o ritmo deles é um pouco lento. E sim, o ônus da prova é deles. Ou então liberem logo como suplemento e vendam como pseudociência. Não vai dar para conciliar incompetência, incongruência e ego.

    Conclusão dos últimos testes do MCTI:
    http://www.mcti.gov.br/documents/10179/1274125/Relatorio+Tumor+Xenografico/415ff3fa-59b3-4e63-8d42-d258f3265235

    Na conclusão diz que a fosfoetanolamina foi sim eficiente contra o câncer.

    Realmente não entendo manipular tanto uma informação, dando ao leitor desavisado a informação de que o MCTI diz que não funciona, quando na verdade, BASTA LER ACIMA, ele AFIRMAM que funciona.

    Assim que vocês querem falar de ciência? Ual heim!

    1. Natália Pasternak Taschner

      Caro Diego
      O MCTI relata que a mistura de São Carlos foi ineficaz em todos os tumores estudados, exceto melanoma, onde apresentou redução no ritmo de crescimento do tumor, e somente quando utilizada em dosagem de 500mg/kg do animal, correspondendo a uma dose 2,5 vezes maior do que a prescrita pelo prof Chierice a seus pacientes. Ainda assim, o desempenho da fosfo foi inferior ao da cisplatina, que não só reduziu o crescimento do tumor mas também o seu volume. Assim, nessas condições e SOMENTE nessas condições, a droga teve um efeito modesto sobre um tipo de tumor. eu deixei isso bem claro no meu texto. O MCTI também. Mas estou às ordens para maiores esclareceimentos e para evitar a propagação de informações erradas. Além disso, como se trata de uma mistura de substâncias, esse efeito discreto pode ser atribuido à monoetanolamina, que era o único componente que ao ser testado isoladamente, mostrou efeito em culutra de células. Isso é bem difernte de afirmar que funciona, e que funciona para TODOS os tipos de tumores. Se o senhor acredita que não são necessários mais estudos só por causa desses resultado, o senhor precisa entender melhor como se faz ciência. obrigada.

      1. Bruna Becker

        Natália, por que apagastes os comentários que o Diego Rodriguez postou em respostas a este seu último comentário?

        1. Natália Pasternak Taschner

          oi, Bruna, o comentário do Diego está lá, sim, e foi respondido. abraço.

          1. William

            “Está lá” onde? Só vejo um comentário dele. Aliás, por que não postaram o que escrevi em relação ao comentário que fez o Artur sobre aquele texto deplorável da Ruth? Sou obrigado a concordar com o Artur quando diz que é um blog quase de deep web. Aliás, acabaram de perder mais um leitor.

          2. Natália Pasternak Taschner

            Caro William, ou Bruna.
            O Café na Bancada se reserva o direito de deletar comentários que contenham ofensas pessoais e palavras de baixo calão, e que não ofereçam nada para a discussão do tema. Logo após a postagem, recebemos vários comentários com esse perfil, e foram todos deletados. De resto, mesmo que faltem com o respeito e educação, publicamos, porque defendemos a liberdade de expressão, tanto que o comentário do Sr Artur e o seu permanecem aqui. No seu blog ou página pessoal vc usa a linguagem que julgar mais apropriada. No meu, essas são as regras. Dúvidas, críticas e questionamentos, hostis ou não, serão sempre bem vindos. Palavrões e xingamentos não. Obrigada.

          3. Natália Pasternak Taschner

            William, consegui recuperar o seu comentário que não tinha sido excluído, estava apenas aguardando aprovação. Deve ter vindo junto com uma leva de outros com as características que citei acima. Eu o restaurei, e peço desculpas porque realmente este deve ter sido um engano meu. Nos demais, valem as regras que coloquei.

          4. Bruna Becker

            Natalia, na verdade há alguns dias me deparei com alguns vídeos no youtube em que continham, além de muitas ofensas a todos os tipos de profissionais e pesquisadores do mundo, muito informação errônea e equivocada em relação à fosfoetanolamina.
            Durante alguns dias, tentei explicar a este moço (Diego), que de acordo com o relatório do MCTI o uso da fosfoetanolamina não reduziu o volume do tumor- apenas retardou a velocidade de crescimento (exatamente como está escrito).
            Muito embora eu tenha ilustrado inúmeras vezes, explicado de forma simples e de fácil entendimento a todos os leigos- exatamente iguais ele-, as afirmações totalmente às avessas em relação à fosfoetanolamina seguem sendo sustentadas e divulgadas.
            Quando o questionei do porque não haviam mais respostas dele a ti neste blog, ele foi bem enfático em dizer que você as havia apagado.
            Pois bem, até hoje à tarde, mesmo sendo totalmente imparcial quanto a opiniões e tentando demonstrar, apenas, o que contém no relatório e o que, de fato, é verdade e condiz com a realidade, recebi “uma porção” de desejos para que eu tenha todos os tipos possíveis de câncer possíveis, recebi muita ofensa pessoal e profissional e, quando o questionei em relação a estas respostas que não haviam neste blog, fui bloqueada (risos).
            Embora tudo isto tenha acontecido, fiquei pasma em como as pessoas leigas conseguem interpretar ao seu modo o que está escrito (destorcendo totalmente os fatos) e, o pior: têm a audácia em lhe ofender e em lhe “ensinar” a interpretar os resultados.
            Ao final de tudo isto, pelo menos, reuni muitos prints em que contém pérolas épicas- e que já vitalizaram em algns grupos de whatsapp.
            Suas explicações acerca do tema são ótimas, Natalia.
            Tenha uma boa semana!
            Abracos

  2. marcio

    O tumor em camundongos reduziu em 34% em 24 dias!!!! lembrando que o tratamento com a fosfo é de 8 meses, 3 capsuça por dia e não uma capsula!!!! ou seja se os teste fossem de 8 meses com 3 capsulas não sombraria nada do tumor! E oque é melhor sem efeitos colaterais, ao contrario da cisplatina antigamente usada para matar soldado! Por essas e outras o MCTI vai continuar com as pesquisas sobre a fosfo!

    E ore a Deus para nunca precisar da fosfo Natália Pasternak Taschene já que está tentando influenciar de forma negativa as pessoas, vai que cola!

    Forte Abraço

    1. Natália Pasternak Taschner

      Caro Marcio,
      O MCTI realmente deveria ter tomado o cuidado de descever seus resultados de forma mais didática, para um melhor acompanhamento do público leigo. Leia lá com atenção, e se precisar tirar dúvidas, estou às ordens, mas o tumor reduziu em 34% o seu RITMO de crescimento, o volume tumoral não teve regressão. Isso quer dizer que ele só estava crescendo mais devagar. Isso é um resultado legal, de qualquer maneira, e quem sabe a susbstância resposnsável, seja fosfo ou monoetanolamina, poderá ser usada como um suporte para quimio e radioterapia, assim como os demais fosfolipídeos que já existem? Outra coisa é sobre a dosagem, os animais nos quais houve efeito receberam uma dose de 500mg/kg, o que equivaleria um humanos a 8 cápsulas por dia da fosfo de São Carlos. Então, supondo que o efeito fosse idêntico em humanos, e nem sempre existe essa equivalência, a pessoa teria que tomar 8 cápsulas, para ter um efeito de redução do crescimento do tumor. Quando Judah Folkman descobriu as primeiras drogas anti-angiogências, elas tinham até 80% de redução de tumor em animais! Era um resultado fantástico. Mas isso não se reproduiziu em humanos. claro que qalquer efeito positivo já ajuda, e sou favorável a mais experimentos. E claro que se pudermos reduzir com isso a dose de quimio ou radioterapia utilizados já será váilido. Minha luta é para que tudo seja feito de forma sensata e científca, sem dar falsas esperanças às pessoas doentes e seus familiares. Quero influenciar as pessoas para que não abanodonem seus medicos e tratamentos para trocá-los por curandeirismo e substâncias ilegais. Mesmo que seja promissora, a fosfo ainda precisa percorrer um longo caminho. Creio que todos rezamos para nunca precisar de nenhum tratamento para câncer, Marcio, mas rezo também para que ninguém mal intencionado engane as pessoas usando de falsa ciência, para se auto promover. Te garanto que se a fosfo, após todos os testes, for aprovada como um fosfolipídeo para tratamento de tumor, serei a primeira a anunciar isso aqui no blog. Mas até lá, prudência e paciência. E deixemos o MCTI trabalhar fazer os testes que não foram feitos nesses 25 anos. grande abraço, e obrigada por ler o Café.

  3. FosfoCrente

    Olá Natália,

    Como você sabe, a fosfoetanolamina é ácida. A fosfoetanolamina de São Carlos é tamponada de forma a, não só neutralizá-la, mas também a promover uma ligação (com as outras substâncias da “mistura”) de uma forma que , no fígado, possam ser quebradas e ligadas a ácidos graxos para formar o fosfoLIPÍDEO (fosfatidiletanolamina).
    Como o Dr. Gilberto faz isso, não sei se vai vir a público tão rapidamente.

    Não entendo porque tanta gente insiste em dizer que dentro da cápsula deveria ter fosfoetanolamina pura. Então que desenvolvam sua própria fosfoetanolamina e testem prá ver se funciona.
    Aliás, não sei porquê, na UNICAMP estão tentando, mas parece que o Luiz Carlos está quebrando a cabeça e não está conseguindo. Ele até pediu ao professor Calixto, do CIEnP para testar uma mistura de 70×30% (fosfoetanolamina x monoetanolamina), para ver se funcionaria sua síntese. Ele não se conforma com o fato de que a fosfoetanolamina “da USP” funciona e a fosfoetanolamina “da UNICAMP” não funciona.

    Tenho uma pergunta: Você está certa de que a proporçãoem mg/ Kg (a grosso modo 12×1) entre doses de quimioterápicos em camundontos e em humanos, que é válida para quimioterápicos, é válida tamém para fosfolipídeos via oral? Por favor, não estou dizendo que você não sabe. Eu realmente não sei, e como você é doutora, estou te pedindo este esclarecimento.

    1. Natália Pasternak Taschner

      Prezado,
      Primeiramente, obrigada pela cordialidade. Tenho recebido tantas mensagens hostis, que é um prazer poder conversar com alguém que tem dúvidas e não ofensas.
      Não existe segredo em ciência. Os artigos publicados demonstram PHO-S como um possível precursor de APL. Não informam o mecanismo dessa reação porque não sabem, e certamente não porque o prof Chierice está “escondendo”. Dizemos em ciência que se não está publicado, não existe. Pode estar certo que os autores dos artigos sabem disso. Quando e se esse mecanismo for compreendido, vão publicar. As pessoas insistem em acreditar que deveria ter fosfoetanolamina pura nas cápsulas porque foi essa a informação que lhes foi passada. No seminário do dia 11/06, Chierice novamente falou que não há monoetanolamina nas cápsulas dele, porque ela “evapora” durante o processo de síntese.
      Em relação à Unicamp, recomendo cautela na maneira como você faz afirmações. Se você tem toda essa intimidade com o grupo da Unicamp a ponto de compartilhar fofocas sobre eles, não sei por que está tirando dúvidas comigo e não com eles. Caso contrário, não faça fofocas sobre quem você não conhece. A Unicamp faz constar em seu relatório que sintetizou a substância de acordo com as instruções da patente. E que obteve a mesma composição das cápsulas enviadas por São Carlos, que foram abertas, pesadas e analisadas. Portanto concluímos que a substância testada é a mesma, e não existe fosfo de São Carlos e fosfo da Unicamp. Se você realmente acredita que eles usaram um produto diferente, recomendo que entre em contato diretamente com eles, os emails estão todos no relatório, são pesquisadores sérios e tenho certeza de que irão te atender.
      Em relação à sua dúvida, a correlação de dose camundongo/humano é obtida através do guia da FDA http://www.fda.gov/downloads/Drugs/Guidances/UCM078932.pdf, levando em conta massa e superfície do animal, e não é restrita para quimioterápicos. espero ter ajudado, abraço.

  4. FosfoCrente

    Cara Natália,

    Obrigado pela resposta.

    Gostaria de esclarecer que minha afirmação sobre o fato de o Luiz Carlos estar tentando descobrir o que realmente faz efeito e em busca disso ter pedido ao professor Calixto para testar uma mistura de fosfoetanolamina e monoetanolamina foi retirada do vídeo do seminário ocorrido no INCA, conforme você poderá ver nos vídeos do seminário a partir dos links abaixo:

    https://www.youtube.com/watch?v=fIP_cesJlnY
    A partir de 01:41:15

    https://www.youtube.com/watch?v=q6Es2vn3IAw
    A partir de 02:29:16

    1. Natália Pasternak Taschner

      Prezado,
      Assisti ao video na íntegra, e em nenhum momento o prof Luis Carlos demonstra surpresa ou admiração pela “fosfo de São Carlos funcionar”. Ele deixa bem claro que a amostra não é pura, e que portanto, não sabemos à qual substância atribuir o efeito observado. No momento em que ele comenta que o prof Calixto vai testar uma mistura de fosfo e mono, ele ressalta que é um tentativa de entender um possível efeito utilizando moléculas puras, o que não ocorre na mistura que decorre do método de síntese da patente, e das cápsulas fornecidas. é apenas mais uma tentativa de replicar os experimentos do grupo de uma forma mais limpa, coisa que o grupo do IQSC deveria ter feito e não fez. O MCTI está fazendo em 6 meses todo o trabalho que não foi feito em 25 anos. E se mesmo com todas essas tentativas nao conseguir replicar, que é um princípio fundamental da ciência, não vai ser possível validar nada. Isso porque estamos falando ainda de validar os testes pré-clínicos…Espero que tenha ficado mais claro agora. abraço.

  5. Gabriel

    ” Salvador Claro Neto, atestando que o câncer não é uma doença genética, mas sim uma doença lipídica. ”

    Radiações de certos comprimentos de onda, chamadas de radiações ionizantes, têm energia suficiente para danificar o DNA das células e causar câncer. Estudos feitos com sobreviventes da explosão das bombas atômicas e pacientes que se submeteram à radioterapia mostraram que o risco de câncer aumenta em proporção direta à dose de radiação recebida, e que os tecidos mais sensíveis às radiações ionizantes são o hematopoético (medula óssea), o tiroidiano, o mamário e o ósseo. Fonte: INCA ( Instituto Nacional de Câncer).

    ” Essa carência nutricional faria com que a mitocôndria da célula parasse de funcionar. ”
    ” A glicólise acidifica o meio, e isso poderia causar mutações no DNA. ”

    Natália, as duas afirmações acima estão corretas?

    1. Natália Pasternak Taschner

      oi, Gabriel, não entendi, vc me pergunta se é verdade que o Sr Salvador falou esses impropérios ou se são impropérios? No caso, sim, o Sr. Salvador falou exatamente isso, e sim, são conceitos espúrios. Tanto a radiação como agentes químicos podem lesar o DNA e aumentar o risco de câncer. Isso ocorre com a exposição ao tabaco e à radiação UV. Não á absolutamente nenhuma evidência para amparar a teoria do Sr Salvador de que o câncer seria uma doença lipídica, e de que as mutações seria decorrentes disso. respondi sua questão? abraço.

      1. Gabriel

        Natália, eu quis saber se o que é afirmado por Salvador já foi observado por cientistas e você respondeu a pergunta, obrigado.

  6. Gabriel

    ” Warburg observou que grande parte das células tumorais fazia glicólise – ou respiração anaeróbica – mesmo em presença de oxigênio. ”

    Natália, você sabe o por que isto acontece?

    1. Natália Pasternak Taschner

      oi, Gabriel, provavelmente por conta de uma mutação em p53, esse paper explica bem http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC3969270/. A menor atividade da mitocôndria poderia estar relacionada a um aproveitamento de precursores da cadeia respiratória para fins estruturais, e especula-se também se seria uma vantagem adaptativa para condiçoes de hipoxia encontradas em tumores solidos.

      1. Gabriel

        ” A menor atividade da mitocôndria poderia estar relacionada a um aproveitamento de precursores da cadeia respiratória para fins estruturais. ”

        Natália, por que as células tumorais perderiam eficiência energética, já que os precursores da cadeia respiratória são usados para formar estruturas celulares?

        ” e especula-se também se seria uma vantagem adaptativa para condições de hipoxia encontradas em tumores sólidos. ”

        Natália, a sua resposta acima é sobre células tumorais que fazem respiração anaeróbia em condições de hipoxia. E a grande parte das células tumorais que fazem respiração anaeróbia, mesmo com o oxigênio disponível? Elas teriam alguma vantagem comparadas às células que fazem respiração aeróbia?

        1. Gabriel

          Natália, eu não percebi que a resposta para a minha pergunta, ” Por que as células tumorais perderiam eficiência energética, já que os precursores da cadeia respiratória são usados para formar estruturas celulares? “, está na própria pergunta.

          Eu gostaria de fazer outra pergunta. Por que as células tumorais anaeróbias usam os precursores da cadeia respiratória para formar estruturas?

  7. Pablo

    Para nathália, e quem quiser ler um texto beeeeeeeeeeeeem claro e didático sobre cancer e ph alcalino. VALE MUITO A PENA A LEITURA.

    http://www.lowcarb-paleo.com.br/2015/02/dois-pesos-duas-medidas-o-pensamento.html

    Qualquer leigo vai entender e rir, de quao ridícula é essa teoria (pregada e muito por Lair Ribeiro, o qual eu considero um excelente charlatão).

    Sou defensor de uma dieta de baixo carboidratos mas não para câncer. Há evidências robustas de benefícios para diversos problemas (o proprio blog q eu citei é um manancial de evidencias ciêntíficas sobre a dieta low carb, ou a paleo (nao necessariamente cetogênicas).

    1. Natália Pasternak Taschner

      obrigada Pablo! abraço.

  1. Em maio, desmatamento na Amazônia manteve aumento retomado desde fevereiro | Direto da Ciência

    […] O que de fato sabemos sobre a fosfoetanolamina – uma visão científica Natalia Pasternak Taschner […]

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