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abr 14

O cientista e a síndrome de Cassandra: o dia em que a política me calou

Primeiro vieram os shampoos que atuavam diretamente no DNA do seu cabelo. Mas eu não falei nada porque afinal, era só um shampoo. Eu ri muito do assunto com meus colegas do laboratório. Fizemos piadas de que o shampoo devia ser mutagênico, que deveria conter brometo de etídeo (um composto perigoso que atua realmente no DNA provocando mutações), comentamos como as pessoas são ingênuas de acreditar nessas bobagens, e até falamos do analfabetismo científico. Discutimos que se as pessoas soubessem que qualquer coisa que “atua no DNA” é perigosa, ninguém compraria o tal shampoo, e comentamos como as empresas usam a linguagem da ciência para vender. Mas logo voltamos ao trabalho, porque afinal, somos cientistas e temos mais o que fazer. E era só uma propaganda de shampoo. Que mal ia fazer?

Depois vieram as bananas maduras que curam o câncer porque têm fator de necrose tumoral nas manchas escuras. E eu não falei nada, porque afinal, era só uma banana. E novamente rimos muito no laboratório, comentando como as pessoas são ingênuas e acreditam em qualquer coisa que leem na internet. Muito cultos, citamos Umberto Eco, fizemos piada sobre o fator de necrose em célula vegetal, até comentamos a pesquisa do grupo japonês que teria dado origem a mais um mito de internet. Mas logo voltamos ao trabalho, porque afinal, somos cientistas e temos nossas pesquisas para tocar. E era só uma banana. Que mal ia fazer?

Então vieram as dietas detox, e eu não falei nada, porque afinal, era só uma dieta. Outra conversa na bancada do laboratório se seguiu, desta vez com um tom um pouco menos jocoso, um pouco mais preocupado, mas ainda assim nos perguntando como era possível alguém acreditar que ia eliminar toxinas do corpo seguindo uma dieta de frutas? Será possível que ninguém se perguntava que toxinas eram essas? Ninguém entendia qual a função do fígado no nosso organismo? E pior, por que alguém ia acreditar que, eliminando as toxinas que não existem, isso ia provocar emagrecimento? Alguns de nós até se aventuraram e tentaram explicar para a mídia que as pessoas estavam sendo enganadas. Que estavam gastando dinheiro à toa. Ficamos com inveja da quantidade de livros que foram vendidos sobre a dieta detox. Alguém certamente estava ganhando muito dinheiro à custa da ignorância da população. Mas logo voltamos ao trabalho. Era só uma dieta. Ninguém ia morrer de passar alguns dias só tomando suco de maçã com couve. Temos nossas pesquisas para tocar.

Vieram as terapias alternativas. Homeopatia, acupuntura, cura pelas mãos, reiki, cristais terapêuticos. Era tanta pseudociência junta que não valia nem a pena comentar. Exceto por alguns casos extremos, em geral essas terapias só faziam mal para os bolsos das pessoas. E não tinham nenhum grande impacto sobre o andamento da ciência. Ninguém cortou nossa verba. Desperdiçou-se um montante para comprovar o óbvio: terapias alternativas não funcionam. A comunidade até se posicionou quando outros países baniram a homeopatia da rede pública de saúde. Comemoramos. Mas não aproveitamos a onda para pressionar o Congresso a fazer o mesmo no Brasil. Ainda temos faculdades de Farmácia que ensinam homeopatia. Ainda temos a vacina homeopática da dengue sendo distribuída na rede pública de saúde. Mas seguimos com nosso trabalho, porque afinal, as pseudociências sempre vão existir. 

Mas aí veio a fosfoetanolamina. A cura do câncer. E o que era pior: ela veio de dentro. Ela nasceu ali, na nossa Universidade. Ninguém viu, e quem viu se calou, porque afinal, era só um louco produzindo umas cápsulas para população local de uma cidade pequena. Mas a fosfo cresceu. E quando eu decidi falar, porque enfim a situação era séria e perigosa, eu procurei minha voz e não encontrei. Minha voz tinha sumido. Eu nem sabia, porque não estava acostumada a usá-la. E quando finalmente consegui falar, ninguém me ouviu. E por que ouviriam? Ninguém sabia quem eu era. Cientistas? Eles só querem mesmo é que a gente fique doente para comprar os remédios que eles inventam. Cientistas brasileiros? Eles não sabem nada, tem que mandar investigar nos EUA. Cientistas? Eles não querem ajudar a população. Eles estão com inveja do único cientista sério, esse que descobriu a pílula do câncer. Esse sim é cientista. Ouvi dizer que ele é professor na USP. Deve saber o que diz.

A população que não sabia o que era ciência, que não tinha como saber porque não foi educada para isso, adotou o “cientista” que sabia falar. Aquele que usou sua voz para fazer demagogia, para ludibriar, para dizer às pessoas o que elas queriam ouvir, porque afinal, quem não gostaria de saber que foi descoberta a “cura universal do câncer”, e, ainda por cima, na forma de uma pílula simples, basta tomar três por dia e pronto. Não precisa de hospital, não precisa de quimioterapia, não precisa de sofrimento. O cientista que vendia sonhos era muito mais atraente do que o cientista que vendia realidade.

Quando eu quis falar, era tarde demais. Era tarde, porque eu nunca tinha falado antes. Eu não construí uma relação de credibilidade com a população. Eu nunca tive a preocupação de mostrar o meu trabalho. De cuidar deles. De dar satisfação para eles do dinheiro que recebo do governo, recolhido dos impostos que eles pagam.

Silenciada pela demagogia política, a comunidade científica toda tentou falar. Mas é tarde. Já fomos todos acometidos pela síndrome de Cassandra. Não temos credibilidade. Ninguém acredita no que temos para dizer. Assim como Cassandra, nós tentamos alertar para o perigo de liberar uma substância que não foi devidamente testada. Todas as entidades de classe se posicionaram. A ANVISA recomendou o veto à presidente Dilma Roussef. A USP se pronunciou, assim como o INCA, a SBPC, a SBOC, o hospital AC Camargo, e tantos outros. Ninguém escutou.

Calados e desvalorizados por uma população que não entende a importância da ciência e da tecnologia para a sociedade, nos deparamos também com cortes em nossas verbas. Milhões são alocados para a fosfoetanolamina. Milhões são cortados de nossas bolsas e nossos projetos de pesquisa. Já não podemos voltar ao trabalho. Logo estaremos todos desempregados ou fora do Brasil.

Fechem a ANVISA. Cortem as bolsas. Cortem as verbas dos projetos de pesquisa. Deixem o Brasil ser dizimado por uma epidemia que poderia ter sido prevista e contida. Cortem os investimentos na educação. Deixem a população ser analfabeta e ignorante. Voltemos à idade das trevas. Usemos sanguessugas e sangria para tratar doenças. Combinaria perfeitamente com os sanguessugas que fazem ciência no Congresso Nacional. Já não somos necessários. A ciência brasileira está de luto. O Café na Bancada está de luto. Nós não falamos quando foi preciso. E agora não sobrou ninguém para falar por nós.

 

                                                        “Vivemos em uma sociedade extremamente dependente da ciência e da tecnologia, em que quase ninguém sabe nada
sobre ciência e tecnologia. Isso é receita para o desastre.”

                                                                                                              Carl Sagan

musarabica de luto

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

http://portal.anvisa.gov.br/wps/content/anvisa+portal/

anvisa/sala+de+imprensa/menu+-+noticias+anos/201616/anvisa+reforca+alerta+para+os+riscos+sanitarios+provocados+pela+lei+n+13269

Agradecimento especial ao pastor Martin Niemöller, pelo poema:

“Primeiro vieram prender os socialistas, mas eu não falei nada

Porque eu não era socialista

Depois vieram prender os sindicalistas, mas eu não falei nada

Porque eu não era sindicalista

Depois vieram prender os judeus, mas eu não falei nada

Porque eu não era judeu

Então vieram me prender – e não restava ninguém para falar por mim”.

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53 comentários

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  1. Lucas de Oliveira Martins

    Isso é realmente triste, serei um futuro cientista num país que odeia a ciência

  2. Fernanda

    quando voce aponta acupuntura de pseudo ciencia voce ignora todos os artigos cientificos publicados comprovando sua eficiacia

    1. Natália Pasternak Taschner

      Cara Fernanda, leia: http://cafe-na-bancada.com.br/index.php/acupuntura-parte-ii-placebo-com-agulhas/
      Existem artigos “científicos” sobre todas as pseudociâncias. As meta-análises e análises individuais de artigos mostram que todos eles padecem de falhas metodológicas e viés de publicação. Isso dos que não foram retratados. Garanto que li todos. Para informações mais detalhadas, leia Edzard Ernst e R. barker Bausell. abraço.

  3. Fabrício

    Natália, vc é muito arrogante. Tenta mudar isso para sua evolução pessoal, caso queira…abraço

    1. Maria Paula Ewald

      “(…)pesquisadora que acredita em evidência anedótica até dói na alma.” Vou usar para a vida! <3
      Parabéns pelo seu texto brilhante!!! Muito esclarecedor e direto ao ponto!

  4. Edu Frin

    Oi, Natália.

    Belo texto. Que alegria em lê-lo. Embora não concorde com absolutamente tudo que escreveu, é inegável a sua competência em defender o seu ponto de vista e importantíssimo o seu chamamento à reflexão. Vou compartilhar com minha esposa que também é pesquisadora. Beijo e parabéns!

    Edu Frin.

    1. Natália Pasternak Taschner

      obrigada Edu. Fico mais feliz ainda com seu comentário porque justamente o fato de não concordar em tudo não invalida a mensagem, como muitos infelizmente colocam. Como se o mais importante fosse pensarmos todos de maneira igual e não o convite a uma reflexão e discussão que são tão importantes para o andamento da ciência. grande abraço!

  5. Gabriela

    Se a população é “analfabeta e ignorante” a culpa é nossa, dos CIENTISTAS. Quantos de nós vão fazer divulgação científica? Vão nas escolas? Perguntam-se se sua pesquisa de fato atinge problemas da população? Escrevem textos que as pessoas fora da comunidade conseguem entender? Bem classista você, jogando nas costas das pessoas de outras profissões entender conceitos científicos.

    1. Natália Pasternak Taschner

      querida Gabriela, mas foi exatamente isso que eu disse no texto. A culpa é TODA NOSSA. Por isso eu digo que nunca falamos antes, e agora reclamamos que ninguém nos ouve. Ficamos fechados em nossos laboratórios e não prestamos contas à sociedade – que aliás paga nossos salários – do que fazemos ali. E ainda reclamamos que ninguém entende ciência. A culpa é nossa, sim, e o texto é uma bronca para a classe científica, e ressalta a importância da divulgação, em linguagem didática, como o Café na Bancada se propoe a fazer. Dê uma olhada pelo nosso site, é exatamente isso que buscamos, somos cientistas que tentam comunicar a ciência de forma simples, e mostrar para a população como a ciência é divertida e o impacto que gera no cotidiano. Não quero de jeito nenhum jogar essa responsabilidade nas pessoas. Leia de novo o texto, às vezes no calor do momento, interpretamos mal. E O Café na Bancada também oferece serviços em escolas, sim, como você sugeriu. Estamos tentando fazer nossa parte. obrigada pela sua participação. grande abraço.

      1. Marcelo

        Todas as esferas (governo, mídia, cientistas, sociedade) tem uma parcela de responsabilidade,

        A ignorância é um ciclo vicioso, diga-se de passagem. Os políticos são uma reflexão direta da nossa sociedade: sem apreço algum por ciência ou educação. Especialistas em demagogia. Quando toda a pop. ignorante (bem mais numerosa que a nossa classe) pressionou, o que mais poderia acontecer?

        Não deve ser fácil tentar fazer divulgação científica em um solo infértil como o brasileiro. Não acho que a culpa é somente do aluno de pós graduação sem direitos trabalhistas, em formação, atolado de estudos e projetos. Ou dos professores universitários que têm que conciliar aulas, orientações, bancas, orçamento de laboratórios, congressos, pesquisas e por aí vai. A extensão realmente foi deixada de lado, temos nossa parcela de culpa. Mas não acho que é toda nossa.

        Por fim, acho que todos esses aspectos engrandecem ainda mais o trabalho feito por esse site. Não é fácil, meus sinceros parabéns.

        1. Natália Pasternak Taschner

          obrigada, Marcelo. Concordo com você, a culpa por esta situação está bem distribuida. E também morro de dó dos alunos de pós e dos professores. Muitos alunos de pós inclusive gostariam de fazer divulgação e nao tem tempo nem nenhum tipo de incentivo. Meus colegas aqui do Café estão no doutorado e tentam passar uma emenda para que o trabalho de extensão possa valer créditos na pós. Tanto no mestrado como no doutorado no nosso Instituto, eles tem que cumprir tantos creditos que às vezes são obrigados a fazer qq matéria porque é o que tem, e o prazo está acabando…Vamos ver se conseguimos mudar essa mentalidade. Agradecemos os elogios, principalmente o Luiz e o Henrique, que no meio de seus doutorados, ainda encontram tempo de disposição para fazer o Café n Bancada. Nosso melhor reconhecimento são esses comentários. grande abraço.

  6. Pablo

    Obrigado pelo texto Natália. Ele é fantástico !

  7. Maria Marta

    Belo texto Natália. É um convite à reflexão… Infelizmente, nós – o povo brasileiro (inclusive os cientistas) já não sabemos mais o que é refletir sobre um assunto – seja ele qual for (ciência, política, religião…). Precisamos de mais ações de divulgação científica. Não se calem. Grande abraço

  8. Willian Rochadel

    Belíssimo,
    Uma verdadeira carta para refletir.

  9. Renata

    arrogante mesmo.
    os pesquisadores sao uns imbecis, esperta é vc !
    me poupe…..essa pesquisa é feita há 20 anos , inclusive em humanos,.
    engulam essa e pronto, medicos, anvisa e industria farmaceutica,
    nao , nao sou uma leiga.
    trabalho em pesquisa na Universidade de SP e Instituto Butantan.

    1. Natália Pasternak Taschner

      Minha nossa! se você fosse leiga, eu responderia com todo o cuidado em educação,mas já que você se diz pesquisadora, então me diga em que fase da pesquisa os pesuqisadores da fosfo estão? Há 20 anos, sério? Estanho, porque os únicos artigos publicados são de 2012 em diante, e só contém testes pré-clínicos. Onde estão os dados da fase I, II e III em humanos? Ou será que quando você diz ‘inclusive humanos” vc quer dizer inlcusive a droga foi distribuída ilegalmente para humanos, violando o código penal e a Declaração internacional de Helsinque? Você trabalha na minha universidade? Sabe que nosso reitor está processando o prof Chierice por curandeirismo? Esperta sou eu? Só eu? Não equeça de chamar de “espertos” também o nosso reitor, o presidente da SBOC, o diretor do AC Camrago, o chefe da onco do HCor, O diretor do Sírio Libanês, o diretor do Albert Einstein, o Dr Paulo Hoff do Albert Einstein, Dr Drauzio Varella, o presidente da ANVISA, o diretor do INCA, a presidente da SBPC…Incrivel como tem gente pra você xingar de arrogantes. Espero que você vá no site deles, um por um com todos os seus argumentos super científicos. Espertos são os fosfopesquisadores, Renata. Enganam direitinho gente como você. aproveite para estudar como funciona o método científico. Porque uma pessoa que se diz pesquisadora e acredita em evidência anedótica até dói na alma.

  10. Thiago

    Nossa, muito lúcido, excelente reflexão.

  11. Cláudio Neto

    Cara Natália, parabéns!
    Concorde-se ou não com a íntegra do seu texto não há como não admirá-lo.

  12. Renata K. Bendit

    Adorei o texto. Talvez eu também não concorde 100% (acupuntura já me ajudou), mas como Bióloga e envolvida com Pesquisa Clínica há quase 2 décadas, não posso de não me sentir de luto também com essa decisão.

    Natália, você é família do Dr. Jacyr?

    Abs

    Renata K. Bendit

    1. Natália Pasternak Taschner

      obrigada, Renata. Comentários como o seu e alguns outros assim são os que me deixam mais felizes. Hoje em dia as pessoas estão tão extremistas que se tem um único detalhe que pensam diferente, já rotulamos e fechamos o diaólogo. Como se fosse possível e desejável concordar em tudo. Eu escrevi bastante sobre acupuntura, e para isso estudei MUITO.Li todos os papers, todas as meta-análises, e se você quiser discutir isso um dia, estou super à disposição. Creio que a comunicação escrita tambem atrapalha, o ideal mesmo seria conversar sobre esses assuntos tomando um café, e acredito que então as pessoas iam perceber que não precisam se degladiar por defender pontos de vista diferentes, e que essa troca é imprescindível para a ciência. A conclusão da ciência é de que a acupuntura é o mais belo dos placebos. Eu tenho certeza de que te ajudou. Mas por outros mecanismos. Se quiser leia aqui e depois me dia o que achou.
      http://cafe-na-bancada.com.br/index.php/acupuntura-parte-i-breve-historia-de-mais-uma-pseudociencia/
      http://cafe-na-bancada.com.br/index.php/acupuntura-parte-ii-placebo-com-agulhas/
      http://cafe-na-bancada.com.br/index.php/efeito-placebo-o-melhor-amigo-das-terapias-alternativas/
      Ou marcamos um café e eu chamo o Jacyr. Sim, ele é meu tio.
      grande abraço,
      Natalia

  13. José Mariano Amabis

    Em seu livro Ciência e Valores Humanos, publicado originalmente em 1956, o matemático e filósofo polonês Jacob Bronowsky (1908-1974) fez o seguinte alerta para a necessidade da educação científica: “… devemos tremer sempre que ouvimos um homem de sensibilidade considerar a ciência como um assunto que pertence a outra pessoa. Hoje em dia, o mundo é feito, é potenciado, pela ciência, e qualquer pessoa que abdique de seu interesse por ela caminha de olhos abertos para a escravatura.”

    1. Natália Pasternak Taschner

      querido professor, que honra recebê-lo no Café na Bancada. Fui sua aluna, turma de 98D. O senhor foi nosso paraninfo, e nos agraciou com um discurso belíssimo que lembro até hoje. E agora me deixa mais esta linda contribuição, de um livro que certamente já vou buscar, rssss. Obrigada, professor. Estou emocionada de ter alguém tão ilustre e tão querido lendo e comentando meu trabalho. grande abraço, da aluna,
      Natalia

  14. Joab Santana

    Cara Natália,

    Parabéns pelo seu texto.
    Traduziu com primazia nesse momento, em poucas palavras, os sentimentos de muitos.

    Obrigado.

  15. Adolfo Neto

    Que pena que comentários em blogs sejam um ambiente tão ruim para discutir coisas sérias (por exemplo, se você me responder como ficarei sabendo?).

    Gostei do texto.

    Não concordo com tudo. Mas concordo com o principal: não devem ser gastos milhões de reais com os testes com este medicamento. Não sem passar pelos caminhos usuais.

    Até que gostei do projeto aprovado se, de fato, não implicar em mais gastos públicos.
    Pelo que entendi, agora com a transformação do projeto em lei, quem quiser usar a “fosfo” pode usar e tem que assinar um termo de responsabilidade. Problema dela se não funcionar. Ela é quem vai estar com a vida em jogo. Gosto do princípio “Skin In The Game” de Nassim Taleb e esta lei parece ir um pouco nesta direção, apesar de a motivação ter sido bem demagógica.

    Quanto às questões de divulgação científica, concordo totalmente.

    1. Natália Pasternak Taschner

      obrigada, Adolfo, realmente eu gostaria muito de poder discutir ao vivo com cada um que coloca comentários educados e interessantes aqui, com cada um que tem duvidas, que se dá ao trabalho de vir aqui e acrescentar alguma coisa. Por enquanto tudo que eu posso fazer é responder aqui…no caso da aprovação, acho que o problema é que mesmo assinando um termo de consetimento, as pessoas estão sendo iludidas com a ideia de que aquilo é um medicamento. Também acho que todos devem ter autonomia para decidir. Mas também apoio que tenham acesso à informação correta para poder tomar essa decisão. abraço!

  16. Lara

    Texto bom, mas gostaria de deixar uma sugestão: não ria da ignorância das pessoas, muitas pessoas (muitas mesmo) não tem acesso à certas informações ou não tiveram boa educação para compreender a ciência. Se alguém de jaleco branco falar algo absurdo, muitas pessoas vão acreditar, pois confiam naquela pessoa que estudou e se esforçou para saber e poder falar o que fala. Infelizmente a mídia dá mais ênfase ao que se tornou popular e milagroso. Existem certas técnicas milenares que funcionam para certas pessoas, como um tratamento mas não como uma cura. Existem coisas que nem a ciência pode explicar mas nem por isso estará errado.
    Sobre os conhecimentos que vocês tem sobre os perigos para a sociedade, daria o conselho de não aceitarem ficar calados, procurem jornais, programas de televisão, rádio, etc. Lutem pela causa, que, quem sabe, seja alertar as pessoas. os cientistas estudam tanto e tem tanto conhecimento, não devem aceitar ser esquecidos pela mídia. Suas comprovações devem ser compartilhadas.

    1. Natália Pasternak Taschner

      obrigada, Lara, com certeza não devemos nunca rir da ignorância das pessoas, o texto foi justamente uma crítica a essa postura tão comum, em que às vezes fazemos piada da ignorância alheia, sem perceber que temos uma parcela de culpa. E concordo com você em relação ao jaleco branco! E quanto à coisas que a ciência não pode explicar, é justamente isso. O que justamente eu defendo é que as terapias alternativas não podem querer valer-se do endosso da ciência para se validar. Elas não são científicas. Isso não quer dizer que as pessoas não tem liberdade para usá-las. Mas têm o direito de saber que não são ciências. Veja a fé religiosa, por exemplo. As pessoas religiosas acreditam que podem se curar pela fé e pela oração. Mas os sacerdotes não estão enganando estas pessoas dizendo que a fé tem comprovação científica. E pode deixar, vamos à luta sim. Levamos nosso trabalho de divulgadores muito a ´serio, e com a ajuda de pessoas como você, chegaremos lá. Obrigada pela visita, e volte sempre. abraço.

  17. Marcos Mattoso de Salles

    Parabéns pelo texto, Natália, concordo totalmente com o que diz.

    Tenho para mim que o problema primordial em nosso país seja a educacao…e enquanto tivermos um ensino público básico de péssima qualidade nada irá mudar. Infelizmente nenhum de nossos governantes, até onde posso lembrar, se dispôs a combater esse problema de forma séria e efetiva…talvez porque isso fosse demandar muito esforco e investimento, além de ser projeto de longo prazo cujo retorno certamente nao viria antes das próximas eleicoes. Em vez disso, tem-se preferido a adocao de medidas demagógicas tais como uso de “cotas raciais” em processos de selecao, ou a concessao sem critério de financiamento estudantil para pagamento de mensalidades em instituicoes de ensino superior de qualidade duvidosa, apenas para que se possa dizer que “agora os pobres podem cursar universidade” … enquanto que a verdadeira forma de eliminar as desigualdades sociais e propiciar igualdade de oportunidade aos oriundos de famílias de baixa renda seria disponibilizar rede de ensino público básico de BOA QUALIDADE a que todos tivessem acesso gratuito, e o resto viria como consequência.

    PS – Tomei conhecimento de seu blog através da divulgacao que seu pai faz em uma lista de ex-alunos da faculdade dele

  18. Clóvis

    Minha leitura do o autor diz é simples: ele e os colegas tiveram preguiça na hora do shampoo, depois tiveram preguiça na hora que falaram da banana, e agora que estão falando da fosfoetanolamina, ele também teve preguiça de ler as publicações e teses da USP. É um elogio à preguiça, esse texto.

  19. Alexandre

    A questão não é só o respeito a ciência, mas a sua neutralidade e as vertentes que a envolvem. Um país onde o capital dita o que quer. Apenas um exemplo:o Brasil é maior consumidor de agrotóxico ( que ciência é esta que não houve a voz da cultura camponesa que sobreviveu 10.000 anos sem agrotóxico, por exemplo). Outro exemplo: somente agora foram exigir a receita para venda de antibióticos; depois de um estrago sem precedentes na saúde; o uso dos transgênicos sem informação e sem controle eficaz; A ciência não caminha independente de financiamentos e interesses; Assim sendo e levando em conta as condições em que foram liberadas a “fosfo’, os 25 anos de pesquisas, os depoimentos; a assinatura de responsabilização; acredtio que devemos comemorar sim, temos outras demandas mais sérias para criticar, inclusive a prevenção contra o câncer que a ciência não consegue (não tem voz) para exigir políticas públicas para tal fim, pois pode prejudicar o chefe ( O Capital).

  20. JOSE ANTONIO MAURICIO

    Prezada Natália,

    gostei muito do texto.

    inicialmente sobre shampoo & dna achei uma abordagem contundente sobre as hilárias propagandas de shampoo…

    suas conclusões são um alerta e um lembrete para ações corretivas… antes tarde do que nunca…

    parabéns pelo trabalho e permaneça no caminho.

    jamauricio t78

  21. Luis

    Esta no facebook do instituto brasileiro de neuropsicologia e comportamento (IBNeC).
    Parabéns! O texto é de uma excelência inegável. Assino embaixo de tudo!

  22. Y.

    Infelizmente os cientistas, de modo geral, não têm ideia da responsabilidade e do poder que este fazer abrigam. Ciência é mais do que aprimoramentos de saúde, é mais do que produção de alimentos, é mais do que aperfeiçoamentos constantes na qualidade de vida do homem em suas variadas esferas; ciência é o prazer de descobrir o universo e o dever de retribuir isso contribuindo com o progresso.
    No dia que decidirmos que nem política, nem religião ou qualquer forma obscurantista de “conhecimento” barrará nossos avanços, aí daremos um daqueles grandes passos dos quais a humanidade recorda com nostalgia e orgulho.
    Parabéns pelo texto!

  23. NINJA

    Olá Natalia!
    Gostei muito de seu post. Alguns pontos na sua postagens inclusive batem com coisas q estou vivendo
    e percebi por bater a cara na porta diversas vezes, mas não vem tanto ao caso.

    Gostaria de perguntar: Como ficam as pesquisas cientificas diante do monopolio farmaceutico? Ou ainda, realmente existe um “monopolio farmaceutico”?

    É verdade que poderíamos nos recuperar mais rapidamente se a maioria dos remédios não fossem meros placebos? Ou mesmo kkk, existem tantos remédios placebos que nos alimenta hoje em dia?

    Me perdoe se muitas dessas respostas já estiverem no seu blog, pois o descobri hoje e não fucei nele ainda! Contudo, muito obrigado pela atenção, e nunca desista.

    1. Natália Pasternak Taschner

      olá, Ninja (eu tinha que usar algum nome, e este é o único que veio rssss). A Big Pharma existe sim, e não é nenhuma santa. Certamente há diversos medicamentos feitos com pesquisas pagas e tendenciosas. Mas felzimente a comunidade médica e científica desenvolveu uma maneira de testar esse viés. A colaboração Cochrane http://www.cochrane.org/ é uma associação de médicos e cientistas não vinculados a nenhuma empresa e/ou multinacional, que realiza meta-análises sobre tratamentos e medicamentos de uso controverso no mercado. Uma meta-análise é uma compilação de todos os trabalhos de uma determinada área, com o cuidado de analisar se foram feitos de acordo com o método científico, com o rigor necessário. analisa-se se foram utilizados os grupos controle necessários, se o estudo foi feito com o número mínimo apropriado de pessoas, etc. Quando vc tiver dúvida sobre um método ou medicamento, vale a pena pesquisar lá. Se vc ler meu post de efeito placebo http://cafe-na-bancada.com.br/index.php/efeito-placebo-o-melhor-amigo-das-terapias-alternativas/, verá que todo medicamento já carrega em si um efeito placebo, e que isso não necessariamente é uma coisa ruim. O problema está em utilizar placebos como remédios, e valer-se do seu efeito para dizer que auqele determinado remédio funciona. é isso que faz a homeopatia. Os placebos que existem hoje em dia em geral são os que provém das pseudociências, mas logicamente não ponho minha mao no fogo por qualquer medicamento do mercado, porque como eu disse, a Big Pharma não é santa. A grande diferença entre a big pharma e os placebos comercializados sob a forma de homeopatia, florais, cristais, etc, é que a Big Pharma pode um dia ter seus medicamnentos testados e contestados, por organizações independentes como a Cochrane. Algumas classes de anti-depressivos passaram por esta contestação de eficácia, e hoje há uma controvérsia se eles realmente tem qualquer efeito além do placebo. Curiosamente, a resistência do público em deixar de tomá-los é tão grande quanto à dos que usam homeopatia. As pessoas nçao gostam que contestem suas escolhas e seu modo de vida. E as farmaceuticas, logicamente, lucram com isso. Seja bem vindo ao café, e pode deixar, não desistiremos. Principalmente enquanto houver pessoas como você para nos animar. grande abraço.

  24. Daniel

    Muy bueno muchacha. Autocrítica muito bem elaborada, ótimo texto.

  25. Thamara Pan

    Olá Natália!
    Embora discorde de praticamente tudo o que você pontuou no texto, concordo plenamente com o cerne da questão por você levantada: a falta de divulgação científica para a comunidade “não científica”. Isso vai de encontro com a imagem do cientista trancafiado em uma torre de marfim, alheio a sociedade e dela ignorado, a qual precisamos urgentemente mudar!
    Bom, nunca fiz acupuntura, nunca coloquei um único remédio homeopático na boca e nunca me utilizei de outros métodos terapêuticos descritos por você como “pseudociência”. Não li também TODOS os artigos científicos sobre elas (talvez aqui, para você, meu comentário perca a validade devido a estar embasado em “achismos” do senso comum, ao contrário do seu, baseado em “certezas” científicas, mas vamos lá), mas tenho a impressão de que a negação desses métodos como ciência seja devido à visão ocidental (eurocêntrica, diga-se) totalmente enraizada que temos do que seja ciência. O que é ciência para você? Sobre qual base teórica/filosófica você se apoia para dizer que estes métodos não são científicos? Que eu saiba, acupuntura, por exemplo, é utilizada há milênios e, pelo que já li, há sim em nosso corpo a presença de meridianos que interconectam partes que, a nosso ver, são díspares, sem conexão. As pessoas que já conheci e que fizeram acupuntura relataram melhoras… por que é então considerada “não científica”? (vou ler depois o post que você recomendou a Fernanda, mas já sinto que a resposta para isso vai de encontro com o que expus acima).
    O que temos que ter em mente é que esse conceito “ciência”, bem como o “método científico” não são conceitos pétreos. É só estudar um pouco sobre filosofia da ciência e verá que “ciência” é um termo em movimento, assim como o “fazer ciência”. Não temos contato com a história da filosofia das ciências orientais, por exemplo; será que é por que eles não tem uma? Ou essa inexistência é fruto dessa ideologia dominante que temos hoje, a qual aceitamos como um dogma, sem ao menos pensar criticamente sobre ele? O problema, a meu ver, é justamente esse: somos formados para ter conteúdo demais e senso crítico de menos, e o que move muita coisa no mundo, entre elas a ciência, é a junção das duas coisas.
    Quanto à fosfoetanolamina, tenho evidências o suficiente para achar que é VÁLIDA como ciência, mas falo melhor sobre em outro momento, pois estou sem tempo agora para pesquisar e embasar o meu comentário em fatos. Mas já deixo aqui claro meu posicionamento enquanto cientista: o professor Chierice tem anos de estudo sobre essa substância (basta ver o Lattes dele), comprovou no Senado, por meio de vídeos e relatos de usuários da substância, a sua eficácia. É fato: pessoas com câncer melhoraram consideravelmente com o uso desta! Se sua questão é o “método científico”, o qual ele não seguiu para satisfazer uma visão elitista do que seja fazer ciência, como você justifica o consumo de remédios, que não contam com a aprovação oficial para o uso pediátrico por terem sido testados exclusivamente em adultos, por crianças? São prescritos e comercializados sem ter sua eficácia comprovada e sem passar por todas as etapas do tal método por você defendido. Por que não por em debate esse fato também?
    Para finalizar, minha ideia sobre a ciência vai de encontro a de Boaventura de Souza Santos:
    “a comunidade acadêmica não pode continuar a pensar que só há UM ÚNICO modelo de cientificidade e UMA ÚNICA epistemologia e que, no fundo, todo o resto é um saber vulgar, um senso comum que ela contesta em todos os níveis de ensino e de produção do conhecimento. A ideia de que nosso universo de conhecimento É MUITO MAIS AMPLO do que aquele que cabe no paradigma da ciência moderna traz a ciência para um campo de luta mais igual, em que ela tem de reconhecer e se aproximar de outras formas de entendimento e perder a posição hegemônica em que se mantém, ignorando o que foge aos seus domínios” (grifos meus)
    OBS: você faz um “agradecimento especial ao pastor Martin Niemöller pelo poema”, mas é bom deixar claro que o poema verdadeiro, no qual o dito pastor se baseou, é de Bertolt Brecht. Como cientista, é bom citar sempre a FONTE, e não a citação da citação somente, né.

    OBS2: Parabéns!!! Não sabia que era você a dona da USP (em resposta a Renata você diz “Você trabalha na MINHA universidade?” – grifo meu)! Pensava que ela era pública e, como tal, pertencesse a todos. Obviamente sei que foi uma força de expressão, mas você, como cientista que é, deve se preocupar em como utiliza palavras/termos para que não dê margem a interpretações errôneas. Se o professor está sendo processado por curandeirismo, posso também processá-la por apropriação de bem público! Tenho provas suficientes para isso (seu relato), da mesma forma que o reitor as deve ter contra o professor Chierice. Cuidado! (brincadeira, viu!!!)

    1. Natália Pasternak Taschner

      oi, Thamara. Não pude deixar de sorrir quanto ao comentário sobre “minha” universidade. Logicamente, como vc sabe e até brinca, refiro-me ao fato de ter feito lá toda a minha carreira acadêmica. Os mais velhos às vezes falam assim. Perdoe a semântica. No entanto, se ela pertence a todos, e eu faço parte do todos, creio que pertence a mim também ,não? Vou tomar muito cuidado doravante quando me referir ao Brasil como MEU país, vai que o Congresso Nacional me processa…Creio que o professor Chierice esqueceu-se também do fato de que a universidade é publica quando resolveu produzir ali, com dinheiro público, uma substância não testada. O lattes do professor é extenso sim. Ele tem grande experiência e muitas publicações com polímeros e resinas. Não tem absolutamente nenhuma publicação como primeiro ou último autor sobre a fosfo. E aparece como autor apenas nos trabalhos de Ferreira et al, novamente não como primeiro – que sabemos ser quem realizou o trabalho, nem como último – que sabemos ser o orientador. Aparece como colaborador. Portanto, quem é da área sabe que ele mesmo não tem pesquisas realizadas como chefe de labora´torio sobre o assunto. Em relação às pseudociências, leia os posts, fico feliz em saber que você tem interesse. Em relação à “minha” visão de ciência e do método científico, ela é a mesma de qualquer cientista sério. Neste caso sim o possessivo está indevido. Não há relativismo na ciência. Não é uma filosofia, ainda que se possa filosofar sobre ela, e é isso que a filosofia da ciência faz. A filosofia da ciência não relativiza nem tampouco personaliza a ciência. Relatos de cura, relatos de melhora, qualquer relato pessoal é uma evidência anedótica para a ciência. É uma anedota, uma história. Não serve para comprovar eficácia. Nos posts de pseudociência explico bem essa distinção. em tempo, há diversos medicamentos que não foram testados em crianças e não são liberados para o uso nestes casos. Há um antibiótico muito antigo, por exemplo, chamado fosfomicina. Ele existe há anos, mas como há poucos estudos feitos com crianças, os pediatras não liberam de jeito nenhum. E olha que há muito mais estudos feitos com ele do que com a fosfoetanolamina. A ciência baseada em evidências e no método científico é responsável por todos os avanços da medicina nos últimos 200 anos. Não há como contestar isso. Sem a ciência, nossa expectativa de vida era de 30-40 anos. Hoje é de 70-80. Nao foi a homeopatia, nem a acuputura, nem a medicina tradicional chinesa que fizeram isso. Não há nenhum trabalho científico que comprove a existência dos ‘meridianos’, ou da memória da água. Alguém comprovar no Senado que algo funciona mostrando evidências anedóticas (agora vc já sabe o que é) não é ciência. A ciência está sempre em movimento, justamente porque o método científico aceita mudanças. Já as pseudociências, estas sim são estáticas, e agarram-se aos seus dogmas religiosamente, recusando-se a assimilar novas descobertas. A ciência admite seus erros. Há pouco tempo atrás neutrinos nao tinham massa e Plutao era um planeta. Estimava-se que tudo era determinado pelos genes, até que se descobriu a epigenetica. E finalmente, em relação à autoria do poema, algumas referências: https://es.wikipedia.org/wiki/Martin_Niem%C3%B6ller, http://www.goodreads.com/quotes/956466-first-of-all-they-came-to-take-the-gypsies-and, https://en.wikiquote.org/wiki/Martin_Niem%C3%B6ller. Mas tenho certeza de que Brecht fez bom uso também. Aproveito para citá-lo: Science knows only one commandment—contribute to science.

      1. Natália Pasternak Taschner

        perdão, esqueci de referi-la aos nossos posts sobre filosofia da ciência:
        http://cafe-na-bancada.com.br/index.php/hora-do-cafe/vamos-falar-de-ciencia/
        Aqui você vai encontrar posts sobre Descartes, Popper, Kuhn, e também sobre a história do método científico.
        abraço.

        1. MATEUS TEIXEIRA

          Obrigado Natália por citar Carl Sagan, essa persona que tanto lutou pela divulgação científica.

  26. João Isídio Neto

    A Sra, assim como todos os outros profissionais e entidades que são contra a liberação sem testes oficiais da pílula do câncer, estão errando justamente em não conseguirem provar cientificamente que essa pílula pode ser perigosa. Seus argumentos, assim como de outros especialistas, são apenas especulativos, não são concretos, felizmente (pois eu confio no potencial do Prof. Chierice e sua invenção).

    Apesar de não conhecer o seu trabalho, pois sou um leigo, confio no seu potencial profissional. E por isso, gostaria que me tirasse uma dúvida que vi noutra matéria, não sua, a respeito da fosfoetanolamina. A matéria afirmava “Geralmente, quando teste in vitro dão negativos, não se realizam testes in vivo”. Essa afirmação está correta na prática?

    1. Natália Pasternak Taschner

      olá, João, o ônus da prova cabe ao grupo do IQSC, eles é quem estão propondo uma nova droga. Portanto, devem embasar seus argumentos em evidência científica. A comunidade medica e científica está apenas alertando para o perigo de liberar uma substância não testada. Realmente não sabemos se a droga é perigosa, tampouco sabemos e funciona. Tudo até agora é especulativo. Se a “invenção” do prof Chierice for eficaz, ele não terá problemas em demonstrar isso nos testes pré-clínicos e clínicos. Mas até o momento nada foi provado. A afirmação está correta, sim, João. Em geral, quando uma droga candidata é testada, ela passa primeiro por testes in vitro, feitos em culturas de células. Se esses resultados forem promissores, passamos aos testes em roedores. Grande parte das drogas candidatas já para por aí. No caso da fosfo, as concentrações utilizadas para conseguir um efeito tumoral in vitro foram demasiado elevadas. SE não fosse o clamor popular, a pesquisa teria parado por aí. Quando a droga se mostra promissora in vitro, será testada em roedores. No entanto, inúmeras drogas promissoras falham nos estudos em roedores. Se passarem nesse teste, serão testadas em animais maiores, não roedores, que podem ser cães ou macacos. E enfim, em humanos. E novamente, há inúmeras drogas que se mostram muito promissoras em camundongos, mas nunca falham nos testes seguintes. Temos uma entrevista com o prof Alexandre Barbuto, que trabalha com imunoterapia de tumores, e ele comenta que camundongo não morre mais de cãncer, já curamos o câncer em camundongos. Ele explica muito bem esses processos, se puder, escute http://cafe-na-bancada.com.br/index.php/entrevista-barbuto/. Assim, a fosfoetanolamina já está “pulando” etapas…Mas vamos agaurdar os resultados. abraço.

  27. Bruno

    Oi Natália,

    Muito bom seu texto, pensamento crítico é excencial para a evolução da sociedade e a ciência é muito importante nesse contexto, entretanto eu nunca ouvi falar sobre método ciêntifico até sair do colégio.

    Ao meu ver aqui no Brasil hoje em dia esta crescendo os canais de divulgação cientifica, como no youtube vide “nerdologia” e vários blogs escritos por pesquisadores.

    Natália, gostaria de saber se “medicina ortomolecular” é pseudociência, ouço pessoas falando sobre “especialistas” que eles viram no youtube e na televisão falando sobre essa “medicina”, mas tenho um pulga atrás da orelha, entretando não tenho argumentos sobre o assunto, qual a visão da ciência sobre esse tema?, se tu soube algum artigo para indicar.

    1. Natália Pasternak Taschner

      oi, Bruno, obrigada. Certamente o número crescente de canais de divulgação acusa uma demanda da população por esse tipo de conhecimento, o que é um ótimo sinal. No entanto, o fato de ninguém ouvir falar de método científico no colégio é bem preocupante. Entender como a ciência funciona é fundamental para o desenvolvimento de um raciocínio crítico e a ciencia não deveria ser ensinada de forma dogmática. Espero poder mudar isso com o tempo.
      Em relação à medicina ortomolecular, ela é certamente uma pseudociencia mais ‘chique’ do que as demais rsss. Baseia-se na ingestão de grandes quantidade de vitaminas, muito alem do que o organismos precisa, ou até mesmo consegue processar. Logicamente há casos em que a reposição de vitaminas é essencial. Mas a ortomolecular prega que TODAS as doenças são causadas por uma defcicência de alguma vitamina, e que para ter um estado pleno de saúde e jamais ficar doente, basta equilibrar sua ingestao de vitaminas. Claro que ter Linus Pauling, um ganhador do Nobel, como seu precursor, ajudou muito a dar credibilidade a esta prática. Pauling acreditava que doses exorbitantes de vitC protegiam até contra o câncer. Sabemos hoje que isso não é verdade, mas como todas as pseudociências, o mito persiste. Sempre desconfie de curas milagrosas e universais…Eu gosto muito do site do pesssoal do quackwatch, e principalmente do Dr Stephen Barret e Dr Steve Novella, confira esse aqui sobre a medicina ortomolecular http://www.quackwatch.com/01QuackeryRelatedTopics/ortho.html. abraço, e bem vindo ao Café. volte sempre!

  28. Mauro Cafundó de Morais

    Parabéns pelo texto. Bom conteúdo. Não subestime seu leitor, as pessoas não são tão ingenuas assim. Como cientista sei que temos que produzir conhecimento com qualidade E divulgar o conhecimento produzido. Portanto não podemos nos calar.

  29. Artur Tavares Vilas Boas Ribeiro

    Olá. Posso compartilhar no facebook da Wylinka (oscip voltada para desenvolvimento de ciência e tecnologia)?

    Obrigado =)

    1. Natália Pasternak Taschner

      olá Artur. Claro que pode, o Café na Bancada agradece. E olha só, nem conheço essa OSCIP! grande abraço,
      Natalia

  30. Paulo

    Cara que você estejam revoltados tudo bem. Que voces sejam de direita, também tudo bem. É um direito seu.

    Espero que vocês e a ciência tenham melhor sorte no governo de direita. Vamos ver se a ciência se sai melhor com ele (duvdo!!!!)

    Mas ser desonesto intelectualmente é o fim da picada!

    Deturparam o poema “No caminho com Maiakóvski”. O sentido é exatamente o oposto. É a direita e dua ditadura que maléficos, vis e são a escória do mundo.

    A pergunta fica como cientista podem praticar ciência sendo desonestos intelectualmente?

    “[…]
    Na primeira noite eles se aproximam
    e roubam uma flor
    do nosso jardim.
    E não dizemos nada.
    Na segunda noite, já não se escondem;
    pisam as flores,
    matam nosso cão,
    e não dizemos nada.
    Até que um dia,
    o mais frágil deles
    entra sozinho em nossa casa,
    rouba-nos a luz, e,
    conhecendo nosso medo,
    arranca-nos a voz da garganta.
    E já não podemos dizer nada.
    […]”

    1. Natália Pasternak Taschner

      olá, Paulo, também aprecio muito o poema “No caminho com Maiakovski”, que realmente foi escrito como uma reação à opressão do regime militar. No entanto, se você tivesse lido até o final do texto, veria que eu nao me baseio neste, mas no poema do pastor Niemoller, que teria sido tema de um sermão durante a segunda guerra, adaptado também por Brecht. O pastor reagia à omissão do povo alemão aos horrores cometidos pelo partido nazista. Repare que em nenhum momento do meu texto eu falo que os cientistas estão sendo oprimidos. Bem pelo contrário, aludindo ao pastor, falo sobre a omissão da classe científica. Meu texto é uma crítica aos meus próprios colegas, e não a esse ou aquele governo. Dizem que Eduardo Alves da Costa teria se inspirado em Niemoller e Brecht. De qualquer maneira, gostaria de te dizer que tenho certeza de que independentemente de sua posição política, esquerda ou direita, nenhum cientista está contente com o atual governo, nem tampouco com a possibilidade do próximo. Você não me conhece para afirmar tão categoricamente a minha posição política, mas posso dividir com você um pouco da minha história pessoal. Como judia descendente de uma família que foi em um ramo expulsa da URSS comunista por um regime de esquerda, e no outro expulsa da Alemanha nazista por um regime de direita, posso te dizer com certeza que qualquer ditadura, seja de esquerda ou de direita, é maléfica e vil. abraço.

  31. Tércio Bamonte

    100% contigo. A ciência como uma vela no escuro ainda é…apenas uma vela. Sensacional seu texto. Abração.

  32. Luciana

    Olá, Natália!
    Parabéns pelo blog, apesar de não concordar com a opinião sobre homeopatia, pois tenho 2 filhas (13 e 4 anos) e desde o nascimento só foram tratadas assim, nunca tomaram medicamentos alopáticos.
    Sou bancária, então não preciso dizer que sou um peixe fora d´agua aqui, mas gosto de me informar sobre questões de saúde e gostaria que uma pessoa entendida desse assunto como você pudesse me tirar essas duas dúvidas:
    Assisti vários vídeos do dr. Lair Ribeiro sobre dieta cetogênica e seus benefícios para o tratamento do câncer, diabetes e outras doenças e, sobre a quimioterapia, que ele diz ser muito mais prejudicial que benéfica, então queria de saber a sua opinião.
    Muito obrigada e um grande abraço,
    Luciana

    1. Natália Pasternak Taschner

      obrigada Luciana, fico feliz que suas filhas sejam saudáveis, apesar de ter certeza de que o mérito deve ser seu, e de um estilo de vida saudável que provê às meninas, e não da homeopatia hahahha. Tenho posts sobre o funcionamento da homeopatia se te interessar. Mas gosto de receber mensagens de pessoas que percebem que não precisamos concordar em absolutamente tudo para admirar e respeitar o trabalho de outra pessoa, e agradeço muito o elogio. Em relação à ditea cetogênica, não há nenhuma evidência científica de que esta ou qualquer outra dieta que proíbe carboidratos tenha qualquer benefício anti-câncer, diabetes ou outras doenças. Na verdade, a dieta exclusiva de proteínas está associada e um maior risco de diabetes tipo II. Devo informar também que Lair Ribeiro teve seu CRM cassado, e seus videos veiculam muita pseudociencia…Sobre a quimioterapia, recomendo este post do jornalista Carlos Orsi, no qual ele esclarece de onde veio esse mito de que a quimio faz mal: http://carlosorsi.blogspot.com.br/search?q=quimioterapia grande abraço, e sigo às ordens. Natalia

  33. Lilian

    Uma maioria eh maria que vai com as outras.
    Medicos um pior que o outro.
    Cientista e experiencias … no brasil isto eh lenda.
    Capitalismo eh lucro e isto eh em todas as áreas logo dificil em quem acreditar.

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