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jun 13

Uma atéia no culto da fosfoetanolamina

O convite do Sindicato dos Farmacêuticos era para um debate sobre a fosfocoisa, um seminário com início às 9 da manhã até as 15 horas de um sábado gelado, com as presenças do pajé de S Carlos, Gilberto Chierice, seu braço direito, Salvador Claro Neto, ainda na USP, Durvanei Maria, do Butantan, dois de seus alunos, e Daniel Macedo, fosfodefensor da Defensoria Pública do Rio de Janeiro, com óbvias pretensões políticas. Algo assim como um debate sobre o Brasileirão, com uma mesa composta por dirigentes do Corinthians, 296 integrantes da Gaviões da Fiel na plateia e, nós, quatro palmeirenses infiltrados (você pode mudar os times e torcidas, desde que mantenha a proporção).

Já na entrada, gente sorridente e empolgada. “Ele é tão fofinho, né? A gente logo vê que é gente do bem, um iluminado”, diz a moça à minha frente, que veio de Santo Amaro, se referindo ao pajé. O rapaz a seu lado, também de Santo Amaro, concorda. “Vamos ter um verdadeiro seminário científico de alto nível hoje”. Na sala, onde também era oferecido café da manhã, identifico logo a figura da musa fosfocrente Bernardette Cioffi, que afirma ter se curado de um câncer de mama metastático que a deixou numa cadeira de rodas, com apenas um mês de uso da fosfocoisa. Ela é a mesma que em depoimento a uma comissão do Senado declarou que a morfina a deixava num estado tão deplorável que “nem conseguia orar”, caindo em seguida aos pés do deputado Marcos Feliciano, em cena dramática e inesquecível para fosfocrentes e fosfoateus. Sorridente e solícita, Bernardette cumprimenta a todos, enquanto vai de um lado para outro, conferindo posicionamento de câmeras, dando ordens às mocinhas que fazem o apoio ao evento. Entre os fosfocrentes, é voz corrente que ela se associou ao Instituto Doutor Gilberto Chierice de Desenvolvimento e Pesquisa, cujo objetivo não é fazer pesquisa, mas defender as pesquisas já feitas… Bernardette passou de paciente a “palestrante científica”, dedicada a apontar as falhas das pesquisas do MCTI, especialmente as produzidas pela Unicamp, que mostram que a fosfo não é fosfo, mas um amontoado de subprodutos, com baixo nível de pureza, e que o processo de síntese, obtido por Otaviano Ribeiro (e não por Chierice), tem baixíssimo rendimento (por isso a fosfo sintética tupiniquim custará 5 vezes mais que a norte-americana).

Os fosfopesquisadores são recebidos e tratados como celebridades: todos querem fazer selfies a seu lado. Durvanei Maria, que é quem realmente faz as pesquisas do grupo atualmente (Kleber Ferreira, do ICB da USP, abandonou o grupo há alguns anos, alegando ter novos interesses em sua pesquisa), assume o posto de celebridade enquanto a plateia aguarda ansiosamente a chegada do pajé. Salvador Claro Neto, braço direito de Chierice, entra no recinto sem ser reconhecido pela maioria do público, mas a movimentação e agitação em torno do químico aumenta a expectativa em torno da chegada da grande estrela do evento.

Gilberto Chierice chega literalmente pelas mãos das mocinhas do apoio ao evento, usando um abrigo contra o frio de um laranja berrante. Parei para observar o pajé. Aparenta ter bem mais que seus 72 anos, seus passos são um tanto titubeantes e os olhos por trás de óculos com lentes grossas parecem não se fixar em lugar nenhum. O público vai ao delírio e não são poucos os que impõem suas mãos para “captar as vibrações positivas” que ele emana. Chierice não conduz, é conduzido, numa inversão do lema de São Paulo. É aplaudido de pé pelos devotos, mas parece alheado durante quase todo o evento. À mesa dos “debatedores”, seus olhos passeiam pela sala sem se fixar em nada e ninguém, brinca com um microfone, pega outro e faz o mesmo, sequer presta atenção no que dizem os outros palestrantes. As mocinhas o levam pela mão de um lado para outro, para atender uma entrevista, para fazer uma foto e ele brinca dizendo que parecem novas namoradas.

Penso muito nisso, desde que essa novela começou em agosto do ano passado. Pessoas próximas a Chierice e Salvador Neto me asseguram que eles acreditam piamente, sim, que descobriram a “cura do câncer” e que são vítimas de uma conspiração internacional, pois todos querem roubar sua preciosa e milagrosa fosfoetanolamina sintética. As mesmas pessoas juram que não é dinheiro que os move, mas reconhecimento, embora não se possa dizer o mesmo dos demais integrantes do fosfogrupo. Chierice e Salvador passaram mais de 20 anos produzindo 40 mil cápsulas mensais da fosfocoisa nas dependências da maior universidade da América Latina sem que fossem importunados pela reitoria, pela comunidade médica de São Carlos, pela polícia. Não distribuíram apenas a pacientes de câncer: amigos que eram diagnosticados com diabetes, Parkinson, que sofreram AVE (acidente vascular encefálico) também recebiam o pacotinho de cápsulas azuis e brancas com a recomendação de que interrompessem o tratamento convencional. Aplaudido por longos minutos, o pajé de São Carlos toma o microfone para repetir a história que já sei de cor sobre suas descobertas e “pesquisas”, a lenga-lenga do Hospital Amaral Carvalho de Jaú, sempre citando o ‘Dr. Fulano”, nunca dando nomes, a lamúria da falta de apoio, agora somada a ser vítima de “ataques pessoas na imprensa’, numa referência à reportagem de capa de Veja, assinada por Natália Cuminale, que menciona sua aversão às concordâncias verbo-nominais. Chierice assassina o idioma pátrio com menos piedade do que os cientistas obrigados a abater suas cobaias.

A parte “científica” caberá a Salvador Claro Neto. O químico brinda a plateia embevecida com uma inacreditável sucessão de absurdos químicos e biológicos, que o público percebe como uma “iluminação”. Fiat lux! “O câncer é uma doença lipídica que provoca a diferenciação da célula”, diz a criatura. A pobre mitocôndria é novamente vilipendiada, acusada de estar parada, enquanto a célula cancerosa apela para a fermentação para obter 2 míseros ATPs no processo – em vez dos 38 ATPs da respiração – omitindo, claro, que esse processo ocorre a uma taxa 200 vezes maior que nas células normais. A célula cancerosa é apresentada assim, com um miserê de energia venezuelano, e tenho de me conter para não perguntar como, diabos, a célula tumoral mantém seu ritmo alucinado de divisão sem uma fantástica produção de ATP. A criatura prossegue, esclarecendo que o processo de fermentação torna o citosol ácido e isso provoca uma mutação no DNA, para adaptar a célula à nova situação, numa inversão completa de todo conhecimento acumulado nas últimas décadas sobre as causas do câncer. Toda essa história de mutações do DNA, exaustivamente documentadas, é uma tremenda baboseira, segundo esses gênios da química que simplesmente trocam causa por efeito. O pobre Otto Warburg, prêmio Nobel de Medicina e Fisiologia de 1911, foi quem percebeu que células tumorais reduziam a atividade de suas mitocôndrias (reduziam, não paravam) e passavam a produzir energia via glicólise, o que o levou a crer, quase cem anos atrás, que o câncer fosse uma doença mitocondrial. O colaborador de Chierice conseguiu ignorar cem anos de estudos e pesquisas para transformar o câncer em uma doença lipídica, cuja cura depende unicamente da ingesta de fosfo e consumo absurdo de “óleos essenciais” (linhaça, milho… vai somando aí o colesterol, triglicérides, a luz da aorta sumindo…), porque a fosfo supriria a mitocôndria com esses ácidos graxos provocado um “choque” na preguiçosa mitocôndria, que explodiria, liberando citocromo-c e o “processo de caspase”. Alguém deveria fazer a caridade de explicar a esse energúmeno, que é pesquisador da Universidade de São Paulo, que o processo se chama apoptose e que caspases não são um processo, mas proteases de uma via de sinalização que leva à morte celular programada. E que diferenciação é o processo de especialização da célula; o processo em que a célula se torna cancerosa é chamado de transformação. Mas sou uma jornalista ignorante – os colegas todos foram agrupados nessa categoria, ignorantes iletrados que só repetem o que os médicos malvados dizem sem entender nada, espalhando mentiras sobre a fosfo para os pobres doentes. Posso explicar de cor e salteado uma meia dúzia de pathways em câncer humano sem consultar mapa, mas isso é porque sou burra e ignorante, incapaz de perceber que tudo isso é mentira e bobagem e que eles são a Verdade e a Luz.

Assim que a mitocôndria explode, a cascata de capases é acionada, a célula morre por apoptose (morte celular programada) E SÓ ENTÃO, com a célula cancerosa já morta, mortinha, o sistema imune é acionado para fazer a faxina e remover a caca. PERA! PERA! Então, para que, diabos, o fosfocrente precisaria interromper quimio e radio para manter seu sistema imune intacto, se a fosfocoisa mata a célula cancerosa por “choque na mitocôndria”?????????

A palavra passa ao pesquisador Durvanei Augusto Maria, do Instituto Butantan, que permaneceu impassível, com os olhos fixos na fímbria do horizonte, enquanto o colega desfiava essa sucessão de estultices, que ele sabe perfeitamente serem estultices constrangedoras. Sem o menor constrangimento, Durvanei toma do microfone, diz que só se juntou ao grupo recentemente, que não é detentor da patente (na verdade, ninguém é, as patentes são provisórias) e dá a sua palestra, correta, sem que a plateia incauta perceba que que o que ele diz não sustenta, mas contradiz radicalmente o que disse Salvador Neto. Durvanei não esconde que considera a fosfo um excelente potencializador da quimioterapia e muito menos que pretende registrar sua nanoversão da fosfo nos Estados Unidos, sem que se saiba se o pajé sabe ou não de sua intenção e se estará incluído no rol de inventores – mas aposto que não.

Segue-se o fosfodefensor Daniel Macedo Alves Pereira, da Defensoria Pública do TJ, que diz ter tomado conhecimento da fosfo ao ver Drauzio Varella falando contra a substância no Fantástico – e vou ter de pedir desculpas ao Drauzio mais uma vez pela encrenca… Macedo pesquisou e descobriu que Drauzio é “dono de uma empresa de quimioterapia” (também chamada de consultório médico…) e que se prestou ao papel a serviço das farmacêuticas e seus próprios interesses. Tomada pelo clima de culto evangélico, pensei sinceramente em subir à tribuna e dar testemunho, fazer o mea culpa, pelas 4 horas que passei ao telefone com o Drauzio dias antes do programa. Só não entregaria a outra “culpada” pelo programa. Como todos sabem, diz o defensor, a quimio mata mais que a indústria bélica todos os anos. Os fosfocrentes sabem mais ainda: me asseguraram que a quimio mata 98% dos pacientes de câncer – esse absurdo apareceu tempos atrás numa falsa postagem atribuída à Johns Hopkins University, que se cansou de publicar disclaimers em que ninguém quer acreditar: imprima-se a lenda! Como me disse uma advogada no evento:

“Minha avó tinha câncer e estava bem, mas morreu depois da primeira quimio.”

“Querida, o câncer matou sua avó.”

“Não foi, não. Foi a quimio. Meu pai teve mieloma múltiplo há 8 anos, agora voltou. O médico deu 6 meses de vida para ele no ano passado, mas ele tá curado. Fui atrás da fosfo e ele tomou por 11 meses, só faltava o último mês quando proibiram.”

A moça ao lado me conta que nem operou o câncer de mama agressivo, mas ali está ela feliz com as duas mamas intactas, sem cirurgia e “curada pela fosfo”.

Penso insistentemente nos diagnósticos mal feitos, médicos mal formados, nas pessoas em pânico que não conseguem medicação de ponta nem no SUS nem na Justiça e que só têm a fosfocoisa a que recorrer em seu desespero. Há várias no salão: a senhora com máscara, que deve estar imunissuprimida, a outra militante de uma fosfo-ong, o senhor emaciado vítima de um câncer de cabeça e pescoço que o deixou com sequela visível, o casal sentado atrás de nós, os dois com câncer. Estão ali numa cruzada, não pelos fosfopesquisadores, estão ali em busca de uma esperança, falsa, vendida como avanço científico e não como provável placebo.

Daniel Macedo explora todos os possíveis aspectos de uma teoria da conspiração como poucos. Acusa a FioCruz de ter tentado roubar a patente da fosfo, exibe documentos do Sírio-Libanês informando sobre o desinteresse do hospital na pesquisa proposta (atribuindo a um complô, embora ele também não deva saber o que de fato ocorreu nos bastidores), afirma que Alckmin presidente levaria a fosfocausa ao Planalto (o presidente do sindicato ligado à CUT empalideceu) e arremata dizendo que Paulo Hoff, diretor do Icesp, que deve conduzir os testes clínicos, teria lhe confidenciado não acreditar que a fosfo tenha bons resultados. Isso, segundo Macedo, prova definitivamente que Hoff está “vendido”. Ora!, diz Macedo, não vamos permitir! “Vamos exigir na Justiça que o oncologista Renato Meneguelo esteja lá dentro acompanhando os testes!” Meneguelo, que está sob sindicância do Cremesp, é clínico-geral, e não oncologista. Mas não importa. “Ele ou outro oncologista contratado pelo grupo!” A plateia delira. Porque todos sabem que os testes usarão fosfo falsificada, que há algo “estranho” na demora do início dos testes clínicos. A fosfo produzida em Cravinhos, sob supervisão de Salvador Claro Neto, não atendeu às especificações e não foi entregue com laudo técnico, sendo, portanto, rejeitada, mas essa parte, claro, foi omitida…Como tantas outras. Eis que Macedo, travestido em pastor e quase bispo, pede que se levantem os curados da fosfo, depois os que têm câncer e querem se curar com a fosfo, em seguida os que não têm câncer mas mesmo assim querem a liberação da fosfo, para que vibrem pela fosfo e por seus criadores. Eu, já refugiada no fundo da sala, me apoiei numa mesa, com medo que alguém se aproximasse e me passasse fosfovibrações anaeróbias. Não bastasse, o fosfobispodefensor pede que todos se dessem as mãos, porque eram todos “anjos do céu”, numa corrente de fé, pela mentalização positiva pela fosfo.

É assustador e perigoso. Não porque seja mais uma dentre tantas curas milagrosas como a babosa, o chá de ipê roxo, o suco de formigas bravas do México ou o impagável enema de café quente. Mas porque a fosfocura tem nome difícil e a grife USP, porque, enquanto as comunidades médicas e científicas se calaram esperando a fogo-de-palha se apagar, eles se articularam e continuam se articulando, jogando mais e mais gasolina na fosfofogueira e se aproveitaram do atormentado cenário político do País para cooptar apoio eleitoreiro. São perigosos porque não apenas põem em maior risco a saúde de uma parcela fragilíssima da população, mas porque denunciam os interesses financeiros alheios enquanto escamoteiam os próprios; levantam a voz contra supostas tramas de médicos e indústrias, enquanto ocultam os próprios interesses com vistas a possíveis candidaturas pessoais e apoios políticos. São perigosos porque são fanáticos, porque vivem num mundinho próprio que pretendem defender até a vitória.

Essa semelhança nunca é mera coincidência.


 

Ruth Helena Bellinghini é jornalista especializada em saúde e ciência, ex-repórter do Grupo Estado, foi bolsista do Marine Biological Lab (Mass., EUA) na área de Embriologia e Knight Fellow (2002-2003) do Massachusetts Institute of Technology (MIT), onde seguiu programas nas áreas de Genética, Genômica, Bioquímica e Câncer, entre outros.
 
O post reflete a impressão e opinião pessoal da autora convidada. Infelizmente, por não fazer parte da equipe do Café na Bancada, a autora não estará disponível para responder comentários. 

 

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33 comentários

5 menções

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  1. Dalmo

    A mensagem direta do seu texto é ótima, apenas não gostei da mensagem subliminar crítica da fé evangélica. D

  2. Samuel Gakvao

    Era um debate. Vocês não pediram a palavra para falar tudo isso lá ?
    Você deveria ter feito isso.

    1. Ruth H Bellinghini

      Samuel, para começar estávamos em menor número. E em nenhum momento foi possível, como vc diz, tomar a palavra.

  3. Gabriel Alves

    Sensacional Ruth! Um abraço!

  4. Artur

    1)O contrato do Hospital Amaral de Carvalho com O Ministério da Saúde para a execução dos testes clínicos em 1995 é uma realidade jurídica, DOCUMENTADA( inclusive assumida pelo representante do Ministério da Saúde na última Audiência Pública , e isso você não aponta, oque configura uma má fé sem medida! Resumindo: Jornalismo Parcial e de péssima qualidade( aliás um microblog quase de “deepweb” desses não poderia ser diferente)
    2)Os mecanismo de ação “targetcell” da Fosfoetanolamina sintética estão CLARAMENTE expostos em DEZENAS de artigos internacionais com QUALYS A. Todos artigos publicados em revistas reconhecidas pela comunidade científica internacional, tais como a “Nanomedicine”, a qual publicou um artigo do Dr Durvanei há menos de um ano, por exemplo.
    3) Vai aprender a relação entre a respiração anaeróbia, a produção de caspases e a acidez proveniente do processo metabólico das neoplasias,IGNORANTE! O mecanismo foi apresentado de forma correta pelos pesquisadores. Embora com divergências minuciosas, há em essência a unanimidade no grupo em relação a forma de ação da Fosfoetanolamina Sintética! Estamos falando de Ciência de ponta, feita por cientistas internacionalmente reconhecidos e detentoress de currículos impecáveis, e não de jornalismo vazio, como esse aqui apresentado, cheio de fajutices e ignorâncias pífias 4) Em momento nenhum foi dito que a tratamento convencional deveria ser interrompido. Quando li isso aqui nesse microblog perdido tive a certeza de tratar-se de fato de uma tremenda má fé, pois isso não ocorreu no seminário, que diga-se de passagem foi organizado pelo Sindicato dos farmacêuticos de São Paulo, dado omitido pelo micro jornalista, que tentou dar a entender que o Seminário teria apenas a organização dos defensores da Fosfoetanolamina. Muita má fé do microjornalista do microblog de um conhecimento micro sobre o caso também… 5) Tentar negar questões relacionadas a interesses financeiros e batizar a máfia da Indústria das Doenças de “conspiração” é de um desespero sem medida! Essa é uma realidade pública, já documentada, relatada e assumida por muitos que fizeram ou fazem parte da máfia! O Filme ” Clube de Compras Dallas” é um exemplo clássico e bastante difundido acerca dessa realidade imunda! 6) Escreveu muito, com muita prolixidade, mas sem nenhum argumento fático! Apenas tentou desqualificar cientistas com um “Know-how” imenso e respeitados no meio científico! Certamente, é um jornalismo sem embasamento e recheado de tons marrons.

    1. William

      Disse tudo, Artur. Senti uma tremenda vergonha alheia ao ler esse texto. Não se pode chamar de jornalismo. Jornalistas de verdade aprendem na disciplina de ética jornalística a portar-se de modo a escrever sem ofender ou depreciar quem quer que seja; deve-se ater aos fatos, e relatá-los de modo claro e objetivo. Ainda mais em se tratando de jornalismo científico. O tom do texto da microjornalista aí é de uma ofensividade quase surreal. Não é a toa que tá abarrotado de erros de análise. A falta de ética de uma pessoa não poucas vezes apresentou-se acompanhada de uma certa incapacidade cognitiva. Ou isso, ou a tal jornalista possui algum interesse escuso nesse caso. Lamentável.

  5. Mariah Silva

    Ruth Helena Bellinghini, que servicinho podre você está prestando pros que te mandaram acordar cedo, numa manhã gelada de SP hein…Só pelo tom debochado de seu texto dá pra tirar várias conclusões:

    1ª) Não se chuta cachorro morto…
    2º) Porque um texto tão grande cheio de detalhes, rebatendo ponto a ponto,na base do desrespeito e da mentira se a Fosfoetanolamina é uma farsa ???
    3º) Você deve estar precisando de grana pra pagar suas contas e talvez tirar seu nome do SPC/Serasa…
    4º) Deixou uma pilha de louças sujas em casa e foi tomar café da manhã no Excelsior de graça….

    Isso tudo só me leva a crer que a Fosfo e os fosfocrentes estão no caminho certo !!!!
    Continue Ruth…mas melhore por favor !!!!!
    Ah…..você ainda vai tomar muito café com os fosfocrentes ainda…..que bom né?
    Assinado:#Fosfonemvoudormirporsuacausa

    1. Ruth H Bellinghini

      Mariah, eu não fui paga para produzir matéria. Como vc pode ler acima, trata-se de colaboração. O caso da fosfo é meu tema de dissertação de mestrado, por isso deixei miha cama quente. além disso, os pesquisadores da fosfo se recusam a dar entrevistas para jornalistas que os contestam, da mesma forma que se recusam a debater com pesquisadores que discordam deles, o que em ciência é incomum, para dizer o mínimo. Pesquisadores sérios não contestam dados de outros pesquisadores na justiça, mas produzindo novas evidências.
      Segundo, considero enorme desrespeito para com doentes graves apresentar fatos sem comprovação como se fossem verdade. Também considero um desrespeito omitir informações: nunca ouvi de nenhum dos pesquisadores nenhum relato sobre pacientes mortos, nenhuma casuística sobre aqueles em que houve remissão, os que estabilizaram e os que morreram. cientistas sérios mantém anotações detalhadas de tudo o que fazem ou, pelo menos, deveriam.
      Não deixo louça suja em casa, muito menos pilhas de louça.
      Abraços

  6. Vítor

    Engraçado a repórter usar futebol e religião e desrespeitar cientistas e pacientes escondida atrás de uma invisibilidade e ser corajosa ao escrever usando de cinismos, é bem a cara da imprensa atual que funciona sempre a favor das organizações e contra o povo. Realmente você deve ser palmeirense e sim se todos são corinthianos e eu sou com muito orgulho só demonstra nosso tamanho diante de quatro porcos sem educação, ética e moradores de Chiqueiro cultural.

    1. Ruth H Bellinghini

      Deixei claro que vc pode escolher o time. E para sua informação, não sou palmeirense e nunca fui.
      E não me escondi. Pedi aos organizadores para falar com os pesquisadores, se é a isso a que vc se refere, mas como me confirmaram outros repórteres presentes estavam “blindados”.
      Quando se propõe um debate, supõe-se que haverá na mesa prós e contras, o que claro, não havia.
      abraços

  7. Roberta Drekener

    Cara Ruth, compartilhamos as mesmas preocupações.
    Durante seu texto precisei interromper a leitura com comentários sobre os absurdos narrados. Instituto de pesquisa do Chierice?? Não cansa de ficar pior.
    Obrigada pelo relato, queria ter aumentado o número de fosfoateus, precisamos nos unir contra tantos absurdos.

    1. Ruth H Bellinghini

      oi Roberta,
      Na verdade, tenho muita pena daquelas pessoas desesperadas (com razão) a quem se vai vender esperança a R$ 6 a cápsula. Me preocupa bastante o suo político que se faz desse caso, que nos transformou em piada na comunidade científica internacional, depois de décadas de empenho de nossos cientistas sérios para que o trabalho dos pesquisadores brasileiros fosse respeitado.

  8. Hellen

    Fui começar a ler e me deparei com uma JORNALISTA que diz colecionar diplomas em grandes universidades, mas que não sabe que não se acentuam graficamente os ditongos representados por ‘ei’ da sílaba tônica das palavras paroxítonas. Deixa eu te ajudar. Faz assim: volta pra escola e aprende a língua portuguesa, depois vc vem falar de ciência com quem entende e tem competência para escrever aquilo que vc provavelmente não leu. A liberdade de expressão te dá o direito desses equívocos, eu entendo. Ainda bem que tbm posso usufruir do meu direito e vir aqui mandar lembrança pro seu cérebro. Se bem que duvido que vc tenha um, uma vez que assassina seu argumento se autointitulando ATEIA, mas admitindo ser discípula do Dráuzio Varella. Difícil ver alguém que nega a ciência para idolatrar um artista global. Por outro lado, pode-se ver o alcance da irresponsabilidade de profissionais como vc que não respeitam nem mesmo autoridades jurídicas. Isso torna possível encontrar justificativa para as ignorâncias e absurdos cometidos hoje e propagados como verdades.

    1. Ruth H Bellinghini

      Obrigada pelas correções, mas sou antiga, quando se acentuava o bendito ditongo.
      Vc, como excelente conhecedora do idioma pátrio, deve ter percebido que usei o “ateia” para me contrapor a culto, pois não?
      E, Hellen, não sou discípula (lembre-se também que discípula significa aluna e eu não tive o privilégio de ser aluna dele) do Drauzio, a quem conheço há anos por força da profissão e a quem respeito. Não idolatro ninguém, Hellen, mas como todo mundo admiro muita gente, inclusive os 16 ganhadores do Prêmio Nobel que tive o privilégio de conhecer e conversar longamente, porque é sempre um aprendizado. Fui aluna de seis deles e, creio, que meu cérebro se mantém em franca atividade bem. Sim, eu li todos os estudos publicados pelo grupo e conversei longamente sobre eles com o Durvanei Maria, por exemplo. Respeito bastante o pessoal do Judiciário, especialmente alguns ministros do STF, mas me causa indignação ver uma pessoa formada em Direito não mencionar em nenhum momento a instabilidade jurídica, para ser delicada, que pesa sobre as duas patentes e ainda acusar a FioCruz de “tentativa de roubo”, quando o pedido de “cessão de direito patentário” não se refere aos pesquisadores, mas à Universidade de S Paulo (vc pode checar essa informação no INPI).
      Abraços

  9. Marcos Ceciliano

    Prezada,

    ” O pobre Otto Warburg, prêmio Nobel de Medicina e Fisiologia de 1911, foi quem percebeu que células tumorais reduziam a atividade de suas mitocôndrias (reduziam, não paravam) e passavam a produzir energia via glicólise, o que o levou a crer, quase cem anos atrás, que o câncer fosse uma doença mitocondrial”

    Por favor, me esclareça : o que foi feito ao longos dos 100 anos, supondo ser o cancer uma doença mitocondrial ?

    1. Ruth H Bellinghini

      Oi, Marcos

      Bom, nos anos 40 e 50, com os avanços das pesquisas que identificaram o DNA como o material hereditário e que comanda os processos celulares, percebeu-se que o cãncer não era uma doença mitocondrial, mas uma doença do DNA e a teoria caiu, como costuma acontecer na ciência. Mas o chamado “efeito Warburg” continua a ser estudado, é um marcador importante para se verificar a agressividade de um cãncer e é a base do funcionamento de um exame por imagem, que é o PET-CT, que usa uma glicose com marcador: como o metabolismo das células cancerosas é superacelerado, elas absorvem e consomem glicose loucamente. O exame permite verificar não apenas o tamanho do tumor, mas tb se ele está ativo ou não, o que é uma ferramente excelente tanto para detectar metástases, como para verificar a eficácia das terapias. E vc tem tumores grandes, que no PET aparecem como inativo, e tumores reduzidos, que vc percebe que continuam em plena atividade.

      1. Paulo Gusmão

        Que incrível resposta Sra. Ruth, entretanto, a dúvida pertinente ao que vem sendo feito perante a considerar o câncer uma doença mitocondrial, pairou no ar. Estou acompanhando este processo veemente, também vendo ataques nos estudos e isso me fez comentar neste blog, tendo como base sua resposta elucidativa, gostaria então de tirar mais algumas dúvidas. Caso a senhora possa sanar, será de grande valia para meus estudos de tal situação que venho acompanhando durante longos anos.

        Com o vasto conhecimento que a senhora tem em acompanhar de perto a ciência, há algum estudo científico que a possível teoria “câncer – uma doença mitocondrial” caiu por terra ou esta é a primeira vez que o câncer é abordado desta forma?

        Seguem algumas dúvidas que continuam pertinentes: Se a senhora está tão certa como afirma no texto supracitado e possui conhecimento científico, não seria possível rebater os tais pesquisadores com ciência, estudando a substância fornecida por eles e provando que estão errados? Qual a explicação científica que a senhora poderia me fornecer para este caso? Se os cientistas enviaram a substância para testes, por qual motivo o Ministério da Ciência gastou 2 milhões de reais para tentar reproduzir uma substância seguindo um pedindo de patente incompleta depositada no INPI? saberia me informar também, caso seja do seu conhecimento, por qual motivo o processo licitatório foi ignorado?

        Pelo o que pude acompanhar até o momento, os testes em camundongos foram eficientes e mesmo assim estão utilizando todas as formas para não dar início aos testes clínicos (poderiam iniciar com pacientes que já estão desenganados pela medicina), enquanto vários quimioterápicos tiveram suas licenças concedidas baseadas em estudos científicos sem sequer uma replicação, passando facilmente, em poucos meses, para “testes” diretamente em seres humanos, sem passar sequer pelas fases previstas pelo órgão regulatório do Brasil.

        Achei seu texto muito desrespeitoso, tanto para a ciência, quanto para religião, entretanto, isto não exime ou denigre o conhecimento que a senhora aparenta ter sobre tal doença. Antes que meu texto pareça um ataque, já de antemão informo, apenas me causou isso por um único motivo, uma pessoa que acompanha a ciência chamar uma substância que vem sendo estudada por órgãos competentes de “fosfocoisa”, não foi algo que pude observar em vários artigos seus falando sobre câncer. Caso a senhora possa me fornecer algum artigo ou texto que aborde desta maneira outros estudos ou pessoas, eu mudaria um pouco a minha visão sobre esta publicação e consideraria que esta seja sua forma de abordar determinado assunto científico.
        Ps: Não consegui encontrar algo com esta forma utilizada.

        Deixo por fim minha crítica ao seu texto, mas em contrapartida, meus elogios as respostas elucidativas de seu pontos de vista.

        Muito obrigado e caso possa elucidar estas minhas dúvidas, ficarei eternamente grato.

        Paulo Gusmão

        1. Ruth H Bellinghini

          Desculpe a demora, Paulo, e vamos por partes. A tese do Warburg começou a cair por volta dos anos 40 e desabou de vez ns anos 70, quando ficou evidente que a origem das neoplasias estava nas mutações do DNA. Vc pega células saudáveis, altera o DNA e bingo! elas começam a se multiplicar loucamente. Veja, as observações de Warburg são de 1926 e vc pode imaginar que tipo de microscópios e equipamentos ele dispunha na época. Mesmo assim, sua observação se mantém: células cancerosas têm uma enorme alteração metabólica, mas não a que Chierice afirma. Segundo ele, as células cancerosas têm suas mitocôndrias “paradas” (sic) e funcionam com energia da glicólise (via anaerobia), chegando a afirmar algumas vezes que a célula cancerosa tem baixa energia (então, como se reproduz descontroladamente???) e que são anaeróbias.O que se tem é o chamado efeito Warburg: a geração de energia pela via mitocondrial se reduz, mas a glicólise (que não produz muita energia) é acelerada ate 200 vezes, mais que compensado a redução de energia via mitocondrial. O que acontece? Warburg confundiu causa e efeito, essa alteração metabólica é consequência do processo tumoral e não sua causa, mas sua observação se mantém, tanto que esse efeito é indicador do grau de agressividade de células tumorais.Efeito Warburg é alvo de centenas de estudos, mas a tese de que câncer é uma doença mitocondrial caiu nos anos 70 e de lá para cá não apareceram evidências que a ressuscitassem.
          Segunda parte. Há duas patentes registradas provisoriamente no INPI, ambas livres de sigilo desde 2009 e uma delas diz respeito ao processo de síntese da fosfo. O que a Unicamp fez, como é praxe, foi reproduzir o passo-a-passo e chegar à mesmíssima composição obtida em S Carlos, como provam os exames de ressonância Magnética Nuclear,que apontam a composição e os componentes da fórmula. Já li que a patente não apresenta “alguns segredinhos”, o que significaria que pedido é fraudulento (já que se teria escondido passos fundamentais para sua obtenção). Não existe patente incompleta e, se fosse, os detentores teriam obrigação de passar a fórmula correta, sabendo que ela seria testada. Além disso, o laboratório de S Carlos onde a fosfo era produzida (sem as mínimas condições de higiene) foi fechado, portanto, não se teria como obter mais do produto. Não entendi o que chama de processo licitatório. Talvez que vários laboratórios deveriam produzir? Porque, se for o caso, nenhum laboratório privado poderia fazê-lo sem licenciamento por parte dos detentores da patente. O único autorizado por eles é o PDT Pharma, de Cravinhos, autorizado apenas a produzir para os testes clinicos, com supervisão de Salvador Claro Neto: o primeiro lote aparentemente não atendeu às especificações técnicas. Se não entendi a pergunta, me explique.
          Em terceiro lugar: o Brasil não está capacitado a participar de testes clínicos fases 1 e 2 e apenas fase 3, dentro de estudos internacionais multicêntricos (em vários países) ou seja, só participamos da fase final de testes clínicos (o que é uma pena). Uma medicação não precisa (nem pode) ser testada em cada País que a prove de novo e de novo porque os custos seriam galácticos, em vez de estratosféricos como são Cada país usa no processo decisório as pesquisas já feitas E publicadas em revistas indexadas internacionais. Medicamentos passam não apenas por pesquisa antes de sua liberação, como obrigatoriamente têm de ser acompanhados durante anos no mercado (testes fases 3 de drogas para cãncer p ex, não incluem pacientes cardíacos, diiabéticos etc. Só se sabe como ele interage com comorbidades ao longo do tempo.
          Paulo, pessoalmente, considero um desrespeito o que estão dizendo aos pacientes de cãncer e seus familiares desesperados. A fosfoetanolamina não é um medicamento, é apenas uma “substãncia promissora” como milhares de outras em teste. O absurdo é apresentar relatos testemunhais de cura sem a devida documentação e acompanhamento; dizer, por exemplo, que Brasil aprovou lei dispensando testes em cães, quando todo procedimento de desenvolvimento de uma nova droga segue um padrão-ouro internacional, em qualquer país do planeta. Essa pesquisa do MCTI passou por cima de todas as normas possíveis, em termos de financiamento, prioridade etc, porque se criou em torno da fosfo um interesse eleitoreiro impressionante. As pesquisas do grupo, publicadas apenas a partir de 2005 (sendo que as pílulas foram distribuidas antes, sem que nenhum teste pré-clínico, nem em camundongos tenha sido publicado até então) tiveram sim financiamento de ´órgãos de fomento. Há pesquisas seríssimas m andamento no País que não recebem essa atenção e muito menos R$ 12 milhões “no grito” ou no Tapetão, para voltar ao futebol. Vou lembrar a declaração do oncologista Carlos Gil, que em 2011 procurou Chierice e o convidou para integrar a Rede FAC (Desenvolvimento e Inovação de Fármacos Anti Câncer) cujo o objetivo era identificar na academia brasileira potenciais moléculas que pudessem virar, um dia, um produto anticâncer. Chierice recusou dizendo que “já tinha o remédio” embora faltasse 95% do processo de desenvolvimento.
          Vou dizer outra coisa que deixa meu lado jornalista em alerta: só dão entrevistas para quem bate palmas para eles Ciência se faz com discussão e debate. Judah Folkman passou anos e anos tentando convencer a comunidade científica de que tumores promoviam crescimento de novos vasos sanguineos. Conseguiu, com uma série imensa de estudos, sem sair dizendo que tinha a cura do cãncer e jamais se furtando ao debate com seus pares. Esse grupo recusa convites para debates e, quando os promove, é apenas entre eles mesmos, numa espécie de show para impressionar plateias desesperadas.
          Abraços e, mais uma vez, desculpe a demora (e a resposta loooonga)

          1. Paulo Gusmão

            Primeiramente gostaria de registrar o meu agradecimento em sua resposta.

            Algumas citações supracitadas me deixaram ainda mais intrigados, pois estou acompanhando esses estudos já alguns anos. Realmente “caí de pára-quedas” e por isso as minhas dúvidas. Este é o motivo de estar tirando dúvidas com uma profissional que acompanha a ciência de perto.

            Vou preferir separar também por tópicos, creio que seja mais fácil para conseguir acompanhar e não ficar uma leitura cansativa.

            1 – Você afirma no texto supracitado que a possibilidade do câncer ser uma doença mitocondrial “caiu por terra” em 1970. Poderia me fornecer algum documento comprobatório dessa sua afirmação? Já de antemão peço sinceras desculpas se estou atrapalhando e abdicando tempo, mas realmente estou me aprofundando no assunto, para então tomar um posicionamento sobre o assunto.

            2 – Você afirma no texto supracitado que é de praxe alguém reproduzir algo com pedido de patente e, já de antemão informo que você está equivocada. Posso falar com propriedade sobre tal assunto, logo, existe uma lei de 1996 (L9279) que veta reprodução sem prévia autorização do autor, herdeiros ou sucessores do autor, portanto, sendo algo que ocorra corriqueiramente na ciência, gostaria de salientar que há o primeiro equívoco de sua afirmação. Sendo um procedimento de praxe ou não na ciência, isso não deveria acontecer sem uma autorização expressa judicial.

            3 – Assim como citei acima, estou acompanhando este processo justamente para entender realmente o que ocorre no estudo de uma substância até sua liberação. Estou muito feliz em ter pessoas dispostas ajudar a ciência e me esclarecendo vários pontos. Vi que no texto supracitado, você informa naturalmente que a UNICAMP apenas reproduziu (sem autorização prévia conforme previsto em lei) um pedido de patente e emitiu um relatório, contudo, o contrato firmado para que fosse liberado 10 milhões de reais para tal estudo, o objeto deste eram “cápsulas de fosfoetanolamina fornecidas pela USP”, ou seja, não haveria custos com a sintetização reproduzindo patente sem as devidas autorizações. Seria leviano o Ministério da Saúde autorizar tal ação e comprovando minha afirmação, anexo logo abaixo um vídeo que foi anexado nos autos onde, Dr. Jailson de Andrade, Secretário do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, em Audiência Pública realizada no Senado Federal, nada data de 05/04/2016, no tempo 3:44:10, após indagado pelo Dr. Marcos Vinícius de Almeida sobre a página 2, na tabela 1, anexo 2 do relatório do MCTI, a composição de uma substância da UNICAMP. Logo após ser indagado, o então secretário Dr. Jailson responde claramente que não foram utilizadas cápsulas da UNICAMP e ainda ressalta a possibilidade de ter havido um erro no relatório se isso aconteceu. Segue Audiência Pública em anexo: https://www.youtube.com/watch?v=JEMlvXKw7-s

            4 – Você afirma que a USP foi lacrada e que por isso o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação precisou fazer as cápsulas na UNICAMP para que os testes fossem efetivados. Se puder me exibir o que levou a afirma isso, ficaria eternamente grato, afinal, os documentos oficiais que obtive acesso e também estão nos autos, a USP enviou cápsulas suficientes para os testes “in-vitro” e “in-vivo”. Ambos os documentos estão protocolados no MCTI e por isso me deixou intrigado essa sua afirmação, vindo de uma jornalista da área científica, com certeza você possui “no-hall” para me orientar. Talvez seja este motivo que me informaram sobre este seu artigo publicado.

            Quanto ao processo licitatório que você não entendeu, isso eu posso falar com propriedade. É um procedimento administrativo que todos os estados devem respeitar e zelar. De acordo com os documentos os quais obtive acesso, o objeto do estudo era um, foi alterado, independe do motivo, porém, despendeu verba pública? se faz necessário um processo licitatório para contratação. Com os documentos que obtive acesso, não houve processo licitatório na contratação dos três laboratórios que estão fazendo os testes na substância da UNICAMP e você, como uma jornalista científica, deve estar sabendo com mais propriedade sobre o assunto. Minha dúvida aqui seria, é normal no meio científico a contratação de laboratórios utilizando verba pública sem procedimento licitatório? Isso ocorre de praxe também nestas contratações no meio científico?

            Ainda estou completamente imparcial neste levantamento que estou fazendo, porém, muitas coisas estão me intrigando e novamente volto a repetir, por isso estou vindo obter conhecimento de pessoas como você, entretanto, estou cada vez mais convicto que há algo muito errado, pois eu tenho acompanhado pessoalmente seminários, audiências, reuniões e muitas coisas se contradizem com o que tenho e o que tem sido divulgado em alguns ambientes web. Sempre quando vejo alguém com um determinado conhecimento em tal área, tento obter o máximo de informação possível. Espero que me entenda.

            Vou ser mais específico para que então, caso possa me ajudar, me esclareça algumas afirmações e, já de antemão peço desculpas pelo texto longo.

            * Você afirma que o primeiro lote da PDT Pharma não obteve as especificações técnicas, mas documentos que me foram enviados informam o seguinte conteúdo: serão 4 lotes de 35kg de fosfoetanolamina sintética. O primeiro lote já está inclusive na FURP em quarentena (informação cedida diretamente pela FURP). Gostaria ainda de salientar que a FURP me passou a seguinte informação: esta quarentena é um procedimento feito apenas para o primeiro lote. Poderia me passar o embasamento de sua afirmação?

            * Você afirma que a substância da UNICAMP é a “mesmíssima” substância sintetizada na USP, entretanto, estive presente também na audiência pública promovida pela INCA com integrantes do MCTI, INPI, ANVISA e outros órgãos envolvidos, nesta audiência em maio/2016, integrantes do MCTI informam que a síntese da UNICAMP não foi capaz de inibir tumores transplantados em camundongos, já a fosfoetanolamina produzida na USP, com o mesmo mg/kg, foi capaz de inibir o crescimento. Com sua afirmação de que é a “mesmíssima” substância, por qual motivo uma inibiu e outra não? Poderia me esclarecer isso? Segue gravação da audiência na íntegra e para ir até a exibição do slide o qual falo, basta ir até a hora 2:25:09. Isso é o que está mais intrigando, pois até agora não consigo entender como o Secretário do MCTI, Dr. Jailson afirma que se aparece UNICAMP em algum lugar do relatório, está errado e isto está sendo amplamente divulgado pela ciência jornalística como algo normal.

            * Você afirma que a equipe de cientistas que desenvolveram a substância só vão a debates que “batem palmas” e não vão em debates livres, entretanto, todo esse processo que estou acompanhando, estive na ALESP, Senado Federal, Congresso Nacional e afins, uma situação também me chamou muita atenção, em todas elas, um desses cientistas sempre pergunta se há algum biomédico/oncologista/químico e o silêncio toma conta do ambiente, ninguém se identifica, mesmo depois eu tendo acesso a pauta e verificar que haviam vários em tal ambiente, portanto, ninguém pede a palavra ou indaga os cientistas. Ainda querendo saber o motivo.

            Eu estava e você também, neste último seminário, o qual durou cerca de 6 horas e 48 minutos (sou bem preciso mesmo). No final, haviam várias pessoas indagando os cientistas, inclusive médicos, químicos e foram respondidos. Por qual motivo você não fez o mesmo e respondeu em comentários acima que não deixaram?

            Espero que não me entenda mal, estou realmente querendo obter e extrair o máximo de informações possíveis.

            Muito obrigado e caso possa elucidar estas minhas dúvidas, ficarei eternamente grato.

          2. Paulo Gusmão

            Boa noite caríssima Ruth, gostaria de pelo menos uma resposta de meus questionamentos, tendo em vista que, como estou tentando formar minha opinião, me foi passado esta postagem deste blog. Essas informações realmente não vão de encontro ao que tenho visto, pelo contrário, com essa sua afirmação de normalidade a reprodução de uma patente, foi o que mais me deixou intrigado.

            Resolução/INPI 132/06 não autoriza reprodução de pedido de patente conforme você diz que é normal.

            Caso possa me enviar um contato telefônico para que seja feita uma comunicação melhor, envie seu contato através do email paulogusmaom@oabsp.org.br.

            Esse texto de uma jornalista científica, juntando com o que tenho em autos, estão divergentes e por isso gostaria de estar sanando essas dúvidas diretamente com uma especialista na área. Sua confiança e segurança em suas afirmações me deixou seguro e por isso venho lhe pedir ajuda.

            Obrigado.

          3. William

            Curioso pra ver sua resposta às últimas indagações do Paulo. No aguardo.

  10. SILVIA REGINA GOBBO

    Parabéns Ruth,

    Está cada vez mais difícil defender pessoas, doentes e familiares de charlatões que pregam curas milagrosas que não ocorrem, mas eles não conseguem provar… Pregam, usam o mesmo artifício de vendedores e pastores da teologia da prosperidade… NÃO, NÃO É COINCIDÊNCIA, É FATO MESMO, usam os mesmos artifícios, para criar seguidores, PORQUE SEGUIDORES NÃO QUESTIONAM.

    Se alguém interno ao grupo questionar, será chutado para fora.

    A polícia já deveria ter feito uma intervenção nessa coisa, como um dia interviu em compras de terra pelo rev , Moon no Brasil…

    1. Adenor

      Eu acho que a Polícia deveria ir atrás de preconceituosâs como você por exemplo que deve ser ou ter um médico na família ou faz parte das classes favorecidas por esse mundo podre onde julgam aos outros olhando de baixo para cima como sendo dona do mundo. Reveja seus conceitos pois você não está acima dos pastores da teologia da prosperidade nem acima dos charlatões e dos seguidores que nada questionam, até porque agora mesmo você não está questionando o que aqui foi escrito pela Senhora Ruth, então eu posso dizer que você está sendo extremamente hipócrita.

  11. Monny

    Ruth, você tem tantas intitulações, tantos argumentos que fazem sentido para você, de acordo com a sua ótica acadêmica, estudos científicos ainda são muito limitados, fragmentados e podem ser invalidados, contestados com o passar dos anos, viver é uma constante mutação.
    Podemos pensar diferente, mas continuamos seres humanos. Temos uma capacidade emocional ilimitada, sabemos quando estamos conscientemente agindo ironicamente, quando estamos desrespeitando credo, cor, raça, no aspecto emocional a única coisa que nos difere é usar essa consciência de forma sábia.
    Um ponto que acho muito relevante é, muitas curas aconteceram sem a explicação médica, sem a ótica acadêmica, independente de ter comprovação científica ou não, isso é perfeitamente aceitável, já que a cura não é simplesmente um processo estrutural-físico, envolve inúmeros outros fatores, o emocional por exemplo.
    Eu trabalho com seres humanos e suas vidas há apenas 10 anos, mas dá para aprender muita coisa e uma das mais lindas inspirações que tive nessa escolha profissional, foi exatamente ter o contato com profissionais competentes, intitulados, mas com o lado humano e emocional muito mais evoluído do que o lado exuberante da profissão.
    Imagina você que não tolera um pensamento diferente do seu, ouvir que você e tudo que você fez até agora, não tem significado nenhum, nem valor, nem importância, que você é uma fanática fiel a sua doutrina acadêmica e ser ridicularizada por isso, não é uma postura motivadora é uma postura intolerante e preconceituosa, você pode com sua razão causar grandes estragos, tem coisas na vida que por mais conhecimento que se tenha, ainda assim não tem explicação.
    Um livro ótimo que recomendo a você é o código divino da vida do Dr. Kazuo Murakami.

    1. Ruth H Bellinghini

      Moony, antes de qualificar um fato como “milagre” até mesmo o Vaticano faz uma cuidadosa investigação a cargo de cientistas, e não teólogos.
      E, não Moony, estou acostumada a lidar com pessoas que pensam de forma completamente diferente da minha. O que acho intolerável e inaceitável é ver gente se aproveitando do desespero da parcela mais vulnerável de qualquer população, a dos doentes.
      Abraços.

  12. Paulo

    Rsss……..Dona Ruth.Pq tanta preocupação ?Confesso que não entendo o fato de pessoas tão dotadas de conhecimento se preocuparem e perderem seu tempo falando de algo que não passa de uma fantasia.A COMUNIDADE CIENTIFICA nunca perdeu tempo para falar sobre as pilulas do Frei Galvão,cogumelo do sol,barbatana de tubarão….Veja o comentário ,cheio de ódio da pessoa acima(Silvia).Confesso que não entendo.É impressionante o IBOPE que vcs dão a algo tão “fantasioso”.A outra que envolver até a polícia,que tem tanta coisa pra resolver ,em algo tão ‘insignificante’.

  13. Dr. Smith Sandh

    Esta jornalista ganhou meu total descrédito a partir do momento que fui verificar mais suas postagens em redes sociais.

    Vi comentário desta jornalista chamada Ruth Helena Bellinghini, informando que foi em um seminário de uma substância que está sendo estudada para garantir um mestrado.

    Bem trágico isso para nossa ciência. São pseudocientistas como ela que atrasam toda a ciência da humanidade.

    Acompanho este blog corriqueiramente e perderam um cientista por conta de tal manipulação de informação para descrédito de um estudo que venho acompanhando.

    Postagem da jornalista Ruth em sua rede social:
    Os fosfopesquisadres não compareceram mais uma vez a reunião do MCTI para debater sua fosfocoisa. Laudo do próprio IQSC-USP, onde trabalhava o pajé, afirma que a substância “como fornecida” é tóxica e não deve ser fornecida a crianças, adolescentes ou adultos com sistema imune fragilizado por câncer”. Favor ler grifo no “é tóxica”.

    Último relatório do Ministério da Ciência:
    http://www.mcti.gov.br/documents/10179/1274125/Relatorio+Tumor+Xenografico/415ff3fa-59b3-4e63-8d42-d258f3265235

    Só por essa informação dela, torna-se claro que o interesse dela é apenas ter seu mestrado pago por alguém que há de prejudicar a ciência deste país.

    Agradeço atenção dispensada e espero prudência em quem vocês autorizam publicações em tal blog.

    Dr. Smith Sandh

    1. Ruth H Bellinghini

      Caríssimo Dr Smith,

      Vamos deixar uma coisa, clara, sim? Eu não preciso de ninguém que “pague” meu mestrado, porque não se compra título de mestre na instituição em que apresentarei minha dissertação (nota 7 na Capes, aliás)
      Fui em busca de informações, já que alguns dos fosfopesquisadores (não é o caso de Durvanei Maria) se recusam a participar de debates reais, com cientistas de real renome e gabarito internacional e cuja pesquisa tem impacto. Também rejeitam convites para reuniões do MCTI (foro adequado para eventuais contestações metodológicas e de análises de resultados), enquanto publicamente reclamam que foram excluidos do processo da pesquisa. Como cientista, deve saber que a validação de qualquer estudo impede que os intressados participem dele diretamente. Sabe também, certamente, que o debate e a crítica são parte integral e normal do processo de produção de ciência.
      Se acompanha o chamado estudo, deve saber que a produção do grupo, ao longo de 20 anos, só teve início em 2005, se limita ao meramente descritivo e o que o que está publicado é insuficiente sequer para justificar um teste clínico pelas normas internacionais, que são padrão-ouro para teste e produção de medicamentos.
      Gostaria também de chamar sua atenção para o fato de, em nenhum momento, eu ter me apresentado como cientista.
      Abraços.

      1. Raul

        Quero ler a tese assim que estiver disponível. Ver o nível dos comentários só me faz ter mais certeza da enorme barreira que existe entre as pessoas da academia e os fosfocrentes que compram todas as abobrinhas que esses pesquisadores travestiram de ciência. Eu sabia que a falta de conhecimento científico no nosso país é grande, mas não imaginei que chegava aos níveis que esse caso expôs.

    2. Natália Pasternak Taschner

      Caro Dr Sandh,
      Creio que o senhor interpretou mal os comentários da jornalista em sua página pessoal. Ruth é uma jornalista científica extremamente competente, que foi bolsista no MIT. Ela está desenvolvendo seu mestrado em oncologia, e um de seus temas é a fosfoetanolamina, portanto, é natural que ela compareça a eventos desse tipo para coletar informações. Realmente não entendo como a presença dela no seminário poderia “garantir” um mestrado. Até porque, o mestrado já está sendo desenvolvido. Quanto ao post em sua página pessoal no FB, a notícia e o relatório que ela cita são reais, e ela fornece a fonte. O grupo do IQSC realmente furtou-se a comparecer a todas as reuniões e seminários para os quais foram convidados. E isso consta também do relatório do INCA, que Ruth cita.
      O Café na Bancada acredita em defender a liberdade de expressão, e em ceder seu espaço a bons profissionais com quem compartilhamos ideias. Todos os demais posts do nosso blog sobre a fosfoetanolamina deixam clara nossa posição de não combater a pseudociência. Agradeço a sua presença constante aqui, e espero ter esclarecido qualquer mal entendido.
      abraço,
      Natalia

      1. William

        Ser bolsista do MIT é sinônimo de competência? É isso? Que coisa, hein! Um de seus temas é a fostoetanolamina…ótimo…muito interessante. Aí ela vem aqui e tenta fazer com que cientistas que tem em seus currículos trabalhos científicos de grande relevância – trabalhos que, aliás, fazem sua bolsa no MIT parecer algo irrisório – pareçam farsantes ou debilóides com um texto extremamente ofensivo em que versa sobre um tema sobre o qual não se tem muitas certezas, uma área da ciência médica que definitivamente está engatinhando rumo a descobertas definitivas, e tenta demonstrar que a “última” palavra sobre o assunto, ou como ela considera, a “verdade” sobre o assunto, contraria esses cientistas. É louvável a atitude de vocês em divulgar a ciência, mas é profundamente lamentável ler um texto onde uma hipótese científica é atacada dessa forma. Ainda aguardo essa “jornalista” responder as indagações do Paulo Gusmão em comentários anteriores. Tenho interesse especial em duas coisas: onde na ciência está a prova de que o Dr. Gilberto e sua equipe estão errados em sua teoria e porquê a jornalista mentiu ao afirmar que não foi aberto ao público fazer perguntas sobre o que foi exposto no seminário.

    3. Ruth H Bellinghini

      Entomologia Florestal da Universidade de Toronto, não é professora? Aliás, parabéns pelo domínio do Português…

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