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jun 25

Voltando para casa

Um grande herói foi condecorado na Primeira Guerra Mundial. Graças a ele, um batalhão inteiro de soldados aliados foi salvo. No dia 3 de outubro de 1917, o major Charles Whittlessey, comandante da 77ª infantaria, estava encurralado com 200 homens entre as forças do exército alemão e fogo amigo, de outro batalhão americano que não sabia de sua localização. Era urgente avisá-los da sua presença, para que suspendessem o ataque. E foi então que surgiu nosso herói. Cher Ami era uma fêmea de pombo correio, que voou várias missões durante a primeira guerra. Com o telégrafo ainda precário, os exércitos utilizavam pombos correio para mandar mensagens.

Nesse dia, no entanto, o major Whittlessey tinha apenas um pombo para soltar: Cher Ami. Vários outros haviam sido abatidos pelo exército alemão. Se ela falhasse, o batalhão estaria perdido, e seria exterminado pelo seu próprio exército. Whittlessey escreveu uma única mensagem e a prendeu à perna de Cher Ami:

 

“Estamos na estrada paralela à 276,4.

Nossa própria artilharia está nos bombardeando.

Pelo amor de Deus, parem!”

 

Cher Ami alçou vôo e foi logo avistada pelos alemães, que prontamente abriram fogo. Por um minuto, os soldados americanos acharam que tudo estava perdido, e que sua última chance seria abatida pelos alemães. De repente, Cher Ami começou a voar cada vez mais alto, até ficar fora do alcance das balas alemãs e sumir de vista. Ela percorreu 40 km em 25 minutos.

Quando chegou à sua casinha, seu local de partida, o soldado que a recepcionou a encontrou coberta de sangue, cega de um olho, sem uma pata, e com um buraco de bala do tamanho de uma moeda em seu peito. Cher Ami havia voado sua última missão. Ela foi tratada pelos médicos do exército, e sobreviveu, mas foi aposentada, e recebeu uma medalha chamada Croix de Guerre. Ela voltou aos EUA de navio, levada pessoalmente pelo general John Pershing.

Homing_pigeonMas como funcionam os pombos correio? Como eles sempre sabem para onde ir?

Na verdade, os pombos viajam apenas em uma direção: para sua própria casa. Eles sempre voltam para o local onde foram criados, como outras aves migratórias. Outros animais, como gatos e tartarugas, também possuem essa capacidade.

No caso dos pombos, a ciência ainda não conseguiu desvendar completamente como eles conseguem se orientar para achar o caminho de casa. Mas temos algumas diretrizes.

Os pombos, e outras aves migratórias, são capazes de utilizar o campo magnético do planeta. Eles se alinham ao fluxo magnético, como uma bússola, e assim determinam uma direção. Sempre sabem onde está o Norte.

Além disso, conseguem calcular a direção levando em conta a posição do sol, e a relacionando com seu relógio biológico. Experimentos que alteram o relógio biológico dos pombos – como por exemplo, mantê-los em um ambiente com luz controlada trocando o dia pela noite – alteraram sua capacidade de navegação, e os pombos se perderam!

Além disso, estudos mais recentes apontam para o uso do olfato – já que a retirada de nervos olfativos também prejudicou a orientação espacial dos animais – e para o uso da audição: os pombos conseguem escutar frequências muito mais baixas que os humanos, chegando em até 0,1 Hz. Essas ondas sonoras emanam do planeta em si, dos oceanos e de diferentes topografias. Cientistas perceberam que os pombos ficavam confusos quando voavam próximos dos antigos concordes supersônicos, e então desconfiaram que os infrassons poderiam estar relacionados com a capacidade de navegação dos pombos.

Supostamente, os pombos usariam as informações geradas por essas ondas sonoras para gerar mapas acústicos, e, assim, orientar-se para voltar para casa. Há evidências de que eles também usam marcos visuais e reconhecem diferenças nas paisagens.

Outro dado interessante é que os pombos melhoram suas habilidades conforme ficam mais velhos. Não se sabe como e que tipo de experiência eles acumulam, mas o fato é que pombos jovens e inexperientes demoram mais e fazem rotas mais complicadas para chegar em casa. E quando estão em bando, os jovens seguem os mais velhos.

Pena que já não os usamos, eles me parecem mais baratos, mais eficazes e mais simpáticos do que o GPS do meu carro. Mas devo dizer que o GPS é deveras mais higiênico…

 

Para saber mais:

http://www.popsci.com/science/article/2013-01/geologist-has-probably-figured-out-how-homing-pigeons-find-their-way-home

http://rspb.royalsocietypublishing.org/content/276/1671/3295.short

http://homeofheroes.com/wings/part1/3b_cherami.html

 

 

 

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