jan 18

Voyager – Há 40 Anos no Espaço

O Voyager 1 foi lançado ao espaço em setembro de 1977, poucos dias depois do seu irmão, Voyager 2. Em setembro de 2013, o Voyager 1 se tornou o primeiro objeto fabricado pela Humanidade a deixar o Sistema Solar e entrar no Espaço Interestelar – o espaço entre estrelas. O Voyager 2 deve fazer o mesmo em alguns anos.

Ambas espaçonaves continuam explorando as fronteiras do Sistema Solar e se comunicam com a Terra uma vez por dia. Nesses 40 anos, elas descobriram vulcões ativos em Io, além de suspeitas de um oceano subterrâneo em Europa, uma das luas de Júpiter. Visitaram Titan, a maior lua de Saturno, onde encontraram uma atmosfera densa como a nossa. Descobriram gêiseres gelados em Tritão, lua de Urano.

Suas informações serviram de justificativa para a missão Cassini, a Saturno, recém-terminada com extremo sucesso, e também para a missão Galileo, a Júpiter, além de levarem à descoberta de três novas luas de Saturno.

 

E ainda funciona!

No dia 28 de Novembro de 2017, a Voyager 1 se encontrava a 21 bilhões de quilômetros de distância, e a NASA precisava fazer uma correção na orientação da espaçonave, para manter a antena apontada para a Terra.

Mas os pequenos jatos de posicionamento estão desgastados, após 40 anos de operação. Em função disso, os engenheiros da equipe de controle decidiram experimentar usar os foguetes principais, usados normalmente para alterações de órbita, que não eram acionados há 37 anos. E, por incrível que pareça, a manobra funcionou perfeitamente.

É importante lembrar que, nesses 40 anos, a tecnologia evoluiu muito, especialmente as de TI e Telecom. Um celular simples de hoje tem mais poder computacional do que todo o equipamento embarcado nas naves.

Assim, embora os sinais demorem quase 20 horas para chegar à nave, os engenheiros do Jet Propulsion Laboratory estão confiantes de que ainda poderão comandar a nave por mais alguns anos.

Espera-se que, se tudo correr bem, no ano 40.272 DC, o Voyager 1 chegue a 1,7 anos luz de uma estrela da constelação da Ursa Menor; e, daqui a 40 mil anos, o Voyager 2 chegue a 1,7 anos luz de uma estrela da constelação de Andrômeda.

Provavelmente, nenhum de nós estará em condição de ver isso acontecer, até porque a informação levaria mais 40 mil anos para chegar aqui. Mas é bom saber que alguém, nessa época, poderá ficar sabendo que seres humanos viveram neste Sistema Solar e enviaram o mais próximo de um abraço cósmico que se conseguia com nossa tecnologia.


Sobre o Autor:

Dr. Mauro Taschner

Sou formado em engenharia pelo ITA, em 1966. Mas desde criança fui apaixonado por aviões, foguetes, exploração espacial, astronomia e ciência em geral. Sempre estudei muito a respeito, até hoje, em paralelo com minha carreira como professor, consultor e executivo de empresas. E, desde cedo, tomo muito café. Minha experiência de bancada é mais ligada à mecânica, oficina, pouco laboratório. Mas sempre muito café.


 

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